
Pessoas protestam contra o ataque militar dos EUA ao Irã em Los Angeles, Estados Unidos, em 2 de março de 2026. (Xinhua)
Analistas sugeriram que os ataques dos EUA ao Irã foram muito além das instalações nucleares, causando danos econômicos difíceis de reparar a curto prazo e criando um grande obstáculo para alcançar qualquer acordo.
Washington, 7 abr (Xinhua) -- O Paquistão propôs nesta segunda-feira um plano para aliviar as hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos, compartilhando a iniciativa com ambas as capitais, justamente quando se aproxima o prazo estabelecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.
Descrevendo as negociações de cessar-fogo com o lado iraniano, por meio de intermediários, como "indo bem", Trump também ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã se nenhum acordo de paz for alcançado com Teerã antes das 20h de terça-feira no horário do leste dos EUA (00h GMT de quarta-feira).
Com as tensões aumentando em toda a região, há pouca expectativa de que o Irã atenda às exigências de Trump. Por que é tão difícil chegar a um acordo?
PROMESSA NÃO CONFIÁVEL
No domingo, os Estados Unidos, o Irã e intermediários regionais estariam realizando negociações centradas em uma pausa de 45 dias nas hostilidades, a primeira etapa de um acordo mais amplo em duas fases que pode encerrar o conflito temporariamente.
No entanto, Teerã tem pressionado por um cessar-fogo permanente, com garantias de que nem os Estados Unidos nem Israel realizariam novos ataques, de acordo com autoridades iranianas, que também disseram que o Irã recebeu mensagens de mediadores, incluindo Paquistão, Turquia e Egito.
"Só aceitamos o fim da guerra com garantias de que não seremos atacados novamente", noticiou a agência de notícias americana Associated Press, citando Mojtaba Ferdousi Pour, chefe da missão diplomática iraniana no Cairo.
No final de março, a imprensa americana noticiou que Washington enviou um plano de 15 pontos a Teerã, por meio do Paquistão, em uma tentativa de acabar com a guerra. Autoridades iranianas posteriormente rejeitaram a proposta, descrevendo-a como "excessiva e desconectada da realidade no campo de batalha".
Apesar das negociações em andamento, os ataques aéreos americanos dentro do Irã continuaram, levando as autoridades iranianas a se prepararem para novos ataques e lançando dúvidas sobre se as conversas limitarão a ação militar.
"Se os ataques contra alvos civis se repetirem, as fases seguintes das nossas operações ofensivas e retaliatórias serão realizadas de forma muito mais devastadora e abrangente", disse Ebrahim Zolfaghari, porta-voz militar iraniano, na segunda-feira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse no mesmo dia que um cessar-fogo apenas daria aos oponentes tempo para se reagruparem e cometerem mais crimes.
Com o prazo final chegando, analistas disseram que as discussões continuam, embora reconheçam que os dois lados ainda estão muito distantes. Eles também questionaram a confiabilidade das garantias dos Estados Unidos, observando que Washington não impediu Israel de lançar ataques contra alvos em Gaza, mesmo após o cessar-fogo ter sido alcançado no ano passado.
"Somos muito gratos ao Paquistão por seus esforços e nunca nos recusamos a ir a Islamabad. O que nos importa são os termos de um FIM definitivo e duradouro para a guerra ilegal que nos é imposta", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, no sábado.

Foto tirada em 4 de abril de 2026 mostra prédio destruído em um ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel na Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)
CONFRONTO NO ESTREITO DE ORMUZ
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem pressionado Trump para que suspenda qualquer acordo de cessar-fogo a menos que o Irã ofereça concessões, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, informou o Axios, um portal de notícias digital dos EUA.
Pouco depois de os Estados Unidos e Israel lançarem ataques massivos contra o Irã em 28 de fevereiro, o Irã efetivamente fechou a via navegável crucial para o comércio global de energia.
Desde então, os Estados Unidos têm feito da reabertura imediata do estreito uma condição prévia para qualquer acordo. Trump disse na segunda-feira, em uma coletiva de imprensa, que os Estados Unidos deveriam impor pedágios às embarcações que passam pelo estreito, enfatizando que a reabertura do ponto de estrangulamento global da energia deve fazer parte de um acordo para encerrar a guerra.
"E se nós cobrássemos pedágios?", disse Trump. "Prefiro fazer isso do que deixar que eles (os iranianos) façam".
O Estreito de Ormuz, um dos pontos de estrangulamento marítimo mais importantes do mundo, viu passar cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados por dia somente em 2025, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA.
"O poder do Irã está no Estreito de Ormuz", disse Araghchi em 25 de março.
O Estreito de Ormuz "será reaberto" quando uma parte das taxas de trânsito for usada para compensar "todos os danos causados" pela guerra, informou a emissora britânica de televisão BBC, citando Seyyed Mehdi Tabatabaei, porta-voz do gabinete do presidente iraniano.
Trump também poderia estender o prazo, uma medida que já adotou diversas vezes.
Em 26 de março, Trump emitiu um segundo ultimato em uma semana, exigindo que o Irã reabrisse completamente o estreito para a navegação internacional. Em uma declaração posterior, ele disse que, a pedido do Irã, estava "suspendendo por 10 dias o período de destruição da usina nuclear".

Foto tirada em 28 de fevereiro de 2026 mostra fumaça no centro de Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)
PROGRAMA NUCLEAR
Trump e Teerã estão em desacordo há muito tempo sobre o programa nuclear iraniano, e este não é o primeiro confronto. Em junho de 2025, Trump suspendeu as negociações com o Irã sobre seu programa nuclear e realizou ataques a três de suas instalações nucleares.
Em fevereiro deste ano, após um mês marcado por um significativo aumento da presença militar dos EUA na região, Trump acusou mais uma vez Teerã de adiar as negociações nucleares e lançou ataques contra Teerã, juntamente com Israel.
"Só o presidente Trump sabe o que fará, e o mundo inteiro descobrirá amanhã à noite se pontes e usinas elétricas serão destruídas", disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, na segunda-feira.
Enquanto o porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, disse que ataques a usinas elétricas e pontes representariam "uma violação do direito internacional", Trump rejeitou a declaração, dizendo: "Sabe o que é um crime de guerra? Ter uma arma nuclear".
Acredita-se que o Irã tenha um estoque de urânio enriquecido a 60%, que estaria enterrado "sob os escombros" de suas instalações nucleares bombardeadas.
Embora os Estados Unidos e Israel tenham justificado seus ataques ao Irã como direcionados a instalações nucleares, ataques subsequentes também atingiram escolas, infraestrutura civil e hospitais.
"Eu jamais permitiria que o Irã tivesse uma arma nuclear", disse Trump em 1º de abril, em seu primeiro discurso formal à nação desde o início da guerra contra o Irã, acusando Teerã de tentar realizar "campanhas de terror, coerção, conquista e assassinato em massa por trás de um escudo nuclear".
No início de abril, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de lançarem um ataque repentino contra o Irã em meio a negociações em curso, classificando-o como um "crime de guerra" por ter como alvo instalações industriais e energéticas do país.
Analistas sugeriram que os ataques dos EUA ao Irã foram muito além das instalações nucleares, causando danos econômicos difíceis de reparar a curto prazo e criando um grande obstáculo para a obtenção de qualquer acordo.

