
Funcionários do laboratório da empresa biofarmacêutica indonésia Etana trabalham em Jacarta, Indonésia, em 10 de abril de 2026. (Xinhua/Zulkarnain)
Por Cao Kai, Zhang Yisheng e Nurul Fitri Ramadhani
Jacarta, 13 abr (Xinhua) -- Como mãe indonésia de uma filha, Ita sempre acreditou que toda jovem merece a oportunidade de receber a vacina contra o HPV, e quanto antes, melhor.
"A vacina contra o HPV é muito importante para as mulheres na Indonésia porque pode proteger do câncer do colo do útero", disse Ita.
No entanto, para muitas famílias, o custo e a disponibilidade continuam sendo obstáculos formidáveis.
Em todo o maior país arquipelágico do mundo, quem busca proteger suas filhas frequentemente enfrenta a tripla barreira dos altos custos, da oferta limitada e da distribuição desigual.
"Se a vacina for produzida localmente e ficar mais acessível, será mais fácil para os pais terem acesso a ela e recomendá-la a outros", acrescentou Ita.
Sua filha, Alena, que tomou a vacina na escola, disse que a proteção precoce é essencial, refletindo a crescente conscientização sobre a prevenção do HPV entre as gerações mais jovens.
Em entrevista recente à Xinhua, Taruna Ikrar, chefe da Autoridade de Alimentos e Medicamentos da Indonésia (BPOM, na sigla em inglês), disse que a urgência da vacinação contra o HPV está intimamente ligada à incidência de câncer no país.
"A Indonésia tem quase 300 milhões de habitantes e mais de 17 mil ilhas, o que cria desafios únicos na distribuição de serviços de saúde e vacinas", disse Ikrar, observando que a imunização continua sendo a principal linha de defesa, com a vacinação contra o HPV servindo como pilar na proteção da saúde da mulher.
O câncer cervical continua sendo uma preocupação urgente na Indonésia. Para lidar com isso, a BPOM está promovendo a vacina nonavalente contra o HPV, que oferece mais de 90% de eficácia na prevenção da infecção.
Para acelerar a disponibilidade, a Indonésia tem aprofundado a cooperação com a China por meio da transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimento, juntamente com parcerias com outros atores internacionais, disse Ikrar, destacando que a colaboração com empresas de biotecnologia chinesas tem desempenhado um papel fundamental.
Essa cooperação permite que a Indonésia ignore a fase inicial de tentativa e erro e avance mais rapidamente na construção de sua própria capacidade de produção, acrescentou ele.
A parceria também está evoluindo para um ecossistema de múltiplos níveis que abrange governo, indústria e academia, fortalecendo ainda mais a resiliência da saúde pública do país, disse o funcionário.
Vino Soaduon, diretor de produção da empresa biofarmacêutica indonésia Etana, disse que a troca de tecnologia com parceiros chineses é fundamental para o avanço da produção nacional.
"Ao construirmos sistemas de qualidade robustos e trabalharmos em estreita colaboração com nossos parceiros, garantimos que a vacina atenda aos padrões globais", disse Vino.
Ele acrescentou que, uma vez alcançada a produção local em larga escala, a Indonésia poderá produzir milhões de doses anualmente, estabilizando o fornecimento e reduzindo significativamente os custos para as famílias.
Para pais como Ita, a mudança para vacinas produzidas localmente pode ser transformadora. Preços mais baixos significam que mais crianças poderão ser protegidas, enquanto o acesso facilitado e a maior conscientização ajudarão mais famílias a tomar medidas preventivas.
"Eu recomendaria a vacina para qualquer família", disse Ita. "Se o acesso for facilitado e os preços caírem, mais pais estarão dispostos a dar esse passo pelo futuro dos filhos".

Vino Soaduon, diretor de produção da empresa biofarmacêutica indonésia Etana, é fotografado durante uma entrevista à Xinhua em Jacarta, Indonésia, em 10 de abril de 2026. (Xinhua/Zulkarnain)

Taruna Ikrar, chefe da Autoridade de Alimentos e Medicamentos da Indonésia (BPOM, na sigla em inglês), fala durante uma entrevista à Xinhua em Jacarta, Indonésia, em 10 de abril de 2026. (Xinhua/Zulkarnain)

Ita (esquerda) e sua filha Alena são fotografadas durante uma entrevista à Xinhua em Jacarta, Indonésia, em 10 de abril de 2026. (Xinhua/Zulkarnain)

