
O maestro egípcio, Ahmed El Saedi, se apresenta em um concerto no evento em comemoração ao Dia Internacional do Diálogo entre Civilizações e ao 70º aniversário das relações diplomáticas entre China e Egito, no Cairo, Egito, em 10 de junho de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)
Cairo, 12 jun (Xinhua) -- Enquanto Egito e China comemoram o 70º aniversário de suas relações diplomáticas este ano, a interação entre suas civilizações antigas pode oferecer uma nova visão para o intercâmbio cultural global, disse o sinólogo egípcio Mohsen Fergani.
"A essência fundamental de ambas as civilizações é a cultura", disse Fergani, professor de língua chinesa na Universidade Ain Shams, no Cairo, em entrevista recente à Xinhua. "Espero que as duas culturas apresentem um programa cultural abrangente para a humanidade".
O Egito foi o primeiro país árabe e africano a estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China. No final de 2014, os dois países elevaram oficialmente seus laços, já estreitos, ao nível de parceria estratégica abrangente.
Fergani, que traduziu diversos clássicos chineses para o árabe, incluindo os Analectos de Confúcio, o Livro da Poesia e o Tao Te Ching, enfatizou que a compreensão cultural permanece prioridade nas relações entre Egito e China.
Ele disse que agora é necessária "uma nova visão para a cultura humana e uma nova filosofia para o intercâmbio cultural global".
Fergani relacionou seu trabalho de tradução a uma necessidade histórica mais ampla de aprendizado intercultural, dizendo que o pensamento chinês há muito tempo faz parte do intercâmbio intelectual global.
"Hoje o mundo precisa compreender a sabedoria chinesa mais profundamente, assim como fez em períodos anteriores", disse ele. "O Ocidente traduziu os livros de sabedoria confucionista para o latim na antiguidade. Eu esperava, por meio da minha tradução, apresentá-los aos árabes".
Fergani disse que fortalecer o intercâmbio entre o Egito e a China é especialmente importante porque ambos os países têm uma longa experiência histórica.
"Países que carregam a história nos ombros precisam aprender constantemente, especialmente uns com os outros, porque em sua maioria passaram pelas mesmas experiências, desafios e obstáculos, e compartilham um destino comum", disse ele. "A experiência compartilhada responde às perguntas comuns, e essa é a importância da aprendizagem mútua entre as civilizações egípcia e chinesa".

Participante na final da 25ª Competição de Proficiência em Chinês "Ponte Chinesa" para Estudantes Universitários Estrangeiros, no Cairo, Egito, em 15 de maio de 2026. (Xinhua/Zhang Haobo)
A cooperação entre Egito e China, no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, expandiu-se nos últimos anos, abrangendo infraestrutura, comércio, investimento e intercâmbio cultural, dando novo impulso a uma relação já enraizada em uma longa interação histórica.
"Reviver a Rota da Seda simboliza o renascimento do grande intercâmbio que enriqueceu as civilizações árabe e chinesa com conquistas intelectuais e filosóficas, além do intercâmbio comercial", disse ele.
Fergani também espera que a futura cooperação sino-árabe dê maior atenção ao intercâmbio cultural e à tradução. "A China, com sua longa história, civilização profundamente enraizada e sabedoria política, tem um papel importante a desempenhar na promoção do intercâmbio e da compreensão entre as pessoas".
O veterano sinólogo também destacou o crescente interesse pelo aprendizado do chinês no Egito e no mundo árabe, apoiado pelos Institutos Confúcio em diversas universidades da região.
No entanto, ele enfatizou que o estudo da língua chinesa deve ir além do idioma, incluindo um conhecimento mais amplo que ajude na compreensão da China, como arte, civilização, história e arqueologia.
"A nova geração de estudantes de cultura e língua chinesas serve como embaixadora entre o Egito e a China", disse Fergani, acrescentando que "atua como embaixadora no sentido moderno, que dispõe dos recursos da era moderna".
Fergani recebeu o Prêmio Especial do Livro da China em 2013 por sua contribuição para a promoção do intercâmbio cultural sino-árabe e, em 2016, recebeu o Prêmio por Contribuição Excepcional à Amizade sino-árabe.
O 70º aniversário das relações diplomáticas deve ser visto não apenas como um marco diplomático, mas também como uma oportunidade para aumentar o aprendizado mútuo entre as civilizações egípcia e chinesa, disse ele.








