Indústria e agronegócio brasileiros pedem intensificação das negociações após novas tarifas dos EUA-Xinhua

Indústria e agronegócio brasileiros pedem intensificação das negociações após novas tarifas dos EUA

2026-07-17 12:05:45丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 16 jul (Xinhua) -- A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu nesta quinta-feira que os governos do Brasil e dos Estados Unidos intensifiquem as negociações para reverter as novas tarifas de 25% impostas por Washington sobre a maioria dos produtos brasileiros, alertando que a medida prejudica empresas, trabalhadores e consumidores em ambos os países.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que a decisão dos EUA afeta uma relação comercial historicamente complementar e enfatizou que ambos os países mantêm cadeias de suprimentos integradas em diversos setores industriais. Segundo a organização, as restrições aumentarão o custo dos insumos utilizados pela indústria americana, reduzirão a competitividade das empresas brasileiras e poderão afetar investimentos e empregos em ambos os mercados.

A CNI também defendeu que a negociação diplomática é a forma mais adequada para resolver as divergências comerciais e evitar uma escalada de medidas que comprometam o fluxo bilateral de bens e investimentos.

Por sua vez, diversas entidades do agronegócio brasileiro manifestaram preocupação com o impacto das novas tarifas e solicitaram que o governo mantenha o diálogo com Washington para minimizar seus efeitos sobre as exportações.

Associações dos setores sucroalcooleiro e energético, como a Unica e a Bioenergia Brasil, também rejeitaram as críticas de Washington em relação ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. As organizações ressaltaram que a tarifa aplicada pelo Brasil segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e lembraram que os Estados Unidos mantêm restrições às importações brasileiras de açúcar há décadas por meio de cotas e altas tarifas. Portanto, defenderam que qualquer disputa comercial seja resolvida por meio do diálogo.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também expressou confiança de que ambos os governos chegarão a uma solução negociada. A organização observou que, embora os Estados Unidos representem um mercado significativo para alguns produtos do setor, as exportações brasileiras de aves, suínos e ovos são diversificadas e alcançam mais de 100 países, reduzindo, assim, a dependência do mercado americano.

Outras organizações empresariais concordaram que as novas barreiras comerciais criam incerteza para os exportadores e podem perturbar as cadeias de suprimentos globais. Por isso, defenderam uma solução negociada que preserve a estabilidade do comércio bilateral. 

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