Maputo, 16 abr (Xinhua) -- "China e Moçambique são dois países irmãos", e Moçambique está disposto a reforçar ainda mais os laços com a China por meio da promoção de intercâmbios políticos, econômicos, sociais e culturais, afirmou o presidente moçambicano, Daniel Chapo.
Em uma entrevista exclusiva recente concedida à Xinhua, antes de sua visita de Estado à China, de 16 a 22 de abril, Chapo destacou que o ano passado marcou o 50º aniversário da independência de Moçambique e o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.
Os dois países mantêm uma profunda relação política e diplomática, com uma amizade tradicional que remonta ao período em que a China apoiou a luta de Moçambique por sua independência nacional, disse ele.
Em 25 de junho de 1975, data em que Moçambique declarou a independência, o país estabeleceu relações diplomáticas com a China. Nos últimos anos, as relações políticas e diplomáticas bilaterais tornaram-se cada vez mais estreitas e consolidadas, afirmou.
Ao observar que este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China, Chapo disse que o plano é importante para Moçambique, pois está alinhado com os planos quinquenais e as estratégias de longo prazo do país.
A economia de Moçambique depende fortemente das indústrias extrativas e de gás natural, afirmou Chapo, expressando a expectativa de reforçar a cooperação estratégica com a China em áreas como agricultura, turismo, infraestrutura, industrialização e digitalização, no âmbito da cooperação Sul-Sul e da Iniciativa Cinturão e Rota.
"Eu gosto muito de uma expressão chinesa que diz que se quer desenvolver algum sítio, faz a estrada", disse Chapo, observando que, desde o estabelecimento das relações diplomáticas, vários projetos emblemáticos de infraestrutura realizados pela China foram implementados em Moçambique.
A Ponte Maputo-Katembe, construída por uma empresa chinesa, é a ponte suspensa mais longa da África. Antes de sua construção, levava-se pelo menos de quatro a cinco horas para atravessar o mar por balsa; atualmente, o trajeto entre Maputo e Katembe leva apenas cinco a dez minutos de carro.
Projetos de infraestrutura realizados em cooperação com a China, como a própria Ponte Maputo-Katembe, a Estrada Circular de Maputo, o Aeroporto Internacional de Maputo e a Ponte-Cais da Ilha de Inhaca, estão gerando resultados notáveis no desenvolvimento socioeconômico, afirmou o presidente.
No que diz respeito à agricultura, Chapo destacou que Moçambique possui vastas áreas de terra, oferecendo grande potencial para a cooperação com a China. O país está disposto a explorar oportunidades de cooperação em diversos produtos agrícolas, incluindo o arroz, e a criar mais projetos bem-sucedidos como a fazenda de arroz Wanbao, disse.
Moçambique também aproveitará a política de tarifa zero da China para aumentar as exportações de bens e serviços, especialmente produtos agrícolas, acrescentou.
Chapo disse que a visão da China da cooperação sul-sul enfatiza a necessidade de os países cooperarem em pé de igualdade e com ajuda mútua, para alcançar benefícios mútuos e resultados ganha-ganha, destacando a importância estratégica da cooperação Sul-Sul.
Os intercâmbios culturais entre Moçambique e China têm uma longa história e refletem a amizade fraterna entre os dois países, disse ele, acrescentando que o Centro Cultural Moçambique-China, construído conjuntamente, não é apenas o maior centro cultural do país, mas também um importante símbolo das relações culturais bilaterais.
Este ano marca o Ano de Intercâmbios Interpessoais China-África. Chapo afirmou que Moçambique aproveitará essa oportunidade para reforçar ainda mais os intercâmbios culturais, aprofundar a amizade entre os dois povos e promover o desenvolvimento estável das relações bilaterais.

