Observatório Econômico: Conflito no Oriente Médio provoca ondas de choque energéticas e econômicas na Europa-Xinhua

Observatório Econômico: Conflito no Oriente Médio provoca ondas de choque energéticas e econômicas na Europa

2026-04-01 13:56:12丨portuguese.xinhuanet.com

Preços da gasolina são exibidos em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 26 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

A escalada das tensões no Oriente Médio provocou um aumento acentuado nos preços da energia, com ondas de choque econômicas se espalhando pela Europa.

Berlim, 30 mar (Xinhua) -- Um mês após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques militares contra o Irã, o aumento dos preços da energia e os riscos de abastecimento estão se espalhando pelas economias europeias.

Os preços do petróleo e do gás dispararam, as rotas de navegação foram interrompidas e os mercados de energia estão ficando mais restritos, aumentando a pressão inflacionária e afetando a indústria e as famílias.

Analistas observam que esses desenvolvimentos ressaltam a vulnerabilidade da Europa em relação à energia importada, exercendo uma pressão significativa tanto sobre sua resiliência econômica quanto sobre sua estratégia de transição verde.

Bombas de combustível fechadas são vistas em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 26 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

AUMENTO NOS PREÇOS DA ENERGIA

A escalada das tensões no Oriente Médio provocou um aumento acentuado nos preços da energia, apesar dos esforços coordenados da Agência Internacional de Energia para liberar reservas estratégicas de petróleo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a conta da União Europeia com importações de petróleo e gás aumentou em cerca de 6 bilhões de euros (6,42 bilhões de dólares americanos) desde o início do conflito.

Os contratos futuros de gás natural TTF holandês, principal referência de preços na Europa, subiram quase 80% no último mês, enquanto os contratos futuros de petróleo Brent em Londres dispararam mais de 40%.

O aumento nos preços do gás é particularmente significativo para a Europa, onde os preços da eletricidade estão intimamente ligados aos mercados de gás. Daan Struyven, co-diretor de Pesquisa Global de Commodities do Goldman Sachs, estimou que cerca de 60% dos preços da energia na Europa estão atrelados ao gás natural, aumentando a exposição da região a choques energéticos.

As previsões econômicas estão sendo revisadas. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu, na quinta-feira, sua previsão de crescimento para a zona do euro neste ano para 0,8% e elevou sua perspectiva de inflação para 2,6%. O Banco Central Europeu também reduziu sua projeção de crescimento para 0,9%, ao mesmo tempo em que elevou sua previsão de inflação para cerca de 2,6%.

Mais preocupante para os formuladores de políticas é uma possível mudança das pressões sobre os preços para os riscos de oferta. O CEO da Shell, Wael Sawan, alertou que a Europa pode enfrentar escassez de combustível em poucas semanas se as interrupções no fluxo de petróleo do Oriente Médio persistirem. A ministra da Economia e Energia da Alemanha, Katherina Reiche, disse que as pressões sobre a oferta de energia podem se intensificar entre o final de abril e maio, caso o conflito se prolongue.

Gota de gasolina pinga de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 26 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

SETOR INDUSTRIAL PRESSIONADO

O setor industrial europeu, já pressionado pelos altos custos de energia após a eliminação gradual do gás russo depois da crise na Ucrânia, enfrenta novas pressões.

O petróleo não é apenas um combustível essencial para o transporte, mas também um insumo industrial crucial. A alta dos preços está elevando os custos logísticos e impactando a produção por meio das matérias-primas, afetando os setores que consomem muita energia.

Ao mesmo tempo, as empresas europeias estão lidando com as persistentes pressões tarifárias dos EUA e a fraca demanda externa, criando uma combinação de fatores adversos que está apertando as condições operacionais em todo o setor manufatureiro.

Em nível macroeconômico, economistas alertaram que os altos preços da energia e a incerteza no fornecimento podem ter um impacto sistêmico na base industrial da Europa, particularmente na Alemanha e na Itália.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que as empresas podem responder mais rapidamente ao aumento dos custos decorrentes do choque do petróleo relacionado ao Irã, refletindo a experiência recente com a inflação desde a crise na Ucrânia.

"A resposta das empresas e dos trabalhadores pode ser mais rápida do que da última vez. Temos uma memória mais recente da alta inflação, o que pode afetar a rapidez com que os custos são repassados", disse ela.

Em nível setorial, os setores agrícola, químico e automotivo estão entre os mais afetados. Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING Research, observou que esses setores enfrentam uma "pressão multifacetada"", já que o aumento dos custos de energia se soma à pressão das tarifas e à fraca demanda.

As empresas já estão sentindo o impacto. Lorenzo Poli, CEO da produtora italiana de papel Cartiere Saci, disse que o aumento dos custos de energia está sendo repassado aos produtos finais, afetando potencialmente bens de consumo diário, como produtos de papel. Axel Ebbecke, CEO da alemã A. Ebbecke Verfahrenstechnik, disse que as interrupções no transporte marítimo forçaram as empresas a redirecionar cargas ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando os custos de transporte em cerca de 40%.

Um motorista abastece carro em um posto de gasolina em Londres, Reino Unido, em 26 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

FAMÍLIAS EM DIFICULDADES

Os preços mais altos da energia também estão afetando as famílias, aumentando os gastos com transporte e serviços públicos e reduzindo a renda disponível.

Samina Sultan, economista do Instituto Alemão de Economia disse que setores como panificação e processamento de laticínios estão enfrentando pressão de alta nos preços, enquanto o aumento dos custos da ração animal pode elevar os preços da carne.

Governos em toda a Europa responderam com medidas emergenciais. A Espanha introduziu um pacote de 5 bilhões de euros (5,35 bilhões de dólares), incluindo cortes nos impostos sobre energia e subsídios para transporte e agricultura. A Itália implementou reduções no imposto sobre combustíveis, a Polônia planeja reduzir o IVA sobre combustíveis e a Sérvia reduziu os impostos especiais de consumo sobre o petróleo bruto em um total de 60%.

Enquanto isso, os altos preços da energia estão acelerando o interesse em alternativas renováveis. Greg Jackson, CEO da Octopus Energy, do Reino Unido, disse que as vendas de painéis solares e bombas de calor aumentaram significativamente desde o início do conflito. Dados do mercado on-line alemão de carros "mobile.de" mostram que a participação de veículos elétricos nas buscas dos usuários subiu de 12% para 36% desde o início de março, com tendências semelhantes surgindo na França.

Segundo analistas, as medidas fiscais amorteceram o impacto imediato, mas estão pressionando as finanças públicas. Eles observaram que choques repetidos, desde a crise na Ucrânia até o atual conflito no Oriente Médio, estavam expondo a dependência da Europa em relação à energia importada e levando os formuladores de políticas a reconsiderar o equilíbrio entre segurança energética, competitividade industrial e a transição verde.

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