Bancos Centrais dos países de língua portuguesa criam rede de cooperação na qual Brasil assume primeira presidência-Xinhua

Bancos Centrais dos países de língua portuguesa criam rede de cooperação na qual Brasil assume primeira presidência

2026-04-18 16:19:00丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 17 abr (Xinhua) -- Os chefes dos bancos centrais dos países de língua portuguesa concordaram em criar uma Rede de Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (RBCPLP), um novo órgão de cooperação financeira e técnica entre as nações que compõem a comunidade lusófona, anunciou o Banco Central do Brasil nesta sexta-feira.

Segundo o BC brasileiro, a decisão foi tomada durante uma reunião das autoridades monetárias dos países participantes, com o objetivo de fortalecer o intercâmbio institucional, promover a estabilidade financeira e ampliar a cooperação em questões estratégicas para o sistema monetário e bancário.

A primeira reunião oficial da nova rede acontecerá em novembro de 2026 em Luanda, capital de Angola. Nessa ocasião, o Brasil também assumirá a primeira presidência rotativa da organização.

A iniciativa reúne autoridades monetárias de países de língua portuguesa com crescentes laços econômicos e comerciais, incluindo Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Segundo o Banco Central do Brasil, a criação da rede visa facilitar o diálogo técnico entre as instituições, a troca de experiências regulatórias e a coordenação de ações relacionadas à inovação financeira, supervisão bancária, sistemas de pagamento, inclusão financeira e transformação digital.

Para o Brasil, a presidência inicial representa uma oportunidade de ampliar seu papel na cooperação Sul-Sul e seu engajamento com economias emergentes na África e na Ásia, bem como fortalecer seu relacionamento com Portugal no âmbito financeiro lusófono.

Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil tem promovido iniciativas reconhecidas internacionalmente, como o sistema de pagamentos instantâneos Pix, o fomento do open finance e projetos relacionados a moedas digitais e modernização regulatória - experiências que podem servir de referência para outros membros da rede.

Analistas acreditam que a nova plataforma também pode contribuir para o aprimoramento da capacitação técnica, da harmonização de normas regulatórias e da facilitação dos fluxos de investimento entre os países participantes, especialmente em áreas como infraestrutura, serviços bancários digitais, comércio exterior e financiamento para o desenvolvimento.

A criação da rede ocorre em meio a uma crescente busca por mecanismos de integração entre economias emergentes e ao fortalecimento da cooperação entre os países do Sul Global, agenda na qual o Brasil tem buscado um papel mais proeminente nos últimos anos.

Com a reunião inaugural realizada em Luanda e o início da presidência brasileira, espera-se que grupos de trabalho temáticos, um calendário permanente de reuniões e prioridades conjuntas para 2027 sejam definidos durante o segundo semestre do ano. 

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