Especialistas alertam que o fim da guerra com o Irã pode não normalizar os preços globais do petróleo-Xinhua

Especialistas alertam que o fim da guerra com o Irã pode não normalizar os preços globais do petróleo

2026-04-09 10:45:50丨portuguese.xinhuanet.com

Bombas de combustível fechadas são vistas em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, 26 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

"Meu palpite é que os preços não voltarão a se aproximar de 60 dólares americanos (por barril) por vários meses após o fim da guerra", disse Gary Hufbauer, pesquisador sênior não residente do Instituto Peterson de Economia Internacional.

Washington, 6 abr (Xinhua) -- Especialistas internacionais disseram que, mesmo que a guerra com o Irã acabe, os preços globais do petróleo podem não voltar aos níveis que eram antes do conflito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou na segunda-feira destruir o Irã "em uma noite" caso o país não chegue a um acordo antes do prazo final de terça-feira, imposto por ele para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz.

"Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram esse maldito Estreito, seus malucos, ou vocês vão viver no inferno -- AGUARDEM! Louvado seja Alá", escreveu Trump na plataforma Truth Social.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 6 de abril de 2026. (Foto de Li Yuanqing/Xinhua)

Especialistas sugerem que, mesmo que o Irã concorde, os danos à infraestrutura energética podem levar tempo para serem totalmente reparados, com alguns especialistas estimando um período de três a cinco anos.

Mais de 40 ativos energéticos em toda a região foram "gravemente ou muito gravemente danificados", e pode levar semanas para que o acúmulo de navios descarregados e as exportações globais de energia se recuperem, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Mesmo com as instalações logísticas operando em níveis máximos, "levará tempo para eliminar o acúmulo de petróleo, gás e outras mercadorias descarregadas dos navios", informou a Al Jazeera, citando Svein Ringbakken, diretor-geral da Associação Norueguesa de Armadores para Riscos Mútuos de Guerra.

Ringbakken acrescentou que isso ficou "ainda mais difícil" devido aos ataques que danificaram a infraestrutura de energia e transporte em todo o Oriente Médio.

Se as hostilidades não forem resolvidas e a rota marítima continuar bloqueada, o mercado global de petróleo poderá ficar em uma situação frágil, disseram especialistas. Se o transporte marítimo permanecer interrompido, isso poderá forçar uma mudança estrutural no setor e levar a preços de energia mais altos a longo prazo, informou a emissora britânica de televisão BBC.

"Mesmo que a guerra terminasse amanhã, provavelmente levaria cerca de um ano para que todas as instalações de produção e transporte fossem totalmente restauradas", disse à Xinhua, Dean Baker, cofundador do Centro de Pesquisa Econômica e Política.

Outros concordaram com essas declarações, estimando que o preço do petróleo permanecerá alto devido ao conflito no Irã.

"Meu palpite é que os preços não voltarão a se aproximar de 60 dólares americanos (por barril) por vários meses após o fim da guerra", disse à Xinhua, Gary Hufbauer, pesquisador sênior não residente do Instituto Peterson de Economia Internacional, observando que o preço do petróleo Brent tem oscilado acima da marca de 100 dólares por barril.

Ao mesmo tempo, o Irã começou a cobrar dos petroleiros pela passagem pelo estreito, em alguns casos, até 2 milhões de dólares por embarcação, e seu parlamento aprovou uma legislação para formalizar a cobrança de pedágio para navios que transitam pela hidrovia.

O projeto de lei para impor taxas a navios que transitam pela importante hidrovia foi aprovado pelo Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do parlamento iraniano, informou a mídia estatal do país na segunda-feira.

A medida visa reafirmar o que o Irã considera seu "papel soberano" na hidrovia, segundo a emissora estatal iraniana Islamic Republic of Iran Broadcasting.

Trump disse na segunda-feira que os Estados Unidos, e não o Irã, deveriam cobrar pedágio de embarcações que passam pelo Estreito de Ormuz, enfatizando que a reabertura do estreito deve fazer parte de qualquer acordo para encerrar a guerra com o Irã.

"Precisamos de um acordo que seja aceitável para mim, e parte desse acordo será a livre circulação de petróleo e tudo o mais", disse o presidente americano.

Michael O'Hanlon, pesquisador sênior da Instituição Brookings, disse à Xinhua que não vê chances de a hidrovia ser liberada em breve.

Pessoas participam de uma cerimônia fúnebre em Teerã, Irã, em 1º de abril de 2026. (Xinhua/Shadati)

A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã já disse que o Estreito de Ormuz entrou em uma "nova realidade" e não retornará ao seu status anterior, especialmente para os Estados Unidos e Israel.

Especialistas sugeriram que interromper a navegação pelo estreito também pode prejudicar o Irã, e Teerã avaliará os custos das dificuldades econômicas versus a segurança.

"Haverá discussões internas em Teerã sobre quanto problema econômico trocar por quanta vantagem em segurança", disse à Xinhua, Clay Ramsay, pesquisador do Centro de Estudos Internacionais e de Segurança da Universidade de Maryland.

Enquanto isso, Teerã alerta para uma resposta "mais severa e abrangente" caso o presidente dos EUA cumpra suas promessas de atacar as pontes e a infraestrutura energética do Irã.

Entre os "muitos assuntos em discussão" está uma proposta de cessar-fogo de 45 dias, informou a rede de televisão americana NBC, citando um alto funcionário da Casa Branca.

Isso ocorre depois que Teerã rejeitou a proposta de Washington, enfatizando a necessidade de um fim definitivo para o conflito, de acordo com notícias veiculadas na imprensa.

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com