
Foto tirada em 17 de julho de 2025 mostra dunas de areia perto de Nouakchott, capital da Mauritânia. (Xinhua/Han Xu)
A experiência da China no combate à desertificação e na recuperação de terras degradadas traz lições importantes para a Mauritânia e outros países do Sahel que enfrentam a degradação do solo e o avanço das dunas de areia, disse uma autoridade mauritana.
Nouakchott, 18 jun (Xinhua) -- A experiência da China no combate à desertificação e na recuperação de terras degradadas traz lições importantes para a Mauritânia e outros países do Sahel que enfrentam a degradação do solo e o avanço das dunas de areia, disse uma autoridade mauritana.
Em entrevista recente à Xinhua, às vésperas do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, celebrado anualmente em 17 de junho, Mohamed Mahmoud Talebna, chefe do setor de desenvolvimento local da Agência Nacional da Grande Muralha Verde da Mauritânia (ANGMV), disse que a desertificação continua sendo um dos desafios ambientais mais urgentes do país.
Secas recorrentes atingem a Mauritânia desde a década de 1970, afetando profundamente a economia rural do país, tradicionalmente baseada na pecuária e na agricultura, disse Talebna.
A Mauritânia está localizada em uma zona "particularmente exposta ao avanço das dunas, à degradação do solo e à redução das terras agrícolas", disse ele, acrescentando que os efeitos das mudanças climáticas intensificaram ainda mais esses desafios.

Foto aérea tirada por drone em 18 de janeiro de 2025 mostra o Centro de Demonstração de Pecuária na aldeia de Idini, Mauritânia. (Xinhua/Si Yuan)
A ANGMV trabalha no âmbito da iniciativa Grande Muralha Verde, que visa restaurar terras degradadas, fortalecer a resiliência das comunidades às mudanças climáticas e melhorar as condições de vida por meio de projetos de desenvolvimento sustentável, disse Talebna.
Nos últimos anos, a agência realizou esforços de restauração ecológica, incluindo a criação de reservas ambientais protegidas, fixação mecânica e biológica de dunas, produção de mudas e semeadura direta, disse ele.
A agência também apoiou fazendas comunitárias integradas, equipadas com parcelas agrícolas cercadas, pontos de água com bombas solares, instalações avícolas e lojas comunitárias, disse Talebna.
Esses projetos ajudam a criar empregos, melhorar o acesso a produtos agrícolas frescos e fornecer mudas para campanhas de reflorestamento, acrescentou ele.
Em diversas áreas afetadas pela desertificação, projetos de geração de renda ajudaram os moradores locais a melhorar seus meios de subsistência, enquanto o trabalho de fixação de dunas protegeu assentamentos ameaçados pelo avanço da areia e reduziu os riscos causados pelo acúmulo de areia em estradas principais.
Ao falar sobre a experiência da China, Talebna a descreveu como "uma das mais notáveis do mundo" na luta contra a desertificação e na restauração de terras degradadas.

Laranjeiras e romãzeiras são fotografadas com os dispositivos SHUBAO no Parque Tecnológico Verde China-África, na Mauritânia, em 16 de dezembro de 2025. (Xinhua)
Ele disse que o planejamento de longo prazo da China, o investimento contínuo, a mobilização de instituições públicas e a participação das comunidades locais foram fatores-chave para as conquistas do país na restauração ecológica.
Talebna citou a experiência da China no combate à desertificação, incluindo o Programa de Florestamento de Proteção das Três Regiões do Norte, o reflorestamento em larga escala, a estabilização de dunas de areia, o plantio de espécies resistentes à seca, a construção de quebra-ventos e o uso de tecnologias avançadas, como sensoriamento remoto, imagens de satélite e sistemas de informação geográfica para o monitoramento de ecossistemas.
"A Mauritânia e os países do Sahel podem se inspirar em diversos aspectos da experiência chinesa", disse ele, acrescentando que esses incluem a fixação de dunas, o desenvolvimento de viveiros modernos, a captação e utilização de água da chuva, o manejo sustentável de pastagens, a agrofloresta, as tecnologias modernas de monitoramento, a participação da comunidade local e o planejamento de longo prazo.
A cooperação internacional, especialmente com a China, pode desempenhar um papel importante por meio da transferência de tecnologia, da capacitação de profissionais técnicos, do compartilhamento de experiências e do financiamento de projetos ambientais, disse Talebna.
"Diante dos desafios climáticos globais, a cooperação entre os países continua sendo um fator indispensável para a proteção dos ecossistemas, o fortalecimento da resiliência das populações e a preservação de nosso patrimônio natural comum", concluiu ele.

