Rio de Janeiro, 11 abr (Xinhua) -- A alta dos preços dos combustíveis, causada pela guerra no Irã, elevou a taxa oficial de inflação do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para 0,88% em março, 0,18 ponto percentual acima do valor de fevereiro e o maior nível para o mês desde 2022, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi impulsionado principalmente pelos preços mais altos nos grupos de transportes e alimentos e bebidas, que juntos representaram 76% do índice mensal.
Até o momento em 2026, o IPCA acumula alta de 1,92%, enquanto nos últimos 12 meses chegou a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período imediatamente anterior.
Para este ano, o Brasil estabeleceu uma meta de inflação de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que permite que o índice chegue a 4,5%.
No setor de transportes, o aumento de 4,59% nos preços da gasolina foi o principal fator de pressão inflacionária, contribuindo com 0,23 ponto percentual para o índice geral. Outros fatores que contribuíram foram a alta nos preços do diesel, que subiram 13,90%, e das passagens aéreas, que aumentaram 6,08%.
O grupo de transportes registrou um aumento de 1,64% em março, mais que o dobro da taxa de fevereiro, impulsionado pela alta dos preços dos combustíveis, que, no geral, avançaram 4,47%.
Nos alimentos e bebidas, o aumento foi de 1,56%, comparado a 0,26% no mês anterior, com forte aceleração no consumo de alimentos para consumo doméstico, que subiu 1,94%.
Entre os produtos, destacaram-se os aumentos de tomate (20,31%), cebola (17,25%), batata (12,17%), leite UHT (11,74%) e carne (1,73%).
Segundo o IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços que compõem o índice registraram aumentos em março. Depois de transporte e alimentação, as maiores variações foram em despesas pessoais, com 0,65%, e saúde e cuidados pessoais, com 0,42%.
O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, observou que os efeitos das incertezas no cenário internacional já se fazem sentir em alguns preços, principalmente de combustíveis.
Ele acrescentou que, no grupo de alimentos, particularmente no consumo doméstico, a aceleração dos preços reflete tanto a redução na oferta de certos produtos quanto o aumento dos custos de transporte decorrente da alta dos preços dos combustíveis.

