O que você precisa saber sobre a mudança de alvos dos EUA, novos destacamentos e o jogo duplo diplomático enquanto o conflito entra no 30º dia?-Xinhua

O que você precisa saber sobre a mudança de alvos dos EUA, novos destacamentos e o jogo duplo diplomático enquanto o conflito entra no 30º dia?

2026-03-31 12:58:46丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 28 de março de 2026 mostra oficina mecânica destruída por ataque de míssil no leste de Teerã, Irã. (Xinhua)

Cairo, 29 mar (Xinhua) -- A campanha EUA-Israel contra o Irã, que começou com ataques direcionados de "decapitação" em 28 de fevereiro, virou uma guerra regional em múltiplas frentes, sem fim à vista.

Com o domingo marcando o 30º dia do conflito, os Estados Unidos já mudaram seus alvos de ataque? Estão prontos para iniciar uma nova fase da campanha envolvendo operações terrestres? Será que o Irã está buscando uma saída diplomática? Leia abaixo o que você precisa saber.

DE ATIVOS MILITARES À INFRAESTRUTURA ECONÔMICA E ENERGÉTICA

Nas primeiras semanas da guerra, os ataques aéreos dos EUA e de Israel se concentraram principalmente em eliminar líderes importantes e atingir instalações militares, locais de lançamento de mísseis e centros de comando e controle do Irã.

O almirante da Marinha dos EUA, Brad Cooper, que comanda as forças militares americanas na região, disse na quarta-feira, em uma mensagem de vídeo, que suas forças atingiram mais de 10.000 alvos, destruindo 92% dos maiores navios do Irã e mais de dois terços de suas instalações de produção de mísseis, drones e armamentos navais. "Ainda não terminamos", disse ele.

No entanto, conforme o conflito se arrasta para o segundo mês, as prioridades de ataque mudaram significativamente, voltando-se para os principais alvos econômicos e a infraestrutura energética do Irã.

Em 13 de março, aviões de guerra dos EUA bombardearam a ilha de Kharg, no Irã, principal centro de exportação de petróleo do país no Golfo Pérsico, atingindo mais de 90 instalações militares. Embora os ataques iniciais tenham sido descritos como direcionados a posições defensivas, a infraestrutura petrolífera da ilha virou um ponto focal, já que Washington busca paralisar a capacidade de Teerã de gerar receita e sustentar seu esforço de guerra.

Enquanto isso, os ataques israelenses e americanos têm atingido cada vez mais os centros de distribuição de energia e instalações industriais do Irã. A mídia iraniana noticiou, no início de março, que um centro de distribuição de eletricidade que abastece grandes áreas dos bairros da zona leste de Teerã ficou sem energia por várias horas após um ataque aéreo.

As forças americanas e israelenses também ampliaram seus alvos, incluindo uma usina de produção de água pesada e uma fábrica de concentrado de petróleo no centro do Irã, duas siderúrgicas no centro e sudoeste do país e uma fábrica de cimento no sudoeste, tudo isso somente na sexta-feira.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã e a Universidade de Tecnologia de Isfahan, na cidade de Isfahan, também foram atingidas no início desta semana.

Alguns analistas acreditam que a lógica estratégica por trás dessa mudança parece ser dupla: pressionar o Irã economicamente, visando suas exportações de energia, essenciais para as receitas externas, e demonstrar a capacidade de Washington de atacar qualquer lugar no Irã impunemente, forçando, assim, Teerã à mesa de negociações.

Homem é levado por policiais durante um protesto contra os ataques militares conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã em Tel Aviv, Israel, em 28 de março de 2026. (Xinhua/Chen Junqing)

TROPAS, NAVIOS E PREPARAÇÃO TERRESTRE

A presença militar dos EUA na região se expandiu drasticamente nos últimos dias. No sábado, o Comando Central dos EUA (CENTCOM, em inglês) informou que o USS Tripoli, um navio de assalto anfíbio com cerca de 3.500 fuzileiros navais e marinheiros a bordo, chegou ao Oriente Médio. O grupo também inclui "aeronaves de transporte e caças de ataque, além de unidades anfíbias de assalto e recursos táticos", disse o CENTCOM em uma publicação na plataforma de mídia social X. Isso se soma ao que as autoridades descreveram como o maior reforço de forças dos EUA na região em mais de 20 anos.

O Pentágono também enviou helicópteros de ataque AH-64 Apache para operar no flanco sul do Irã, informou o CENTCOM em atualizações divulgadas em 16 e 18 de março.

O jornal americano New York Times noticiou na terça-feira que os Estados Unidos devem enviar cerca de 3.000 soldados da elite da 82ª Divisão Aerotransportada para a região, além de aproximadamente 2.500 soldados adicionais da Ásia. O jornal britânico The Wall Street Journal e a agência francesa de notícias AFP noticiaram na sexta-feira que autoridades americanas agora consideram enviar até mais 10.000 soldados para a região, para se juntarem aos milhares de paraquedistas e fuzileiros navais que já estão lá.

Entretanto, apesar das declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, no sábado, insistindo que os Estados Unidos "podem atingir todos os seus objetivos sem tropas terrestres", diversas reportagens revelaram que o Pentágono está elaborando planos para semanas, ou até mesmo meses, de potenciais operações terrestres no Irã.

O jornal americano Washington Post, citando autoridades americanas não identificadas, disse no sábado que os planos, que estão em desenvolvimento e já foram simulados em situações de guerra, focam em operações terrestres limitadas, porém de alto risco, "realizadas por uma combinação de forças de Operações Especiais e tropas de infantaria convencionais", incluindo incursões em áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz para "encontrar e destruir armas" capazes de atingir navios comerciais e militares internacionais, em vez de uma invasão em grande escala.

Fumaça após explosões ouvidas em Teerã, Irã, em 28 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

NEGOCIAÇÕES, AMEAÇAS E ESTREITO DE ORMUZ

Talvez a característica mais marcante do 30º dia do conflito seja a nítida desconexão entre a retórica diplomática dos EUA e os preparativos militares. Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington chegou a "pontos importantes de acordo" com o Irã, dizendo a repórteres que os dois lados "se reuniriam" por telefone e que ele ordenou um adiamento de cinco dias dos ataques planejados contra instalações de energia iranianas. Washington também propôs um plano de cessar-fogo de 15 pontos ao Irã por meio de intermediários do Paquistão.

No entanto, Teerã negou repetidamente qualquer comunicação direta ou indireta com os Estados Unidos. A agência de notícias semioficial Fars informou na segunda-feira que não houve contato, enquanto o Ministério das Relações Exteriores iraniano descartou as declarações de Trump como "parte dos esforços para reduzir os preços da energia e ganhar tempo" para planos militares. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reiterou na quarta-feira que o Irã "não pretende negociar. Até o momento, nenhuma negociação ocorreu".

No domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de "enviar abertamente uma mensagem de negociação e planejar secretamente um ataque terrestre".

O Irã também rejeitou oficialmente a proposta de 15 pontos dos EUA e respondeu com seu próprio plano de cinco pontos, que inclui reparações de guerra, garantias contra futuros ataques e controle sobre o Estreito de Ormuz.

Foto mostra prédio atingido após ataques conjuntos entre EUA e Israel em Teerã, Irã, em 29 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

Em resposta à postura de Teerã, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, alertou na quarta-feira que os Estados Unidos "desencadeariam o inferno" sobre o Irã caso Teerã não aceitasse um acordo. Um dia depois, Trump disse que, se o Irã não concordasse com um acordo, enfrentaria um "ataque" dos EUA.

Nos bastidores da diplomacia, o Pentágono está elaborando quatro opções de "golpe final" para Trump, informou o site americano de notícias Axios na quinta-feira, citando fontes.

As opções incluem invadir ou bloquear a Ilha de Kharg, tomar a Ilha de Larak, um local estratégico para controlar o Estreito de Ormuz, capturar Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb, três ilhas estratégicas no Golfo Pérsico, próximas ao Estreito de Ormuz, controladas pelo Irã, mas reivindicadas pelos Emirados Árabes Unidos, além de bloquear ou apreender navios que exportam petróleo iraniano pelo Estreito de Ormuz oriental.

O Axios acrescentou que os planejadores militares dos EUA também elaboraram opções para apreender o urânio altamente enriquecido armazenado em instalações nucleares iranianas.

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