
Moradores protestam contra instalação de mísseis de longo alcance com capacidade de contra-ataque pelo governo japonês nas prefeituras de Kumamoto e Shizuoka, em Tóquio, Japão, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Yue Chenxing)
Beijing, 1º abr (Xinhua) -- Um incidente alarmante recente em Tóquio trouxe à tona, mais uma vez, os crescentes riscos do neomilitarismo no Japão.
Em 24 de março, um membro das Forças Terrestres de Autodefesa do Japão invadiu à força a Embaixada da China no Japão. O invasor, armado com uma faca, ameaçou matar diplomatas chineses, o que é chocante e muito preocupante. Esse ato abominável expõe o frenesi imprudente que impulsiona o ressurgimento do militarismo japonês, uma trajetória perigosa que, se não for controlada, pode representar um desastre para a paz regional e global.
Para agravar esse alarme, houve outro desenvolvimento muito perturbador no mesmo dia: o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão revisou livros didáticos do ensino médio que serão usados a partir de 2027 e que distorcem a história. Alguns livros didáticos incluem descrições que sugerem que não houve coerção em relação às "mulheres de conforto" e ao trabalho forçado, enquanto dizem que Diaoyu Dao é "território inerente do Japão".
Esses atos manipuladores são simplesmente tentativas deliberadas e de longo prazo das forças de direita do Japão de encobrir agressões passadas, evitar a responsabilidade histórica e minar flagrantemente a ordem mundial pós-guerra. Essas falsidades com motivação política jamais prevalecerão sobre os fatos históricos.
Fundamentalmente, o Japão falhou em romper definitivamente com o militarismo. Os dois últimos acontecimentos destacam o legado maligno do militarismo e do fascismo do passado japonês, que infligiram sofrimento incalculável à China e a outros países por meio de guerras de agressão e domínio colonial. Eles também expõem a toxicidade das políticas equivocadas do governo japonês em questões essenciais para as relações sino-japonesas, como a história e Taiwan.
A tentativa de encobrir os fatos é um sintoma crucial e um catalisador dessa perigosa ideologia neomilitarista em ascensão. Uma pesquisa realizada pela emissora pública japonesa NHK no ano passado mostrou que 48% dos entrevistados disseram desconhecer que a guerra do Japão contra outros países asiáticos foi uma guerra de agressão, enquanto 16% acreditavam que não se tratava de uma guerra de agressão. Além disso, exposições relacionadas à agressão japonesa durante a guerra foram reduzidas ou removidas em alguns museus.
Quando narrativas históricas distorcidas se entrelaçam com políticas de segurança expansionistas, as consequências podem ser catastróficas. É extremamente preocupante que, nos últimos anos, o Japão tenha reajustado drasticamente sua política de segurança, aumentado seus gastos com defesa ano após ano, relaxado as restrições às exportações de armas, buscado desenvolver armas ofensivas e planejado abandonar seus três princípios não nucleares. Os provocadores de direita do Japão estão tentando todos os meios disponíveis para se libertar da constituição pacifista do país, aventurando-se ainda mais no caminho do fortalecimento militar. Todas essas medidas sinalizam uma clara trajetória de remilitarização.
Os esforços de remilitarização do Japão representam uma grave ameaça à paz e à estabilidade na região vizinha e no mundo como um todo. Esse perigo foi claramente evidenciado em novembro passado, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, fez comentários que insinuavam a possibilidade de uma intervenção armada do Japão no Estreito de Taiwan.
A acelerada guinada à direita do cenário político japonês está fazendo com que um país que travou guerras de agressão em sua história volte a se apresentar como uma ameaça real à paz. Sem dúvida, retornar ao caminho maligno do militarismo só levará o Japão a um beco sem saída catastrófico.
O incidente da invasão da embaixada deve servir como alerta contundente: é imprescindível que o lado japonês faça uma autoanálise profunda e brutalmente honesta e controle seu perigoso declínio rumo ao neomilitarismo antes que seja muito tarde.









