Rio de Janeiro, 16 abr (Xinhua) -- O agravamento do cenário internacional exige reforço da cooperação econômica global. Essa é a posição do Brasil apresentada ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), informou o Ministério da Fazenda nesta quinta-feira.
A declaração aponta que a guerra no Oriente Médio amplia os riscos para o crescimento global, pressiona a inflação e agrava desafios relacionados à segurança alimentar e energética.
O documento registra preocupação com impactos mais intensos sobre economias mais vulneráveis e importadoras de energia e defende o cumprimento de compromissos de assistência internacional, além da atuação das instituições financeiras internacionais no apoio a países em situação de maior fragilidade. A declaração também afirma que os mais pobres do mundo não podem pagar pelo custo dessa guerra.
A declaração sustenta que políticas macroeconômicas contracíclicas podem mitigar os efeitos do choque, quando apropriadas, e que medidas temporárias e focalizadas para proteção da população e garantia da segurança alimentar e energética são justificadas, preservando, sempre que possível, a neutralidade fiscal.
Em relação à economia brasileira, o documento destaca seu desempenho resiliente. Segundo o texto, a atividade econômica estava próxima do seu potencial pré-conflito, enquanto a inflação continuava convergindo para a meta e o Banco Central havia iniciado um ciclo de afrouxamento monetário. A previsão para 2026 é de crescimento do PIB de 2,3%.
O governo brasileiro também enfatizou a solidez da posição externa do país, sustentada por um câmbio flexível e níveis robustos de reservas internacionais. Além disso, mencionou a tendência positiva da renda real e os níveis historicamente baixos de desemprego e desigualdade.
No setor energético, o Brasil ressaltou sua posição favorável para enfrentar a alta dos preços globais. O país é um exportador líquido de petróleo, com o produto representando aproximadamente 16% das exportações e 8% das importações em 2025, resultando em um superávit comercial de cerca de US$ 32 bilhões. Esse resultado é ainda mais reforçado por uma matriz energética diversificada, com alta participação de fontes renováveis.
A declaração também menciona avanço na agenda de medidas estruturais, como a reforma do imposto de renda em vigor em 2026, a implementação da reforma tributária com adoção de IVA dual e o Plano de Transformação Ecológica, além de iniciativas voltadas ao aumento da eficiência no mercado de crédito.
Na esfera fiscal, o Brasil reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal e a estabilidade de preços. A meta para 2026 é alcançar um superávit primário de 0,25% do PIB, com uma trajetória ascendente para 1,25% em 2029, visando estabilizar a dívida pública até 2030.
Por fim, o país reiterou a importância do FMI como pilar da rede de segurança financeira global e defendeu o progresso nas reformas de governança da organização para ampliar a representação das economias emergentes e dos países em desenvolvimento.

