Rio de Janeiro, 15 abr (Xinhua) -- As exportações do agronegócio brasileiro atingiram o valor recorde de US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando um aumento de 0,9% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Este resultado é o maior da série histórica para o período de janeiro a março, consolidando o papel do setor como um dos principais motores da economia brasileira e do comércio exterior do país.
Durante o mesmo período, as importações do setor totalizaram US$ 5 bilhões, uma queda de 3,3% em comparação com o primeiro trimestre de 2025. Como resultado, o superávit comercial do agronegócio atingiu US$ 33 bilhões, um aumento de 1,8% em relação ao ano passado.
O desempenho positivo se explica, entre outros fatores, pelo acesso ampliado a novos mercados internacionais. Entre janeiro e março deste ano, o Brasil abriu 30 novos mercados para produtos agrícolas, somando-se aos mais de 500 destinos abertos nos últimos anos.
Em março, o setor exportou US$ 15,41 bilhões, representando 48,8% do total das exportações brasileiras naquele mês, confirmando o papel central do agronegócio na balança comercial do país.
Apesar do aumento de 3,8% no volume de exportações, os preços médios caíram 2,8%, influenciados pela queda nos preços internacionais de produtos como açúcar, algodão, milho e farelo de soja.
A China permaneceu como o principal destino das exportações agrícolas brasileiras no primeiro trimestre, respondendo por 29,8% das exportações e adquirindo US$ 11,33 bilhões, um aumento de 4,7% em comparação com o mesmo período do ano passado.
A União Europeia ficou em segundo lugar, com uma participação de 14,9% e US$ 5,67 bilhões em importações, enquanto os Estados Unidos ficaram em terceiro, com uma participação de 5,9% e US$ 2,24 bilhões, embora isso represente um declínio significativo em comparação com 2025.
Além da China, outros mercados que se destacaram por sua contribuição para o crescimento das exportações foram Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia, refletindo a crescente diversificação geográfica das exportações brasileiras.
Por setor, o complexo da soja liderou as exportações com US$ 12,13 bilhões, equivalente a 31,8% do total e um aumento de 11,5% em relação ao ano passado. Em seguida, vieram as proteínas animais, com US$ 8,12 bilhões e um aumento de 21,8%, e os produtos florestais, com US$ 3,94 bilhões, embora com uma queda de 10,1%.
O café, com US$ 3,32 bilhões, e o complexo de açúcar e álcool, com US$ 2,33 bilhões, também se destacaram, ambos apresentando quedas em comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, o setor de cereais, farinhas e preparações atingiu US$ 2,08 bilhões, com um aumento de 8,6%.
Em relação a produtos específicos, foram registrados recordes nas exportações de carne bovina crua, que chegaram a US$ 3,98 bilhões, um aumento de 37,3%, assim como em volume, com 702 mil toneladas. A carne suína também atingiu recordes, com US$ 846 milhões em exportações e 336 mil toneladas.
O crescimento nesses segmentos está ligado à abertura de novos mercados: desde 2023, as exportações de carne bovina obtiveram 31 novas autorizações de mercado, enquanto as exportações de carne suína obtiveram 21, quatro das quais foram abertas no primeiro trimestre de 2026.
Da mesma forma, foram observados volumes recordes para produtos como soja, com 23,47 milhões de toneladas, farelo de soja, com 5,43 milhões de toneladas, e algodão, com 935 mil toneladas.
Em março, além dos produtos tradicionais, diversos produtos registraram desempenhos recordes, incluindo feijão seco, óleo de milho, cerveja, chocolate, melancia fresca, tabaco manufaturado e ração para cães e gatos.
O Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que os resultados refletem a força estrutural do setor. Segundo o funcionário, o desempenho é resultado de anos de investimento, inovação tecnológica e expansão de mercado, que permitiram ao Brasil consolidar sua posição como ator-chave no comércio agroalimentar global.
Por sua vez, o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou que a abertura de mercados tem sido fundamental para sustentar o crescimento das exportações, além de contribuir para a diversificação dos destinos e a redução dos riscos comerciais.
O desempenho do agronegócio no início de 2026 reforça a tendência de consolidação do setor como um dos pilares da economia brasileira, com capacidade de gerar superávits comerciais significativos e sustentar a integração internacional do país em um contexto de volatilidade de preços e mudanças na demanda global.

