Beijing, 5 abr (Xinhua) -- A China enviou novos sinais da promoção de um desenvolvimento mais equilibrado de importações e exportações para otimizar sua estrutura comercial e buscar um crescimento de alta qualidade.
Um artigo de comentário publicado recentemente na Revista Qiushi, uma revista emblemática do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), pediu medidas concretas para equilibrar o crescimento das importações e das exportações.
"Isso não é apenas uma exigência inevitável para expandir a abertura de alto padrão, mas também uma medida importante para alcançar um desenvolvimento de alta qualidade e atender à aspiração do povo por uma vida melhor", diz o artigo.
Promover um desenvolvimento equilibrado entre importações e exportações é uma prioridade política chave para os próximos cinco anos, segundo o esboço do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).
Nos últimos anos, os formuladores de políticas elaboraram importantes iniciativas para expandir as importações e promover o comércio equilibrado. Essas incluem a redução da taxa tarifária média da China para 7,3%, próxima aos níveis dos países desenvolvidos, e o uso de grandes exposições, como a Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), para criar plataformas importantes para a abertura bidirecional.
Em 2025, as importações da China atingiram 18,48 trilhões de yuans (US$ 2,68 trilhões), tornando o país o segundo maior importador do mundo pelo 17º ano consecutivo.
Ainda assim, alguns políticos ocidentais insistem em focar no superávit comercial de bens da China, frequentemente retratando isso como uma ação deliberada e usando-o como uma desculpa para atritos comerciais. O artigo da Qiushi enfatizou que o superávit comercial não é movido por políticas.
O aumento do superávit comercial nos últimos anos é resultado de múltiplos fatores, incluindo cadeias de suprimentos mais fortes, maior competitividade na manufatura e inovação vigorosa, indica o texto.
"Promover o desenvolvimento equilibrado do comércio é um ajuste estratégico feito proativamente pelo Comitê Central do PCCh em resposta às mudanças no cenário do desenvolvimento econômico da China", diz o artigo.
Desde que ingressou na Organização Mundial do Comércio, a China tem se integrado profundamente ao sistema de comércio multilateral e às cadeias globais de valor, expandindo constantemente as exportações e emergindo como o maior exportador mundial. Isso não apenas impulsionou a modernização industrial e o crescimento econômico, mas também proporcionou ao mundo uma vasta gama de produtos de qualidade e baixo custo.
No entanto, uma escala de exportação maior nem sempre é melhor. "Perseguir cegamente a expansão das exportações e os superávits comerciais traz riscos potenciais ao desenvolvimento econômico que não podem ser ignorados", segundo o artigo.
As características inerentes da grande economia chinesa significam que o país não pode mais contar com o modelo orientado à exportação de sua fase anterior de recuperação, diz o artigo. O equilíbrio comercial é uma inevitabilidade, não uma escolha.
No âmbito doméstico, a alocação excessiva de recursos e fatores de produção para o setor exportador irá, em certa medida, afastar o desenvolvimento industrial relacionado à demanda interna. Internacionalmente, quanto maior a participação das exportações em uma economia, mais exposta ela fica às flutuações nos mercados globais. Um superávit comercial prolongado também pode tornar a economia um alvo de medidas protecionistas.
O artigo da Qiushi esclarece ainda que promover o desenvolvimento equilibrado de importações e exportações não significa buscar um equilíbrio estatístico, mas sim focar no aumento da capacidade.
Isso não significa desistir de "vender globalmente", mas sim fomentar sinergia entre comprar e vender. Nem significa cortar exportações; em vez disso, significa reduzir moderadamente o superávit comercial expandindo as importações e otimizando a estrutura.
O artigo também sugeriu movimentos concretos para promover o equilíbrio do comércio, incluindo a otimização da estrutura exportadora do país enquanto se expandem as importações de tecnologia avançada, equipamentos-chave, energia e recursos, e bens de consumo de qualidade. Também pediu esforços para melhor conectar os mercados nacionais e estrangeiros e ampliar gradualmente a abertura institucional para se alinhar a regras internacionais de alto padrão.
Em Yiwu, Província de Zhejiang, no leste da China, uma cidade apelidada de supermercado mundial por sua excepcional capacidade de manufatura, a tendência de um comércio mais equilibrado já é evidente.
De acordo com os dados mais recentes da alfândega local, as exportações de Yiwu cresceram 52,9% nos dois primeiros meses de 2026, enquanto as importações saltaram 52,6%, sinalizando um forte impulso bidirecional.
Dados oficiais mostraram que o comércio exterior da China teve um início forte nos dois primeiros meses deste ano, com o comércio total de mercadorias subindo 18,3% ano a ano, para 7,73 trilhões de yuans. Tanto o crescimento das exportações quanto o das importações se recuperaram fortemente em relação ao ano anterior, com a aceleração do crescimento das importações ainda mais forte do que a das exportações.
"A China é a segunda maior economia do mundo e o segundo maior mercado de importação. À medida que a atualização industrial e o padrão de vida continuam a melhorar, a nova demanda do mercado está sendo lançada de forma constante, deixando um enorme potencial para importações", disse He Yongqian, porta-voz do Ministério do Comércio.
O potencial do mercado chinês ainda não foi explorado, disse o ministro do Comércio, Wang Wentao, acrescentando que o país trará mais produtos agrícolas, produtos de consumo de qualidade, equipamentos de tecnologia avançada e componentes-chave. Enquanto isso, plataformas como a CIIE serão totalmente utilizadas para expandir os canais de importação, disse ele.
"Exportações e importações são como duas rodas de um veículo. Quanto mais equilibradas estiverem, mais suavemente e mais longe ele avançará", disse Wang. Fim

