
Trabalhadores manuseiam abacaxis Sugarloaf exportados para a China em um centro de embalagem de frutas em Allada, Benin, em 18 de março de 2026. (Foto de Seraphin Zounyekpe/Xinhua)
Allada, uma pequena cidade famosa como o berço da produção de abacaxi do Benin, sediou recentemente uma cerimônia que marcou o lançamento das exportações dessa fruta premium, com os abacaxis preparados para uma longa jornada até o promissor mercado chinês.
Cotonou, 2 abr (Xinhua) -- Em Allada, uma pequena cidade famosa como o berço da produção de abacaxi do Benin, trabalhadores locais se movimentam entre pilhas de produtos recém-colhidos, selecionando, lavando e embalando as frutas.
Não são abacaxis comuns, mas sim da variedade "Sugarloaf", um ícone apreciado por sua polpa excepcionalmente doce e pouco ácida, além de seu aroma delicado.
Em 18 de março, Allada sediou uma cerimônia que marcou o início das exportações dessa fruta premium, com os abacaxis prontos para uma longa jornada até o promissor mercado chinês.
"Cada abacaxi que cruza os mares é uma prova dos esforços conjuntos dos governos e empresas de ambos os países, aproximando os povos do Benin e da China", disse o embaixador chinês no Benin, Zhang Wei, que participou do evento.
Anteriormente vendido principalmente em mercados locais ou exportado para destinos limitados no exterior, o Sugarloaf agora deu um salto decisivo ao entrar no vasto mercado chinês em larga escala.
Essa conquista é o resultado de anos de trabalho. Isso ocorre, em particular, após a assinatura, em setembro de 2023, de um protocolo que estabelece os requisitos fitossanitários para a exportação de abacaxis frescos. No ano seguinte, o abacaxi Sugarloaf chamou a atenção na Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês), onde se destacou como um produto emblemático.
Sendo a segunda maior cultura comercial do Benin, depois do algodão, o abacaxi é um importante motor de desenvolvimento para os produtores locais e para as pequenas e médias empresas. Com uma produção anual estimada em 450.000 toneladas, o setor contribui com cerca de 1,2% para o produto interno bruto do país.

Agricultores embalam abacaxis recém-colhidos na comuna de Ze, uma importante área produtora de abacaxi no sul do Benin, em 16 de março de 2026. (Foto de Seraphin Zounyekpe/Xinhua)
Em 2020, o abacaxi beninense obteve o selo de Indicação Geográfica Protegida da Organização Africana da Propriedade Intelectual, virando o primeiro produto do país a receber essa marca de excelência.
No entanto, esses abacaxis de alta qualidade tentam há muito tempo conquistar espaço nos mercados internacionais. Restrições logísticas e altos custos limitavam as exportações, forçando os produtores a vender a maior parte da produção local ou regionalmente, o que frequentemente resultava em perdas significativas.
A situação mudou em dezembro de 2024, quando a China implementou uma política que concede isenção tarifária a todos os produtos dos países menos desenvolvidos, incluindo 33 países africanos.
"Antes, tínhamos dificuldade para vender toda a nossa produção no mercado local. Algumas frutas não vendidas acabavam estragando, isso gerava perdas consideráveis. Hoje, graças ao acesso aos mercados internacionais, especialmente à China, vendemos toda a nossa produção com facilidade", disse à Xinhua, Tchegbenangnon Lanmandoclevo, produtor de abacaxi de Sekou, Allada.
O agricultor de 55 anos expandiu suas plantações de menos de um hectare para quase três hectares e agora emprega cerca de 80 trabalhadores por hectare para atender à crescente demanda. Assim como ele, muitos produtores locais buscam aproveitar as novas oportunidades da abertura do mercado chinês.
Bertille Marcos Guedegbe, diretora-executiva da Les Fruits Tillou, disse que o mercado chinês, conhecido por seu tamanho e poder aquisitivo, gerou grandes expectativas.
"Ainda estamos em fase de aprendizado e é difícil estimar com precisão a receita que isso irá gerar, mas as exportações agregam valor significativo ao nosso produto", disse ela, cuja empresa assinou um contrato de exportação de 10 milhões de dólares americanos na CIIE em 2024.
"A abertura do mercado chinês é uma grande oportunidade para o crescimento econômico do setor", disse Medje Yetonde Noel, representante da Federação Nacional de Cooperativas de Produtores de Abacaxi do Benin.
Ele destacou os esforços para garantir a qualidade e a rastreabilidade do produto, desde a identificação da parcela até as inspeções finais antes da exportação, incluindo seleção, embalagem e testes laboratoriais.

Uma trabalhadora manuseia abacaxis Sugarloaf destinados à exportação para a China, em um centro de embalagem de frutas em Allada, Benin, em 18 de março de 2026. (Foto de Seraphin Zounyekpe/Xinhua)
Nos centros de embalagem, esses requisitos são rigorosamente aplicados. "As frutas destinadas à exportação devem atender a critérios rigorosos", explicou Guedegbe, observando que os abacaxis devem ter uma aparência impecável, polpa sem manchas e conter pelo menos 15 graus Brix, uma medida de doçura.
Novas práticas, como a fumigação, foram introduzidas para atender aos padrões fitossanitários, enquanto infraestruturas modernas, incluindo instalações de armazenamento refrigerado, estão sendo gradualmente implementadas para preservar a qualidade das frutas, acrescentou ela.
A partir de 1º de maio de 2026, a China implementará uma política de tarifa zero para produtos de 53 países africanos, uma medida da qual os abacaxis beninenses se beneficiarão plenamente.
De acordo com a PACOFIDE, iniciativa do governo do Benin para promover o setor agroalimentar, cerca de 200 mil toneladas de abacaxi fresco estão disponíveis para exportação para a China.
Para Gaston Dossouhoui, ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Benin, a iniciativa abre perspectivas significativas para a modernização do setor agrícola, a criação de empregos e a melhoria da qualidade de vida da população.
"Isso representa uma promessa de desenvolvimento e uma prova da força da cooperação entre Benin e China, que, nos próximos anos, impulsionará a produção local e aumentará o valor do trabalho dos produtores", disse o ministro.
Por sua vez, o embaixador chinês destacou que, com a implementação da política de tarifa zero, os produtos beninenses de alta qualidade destinados ao mercado chinês agora aproveitam maiores oportunidades de negócios e condições de acesso mais favoráveis.
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