
Placa de pare é vista em frente ao Capitólio dos EUA em Washington, D.C., Estados Unidos, em 5 de outubro de 2025. (Xinhua/Li Rui)
"Teerã acredita que os Estados Unidos frequentemente usam as negociações como uma ferramenta para gerenciar conflitos em vez de resolvê-los genuinamente. Qualquer escalada militar reforça as preocupações iranianas de que Washington possa mais uma vez violar ou se retirar de futuros acordos, como fez anteriormente com o acordo nuclear", disse al-Dajani.
Cairo, 27 mai (Xinhua) -- Embora um cessar-fogo esteja em vigor, as forças dos EUA atacaram alvos no sul do Irã na segunda-feira, aumentando as preocupações de que a já frágil confiança entre os dois lados seja ainda mais corroída e complique as negociações de paz.
"VIOLAÇÃO FLAGRANTE" DO CESSAR-FOGO
O exército dos EUA atacou locais de lançamento de mísseis e embarcações minadoras no sul do Irã na segunda-feira, em legítima defesa, demonstrando contenção durante o cessar-fogo em vigor, disse Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA (CENTCOM).
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos, na terça-feira, de uma "violação flagrante" do cessar-fogo firmado entre os dois países em 8 de abril.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) disse, no mesmo dia, que suas forças de defesa aérea abateram um drone MQ-9 Reaper no espaço aéreo iraniano.
Em um comunicado divulgado em seu canal oficial de notícias, Sepah News, a IRGC advertiu que se reserva o direito "legítimo e definitivo" de responder a qualquer violação do cessar-fogo pelo exército "agressivo" dos EUA.
Não é a primeira vez que ataques são realizados em meio ao cessar-fogo.
O principal comando militar do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, disse em 7 de maio que o exército dos EUA atacou duas embarcações iranianas perto do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, realizou ataques aéreos contra áreas civis no sul do Irã, em cooperação com alguns países da região.
As forças armadas iranianas retaliaram imediatamente, atacando embarcações militares americanas a leste do Estreito de Ormuz e ao sul do porto iraniano de Chabahar, causando danos significativos, segundo o Quartel-General.
O CENTCOM disse em um comunicado que as forças americanas interceptaram "ataques iranianos não provocados" e responderam com ataques de autodefesa enquanto seus navios da Marinha passavam pelo Estreito de Ormuz.
AUMENTO DA DESCONFIANÇA
Os mais recentes ataques dos EUA contra o Irã servem como prova de que a forte desconfiança do Irã em relação ao governo americano se baseia em uma compreensão lógica e profunda de sua natureza e conduta "criminosas e maldosas" para com o povo iraniano, disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã.
"Os ataques dos EUA contra alvos iranianos durante um período de desescalada demonstram que Washington prioriza seus interesses estratégicos e militares em detrimento da estabilidade regional", disse à Xinhua, Ahmed Rafiq Awad, analista político palestino.

Foto de arquivo tirada em 19 de fevereiro de 2025 mostra o Estreito de Ormuz. (Xinhua/Wang Qiang)
"Washington alega estar protegendo a navegação internacional, mas, na realidade, usa essa questão para justificar sua forte presença militar e expandir sua influência na região. Esses ataques expõem a hipocrisia americana, já que os Estados Unidos pedem moderação a outros países enquanto recorrem rapidamente à força militar", disse Awad.
Especialistas alertaram que os confrontos esporádicos podem prejudicar as negociações.
"Esses ataques afetarão negativamente as negociações de paz em andamento, pois aumentaram a desconfiança do Irã em relação a Washington", disse à Xinhua, Hussam al-Dajani, outro analista político palestino.
"Teerã acredita que os Estados Unidos frequentemente usam as negociações como uma ferramenta para gerenciar conflitos em vez de resolvê-los genuinamente. Qualquer escalada militar reforça as preocupações iranianas de que Washington possa mais uma vez violar ou se retirar de futuros acordos, como fez anteriormente com o acordo nuclear", disse al-Dajani.
FUTURO INCERTO
As negociações entre EUA e Irã ainda estão em andamento, com análises indicando que pontos fundamentais de discordância permanecem sem solução, incluindo a questão do enriquecimento de urânio e o futuro do Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que o urânio enriquecido do Irã será destruído após ser entregue aos Estados Unidos, no local ou em outro "local aceitável".
No mesmo dia, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que Teerã não havia concordado em transferir urânio enriquecido para o exterior, rejeitando uma reportagem do canal de notícias Al Hadath, com sede na Arábia Saudita, que dizia que "o Irã está preparado para remover seu urânio altamente enriquecido de seu território".
Em relação ao Estreito de Ormuz, as discussões entre o Irã e os Estados Unidos ainda não entraram em detalhes, disse na segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, acrescentando que o método de gestão do estreito é uma questão que diz respeito aos estados costeiros.
"O futuro das negociações permanece incerto porque a verdadeira crise entre os dois lados é a forte falta de confiança na política americana", disse al-Dajani.
"Washington busca um acordo que limite a influência regional do Irã, mantendo Teerã sob pressão econômica, política e militar. O Irã, por sua vez, quer garantias genuínas de que os Estados Unidos não repetirão suas políticas anteriores de sanções, pressão e abandono de acordos", acrescentou ele.
"Enquanto os Estados Unidos continuarem se baseando em pressão e imposições em vez de uma parceria igualitária, alcançar um acordo estável permanecerá difícil", disse o especialista.

