Rio de Janeiro, 2 abr (Xinhua) -- A produção industrial do Brasil cresceu 0,9% em fevereiro em comparação com janeiro, marcando o segundo aumento mensal consecutivo e reforçando a tendência de recuperação do setor no início de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com esse resultado, o setor industrial acumulou uma expansão de 3% nos dois primeiros meses do ano, em um contexto de recuperação após as quedas observadas no final de 2025.
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a produção está atualmente 3,2% acima do nível pré-pandemia registrado em fevereiro de 2020, embora ainda permaneça 14,1% abaixo do pico histórico atingido em maio de 2011.
O gerente da pesquisa, André Macedo, observou que o desempenho recente reflete uma recuperação das perdas dos últimos meses do ano passado, com crescimento mais generalizado nos diversos segmentos industriais.
Ele explicou que, enquanto janeiro foi marcado pela retomada da atividade após um dezembro com paralisações técnicas e férias coletivas, fevereiro foi caracterizado por um aumento mais consistente da produção, possivelmente ligado a um processo de reposição de estoques em diversos setores.
O crescimento de fevereiro foi observado nas quatro principais categorias econômicas e em 16 dos 25 setores analisados, demonstrando uma expansão relativamente ampla.
Entre as atividades com maior impacto positivo, destacam-se a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com aumento de 6,6%, e o setor de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que avançou 2,5%.
Na indústria automotiva, o impulso veio principalmente da produção de automóveis e autopeças. Esse segmento acumulou crescimento de 14,1% nos dois primeiros meses do ano, revertendo a queda de 9,5% registrada em novembro e dezembro de 2025.
Enquanto isso, o setor de derivados de petróleo e biocombustíveis registrou seu terceiro mês consecutivo de expansão, com aumento acumulado de 9,9% no período, impulsionado pela produção de combustíveis e etanol.
Em contrapartida, alguns ramos industriais registraram quedas. O principal impacto negativo veio do setor farmoquímico e farmacêutico, que recuou 5,5% em fevereiro, aprofundando a queda de 1,4% observada em janeiro.
Macedo explicou que essa queda se deve em parte à base de comparação elevada, após o crescimento acumulado de 19% nos últimos dois meses de 2025, o que acentua a volatilidade característica do setor.
Outros setores que também registraram quedas foram o de produtos químicos, com recuo de 1,3%, e o metalúrgico, com queda de 1,7%.
Os dados refletem um início de ano misto para a indústria brasileira, embora com predominância de ganhos na maioria dos segmentos, em linha com a recuperação gradual da atividade econômica do país.

