Brasil avança na produção de ímãs com elementos de terras raras de origem nacional-Xinhua

Brasil avança na produção de ímãs com elementos de terras raras de origem nacional

2026-04-01 10:18:31丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 31 mar (Xinhua) -- O Brasil deu um passo inédito no desenvolvimento da indústria de terras raras ao iniciar testes para a produção de ímãs de alta potência com matérias-primas extraídas no país, em um esforço para criar uma cadeia produtiva nacional para esses minerais estratégicos.

O avanço foi formalizado recentemente com a entrega de um lote de 20 quilos de carbonato de terras raras da mineradora Meteoric ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), localizado no estado de Minas Gerais, no sudeste do país.

Este é o primeiro fornecimento desse tipo obtido a partir de minerais brasileiros, considerando que, até então, o laboratório utilizava principalmente materiais importados.

O material foi produzido a partir de argilas iônicas extraídas no Planalto de Poços de Caldas, região com alto potencial geológico. Segundo a empresa, aproximadamente 2 quilos de carbonato, um composto intermediário fundamental antes da separação de elementos de terras raras, podem ser obtidos a partir de cada 600 quilos de argila.

O CIT Senai ITR, considerado o primeiro centro de fabricação de ímãs permanentes da América Latina, faz parte do projeto MagBras, uma aliança entre empresas, universidades e centros de pesquisa que visa desenvolver toda a cadeia produtiva, da extração mineral à fabricação de ímãs.

Esses materiais são essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia, como a produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, dispositivos eletrônicos e equipamentos médicos.

O desenvolvimento dessa cadeia produtiva é considerado estratégico no contexto global, visto que o mercado de terras raras é atualmente dominado por poucos países.

Segundo a empresa responsável pela extração, o material obtido é de alta qualidade, com concentrações de até 98% de elementos de terras raras no carbonato e taxas de recuperação próximas a 79%, superando a média internacional.

O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla para posicionar o Brasil como ator-chave na transição energética e na produção de insumos essenciais para tecnologias limpas.

As autoridades e empresas envolvidas indicam que o próximo passo será avançar na separação de elementos de terras raras e consolidar a produção em escala industrial no país. 

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