
Foto tirada em 5 de outubro de 2022 mostra sede da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em Viena, Áustria. (Foto de Wang Zhou/Xinhua)
Cidade do Kuwait, 2 mai (Xinhua) -- A saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) sinaliza uma transição mais ampla rumo a maior autonomia econômica e estratégica, disse um analista político kuwaitiano à Xinhua em entrevista recente.
De acordo com o governo dos EAU, a decisão do país de deixar a OPEP e a aliança mais ampla OPEP+ entrou em vigor na sexta-feira.
Ao discutir os fatores por trás da decisão dos Emirados Árabes Unidos, Charbel Barakat, chefe do departamento de notícias internacionais do jornal kuwaitiano Al-Jarida, disse: "Há uma contradição estrutural entre a estratégia de expansão da energia global dos Emirados Árabes Unidos e as restrições impostas pela OPEP".
Desde sua fundação em 1960, a OPEP, que agora responde por cerca de 40% da oferta mundial de petróleo, busca estabilizar os preços globais do petróleo e garantir receitas estáveis para seus países membros, regulamentando sua produção.
Essa abordagem de gestão de preços por meio da limitação da produção gerou preocupações entre alguns de seus membros, ansiosos por fortalecer suas economias expandindo as exportações de petróleo.
"Os Emirados Árabes Unidos ampliaram significativamente seus investimentos externos em energia, abriram seu setor doméstico à participação estrangeira e aceleraram sua diversificação para energias limpas e não petrolíferas. Essa trajetória entra em conflito cada vez mais com uma estrutura projetada para gerenciar coletivamente a oferta visando a estabilidade de preços", observou Barakat.
"O resultado é um abismo crescente entre a lógica de contenção coordenada da OPEP e o cálculo estratégico dos países investidores que buscam maximizar os retornos e a participação de mercado", acrescentou ele.
Outro fator que impulsiona a saída é estratégico, segundo o analista. Os Emirados Árabes Unidos estão redefinindo sua posição como um ator global no setor energético e um centro de comércio, finanças e logística, ao mesmo tempo que se posicionam como um parceiro multilateralizado na segurança energética global. Isso reflete uma mudança deliberada, deixando de estar ancorados exclusivamente na "dinâmica saudita-russa" da OPEP e da OPEP+, ou confinados a alinhamentos regionais fechados.
"Em conjunto, esses desenvolvimentos sugerem que a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da OPEP+ não é uma decisão isolada, mas sim a extensão lógica de uma transição mais ampla rumo a uma maior autonomia econômica e estratégica", destacou Barakat.
Comentando o impacto da saída dos Emirados Árabes Unidos, o especialista kuwaitiano disse: "O efeito mais imediato da saída dos Emirados Árabes Unidos é uma capacidade reduzida da OPEP de gerenciar a oferta coletivamente".
"Isso pode se traduzir em maior flexibilidade na produção global e em uma competição acirrada entre os produtores tradicionais e aqueles que operam fora da estrutura institucional da aliança", disse ele.
Um dos efeitos mais abrangentes, acredita Barakat, é que a iniciativa dos Emirados Árabes Unidos pode servir de exemplo para outros membros, potencialmente incentivando-os a seguir o mesmo caminho.
"Se outros produtores seguirem uma trajetória semelhante no médio prazo, o modelo de gestão coletiva da oferta poderá se tornar cada vez mais frágil e suscetível à erosão gradual", observou ele.
À medida que a coesão dentro do cartel enfraquece, "os importadores ganham opções mais amplas de fornecimento, maior poder de negociação em contratos de longo prazo e maior flexibilidade na diversificação das cadeias de suprimentos, reduzindo a dependência das configurações tradicionais de fornecimento", opinou Barakat.







