
Yi Yan, fundadora da Escola de Idiomas IF, ensina indonésio a estudantes em Jacarta, Indonésia, em 12 de maio de 2026. (Xinhua)
Por Li Jiacong
Jacarta, 16 mai (Xinhua) -- Ao longo da margem lamacenta de Kalibaru, uma aldeia de pescadores no norte de Jacarta, barcos enferrujados balançam suavemente ao lado de uma sala de aula improvisada com telhado de zinco. Todos os fins de semana, dezenas de crianças indonésias se reúnem no local para aprender mandarim com voluntários chineses.
Para a professora voluntária chinesa Chai Yinhui, proprietária da empresa de logística de alimentos PT Serba Agro Tani International, a sala de aula é mais do que um projeto de caridade. É um exemplo de como um número crescente de jovens chineses na Indonésia está indo além da mera sobrevivência nos negócios para construir laços mais profundos com as comunidades locais.
De empreendedores e professores a profissionais da área jurídica, muitos jovens chineses na Indonésia, que chegaram em meio à incerteza e superaram contratempos e barreiras culturais, optaram por construir suas carreiras no país, ao mesmo tempo que promovem o intercâmbio entre os povos dos dois países.
LUTAS EM UM PAÍS ESTRANGEIRO
Para muitos recém-chegados, o maior desafio não é o negócio em si, mas a adaptação a um ambiente completamente desconhecido.
Yi Yan, empreendedor chinês que chegou à Indonésia em 2014, contou que inicialmente veio como funcionário técnico de uma empresa farmacêutica, antes de decidir ficar no país do Sudeste Asiático e abrir seu próprio negócio.
Seu primeiro empreendimento, uma empresa comercial que vendia produtos solares e materiais de construção, não foi nada fácil. Barreiras linguísticas, procedimentos administrativos complicados e culturas de trabalho desconhecidas rapidamente se tornaram obstáculos.
"Tudo teve que começar do zero", lembrou Yi, agora com mais de 30 anos. "Como registrar uma empresa, como recrutar funcionários locais, como se comunicar com órgãos governamentais, tudo era novidade".
Pouco depois de migrar para o ramo de serviços linguísticos e fundar a Escola de Idiomas IF em 2019, a pandemia da COVID-19 representou outro duro golpe. As aulas presenciais praticamente cessaram e as operações de sua empresa quase pararam.
Para Lai Yanmin, agora diretora de um escritório de advocacia chinês na Indonésia chamado Topwe Law Firm, as dificuldades vieram de outra forma: superar as grandes diferenças na cultura empresarial e nos sistemas jurídicos.
Ela disse que os advogados indonésios frequentemente tinham dificuldade em entender os processos de tomada de decisão das empresas chinesas, enquanto as empresas chinesas encontravam dificuldades para se adaptar às regulamentações e aos costumes locais da Indonésia.
"Na cooperação transfronteiriça, mal-entendidos podem surgir facilmente se nenhum dos lados compreender completamente o outro", disse Lai.
CRIANDO RAÍZES COM DILIGÊNCIA
Apesar dos desafios, esses jovens chineses gradualmente encontraram maneiras de se estabelecer na Indonésia.
Lai, que se formou em indonésio na universidade, escolheu seguir carreira jurídica após a graduação em 2017. No início de sua carreira, ela traduziu um documento de 650.000 palavras sobre a legislação trabalhista indonésia. Essa tarefa exigente não só aumentou seu conhecimento do sistema jurídico do país arquipelágico, como também ajudou investidores chineses a navegar melhor pelo mercado indonésio.
Suas habilidades linguísticas e sua compreensão de ambas as culturas a transformaram em uma ponte entre empresas chinesas e parceiros indonésios.
Yi, por sua vez, transformou as dificuldades em oportunidades. Durante a pandemia, enquanto as atividades comerciais diminuíam, ele começou a produzir vídeos em chinês explicando as políticas indonésias e o cotidiano para as comunidades chinesas no exterior.
Um de seus vídeos, que apresentava as normas de viagem da Indonésia, obteve milhões de visualizações e ajudou muitos residentes chineses que ficaram retidos durante a pandemia.
A experiência o ajudou posteriormente a expandir seu negócio de serviços linguísticos, à medida que mais empresas chinesas expandiam sua atuação para o Sudeste Asiático após a pandemia. Sua escola já ofereceu serviços de treinamento de idiomas para quase 20.000 estudantes.
Além de ensinar chinês na aldeia de pescadores de Kalibaru, Chai ainda viaja diariamente do centro de Jacarta para diversas comunidades, trabalhando para fortalecer sua cadeia de suprimentos alimentares e expandir sua base de clientes.
Para esses jovens chineses na Indonésia, o país não é mais apenas um local de trabalho. Por meio da persistência, adaptação e forte envolvimento com as comunidades locais, eles estão construindo suas próprias vidas e fortalecendo os laços culturais entre os dois países.

Lai Yanmin (4ª à esquerda), representante-chefe do escritório de advocacia Topwe, participa de reunião com seus colegas em Jacarta, Indonésia, em 12 de dezembro de 2025. (Xinhua)

Lai Yanmin (1ª à direita), representante-chefe do escritório de advocacia Topwe, posa para foto em grupo durante uma pesquisa de campo em Surabaya, Indonésia, em 26 de novembro de 2025. (Xinhua)











