Reformulação ofensiva das Forças de Autodefesa revela iniciativa de remilitarização do Japão-Xinhua

Reformulação ofensiva das Forças de Autodefesa revela iniciativa de remilitarização do Japão

2026-03-31 13:04:30丨portuguese.xinhuanet.com

Manifestantes protestam em frente ao Gabinete da Primeira-Ministra em Tóquio, Japão, em 27 de fevereiro de 2026. (Xinhua/Jia Haocheng)

Especialistas dizem que a reorganização tem um claro caráter "ofensivo". O crescente poderio militar do Japão reforça suas ambições de "remilitarização", representando uma ameaça à paz e à estabilidade regional.

Tóquio, 29 mar (Xinhua) -- O governo japonês, liderado por Sanae Takaichi, realizou recentemente uma ampla reorganização das Forças de Autodefesa (SDF, na sigla em inglês), incluindo o que chama de "a maior reorganização da história" da Força Marítima de Autodefesa (MSDF, na sigla em inglês), juntamente com uma expansão das operações no domínio cognitivo e o aumento do Grupo de Operações Espaciais.

Especialistas dizem que a reorganização tem um claro caráter "ofensivo". O crescente poderio militar do Japão reforça suas ambições de "remilitarização", representando uma ameaça à paz e à estabilidade regional.

MAIOR REORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

As mudanças mais significativas nessa reorganização dizem respeito à MSDF. Suas principais unidades, a Força de Escolta da Frota e a Força de Guerra de Minas, foram dissolvidas e consolidadas em uma recém-criada Força de Superfície da Frota, que centraliza o comando e o controle de destróieres, caça-minas e outras embarcações de superfície.

Com a reestruturação, a Força de Superfície da Frota será composta por três grupos de guerra de superfície, além de um Grupo de Patrulha e Defesa e um Grupo de Guerra Anfíbia e de Minas.

Criada em 1961, a Força de Escolta da Frota tem uma longa história, razão pela qual alguns veículos da mídia japonesa descreveram essa reformulação como "a maior reorganização" da história da MSDF.

Lu Hao, especialista do Instituto de Estudos Japoneses da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que essa reorganização rompe com a tradição da MSDF de organizar as unidades por tipo de embarcação. A mudança, segundo ele, visa construir uma frota mais integrada e pronta para o combate, preparando o terreno para a criação de um grupo de ataque de porta-aviões.

A mídia japonesa também noticiou que o quartel-general do Grupo de Guerra Anfíbia e de Minas está localizado em Sasebo, na província de Nagasaki, permitindo uma coordenação mais estreita com a Brigada de Desdobramento Rápido Anfíbio da Força Terrestre de Autodefesa do Japão (GSDF, na sigla em inglês), também sediada em Sasebo.

A Brigada de Desdobramento Rápido Anfíbio, equivalente japonesa do Corpo de Fuzileiros Navais, tem características claramente ofensivas.

A MSDF também integrou unidades responsáveis ​​por inteligência, operações cibernéticas, comunicações e observação oceanográfica em um recém-criado Comando de Guerra da Informação/Operações, composto por cerca de 3.200 militares. Paralelamente, a GSDF também criou uma nova unidade de operações de inteligência.

De acordo com o Ministério da Defesa do Japão, essas unidades serão encarregadas de responder à chamada "guerra da informação".

Além disso, a Força Aérea de Autodefesa do Japão (ASDF, na sigla em inglês) planeja transformar seu atual Grupo de Operações Espaciais, responsável pelo monitoramento do espaço sideral, em uma Ala de Operações Espaciais, quase dobrando seu efetivo de cerca de 310 para aproximadamente 670 militares, com uma expansão adicional para cerca de 880 militares planejada para o ano fiscal de 2026.

O Ministério da Defesa também pretende renomear a ASDF para Força Aérea de Autodefesa do Espaço no mesmo período.

Notavelmente, as palavras "guerra" e "operações" são destaques nos nomes das unidades recém-criadas ou reorganizadas, enquanto a Força de Superfície da Frota também removeu a palavra "escolta" de sua designação. Alguns meios de comunicação japoneses descreveram essa reorganização sem rodeios como uma "reestruturação ofensiva".

Fan Xiaoju, professor pesquisador do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas, disse que as mudanças fazem parte da estratégia do governo japonês de "reforço fundamental das capacidades de defesa", visando alcançar ambições militares ofensivas com pessoal e equipamentos limitados.

Manifestantes participam de protesto contra o plano da coalizão governista de facilitar a exportação de armas em frente à sede do Partido Liberal Democrático (LDP, na sigla em inglês) em Tóquio, Japão, em 25 de dezembro de 2025. (Xinhua/Jia Haocheng)

ACELERANDO A "REMILITARIZAÇÃO"

O Japão segue uma trajetória contínua de expansão militar há anos. Desde que assumiu o cargo, Takaichi acelerou ainda mais esse ritmo, impulsionando o que os críticos descrevem como "remilitarização".

Este mês, o país começou a implantar mísseis de longo alcance com o que chama de "capacidades de contra-ataque", que, na prática, é a capacidade de atingir bases inimigas.

O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, disse recentemente que as entregas de mísseis de cruzeiro Tomahawk, de fabricação americana, e de mísseis Joint Strike Missile, de desenvolvimento norueguês, às Forças de Autodefesa já começaram.

O Ministério da Defesa também entregou um lançador para o míssil superfície-navio Tipo 12 modernizado ao Campo Kengun, na cidade de Kumamoto. A implantação formal do sistema está prevista para o final deste mês.

Embora designado como um "míssil antinavio", o Tipo 12 modernizado também é capaz de atingir alvos terrestres. Com um alcance de cerca de 1.000 km, ele pode atingir o território de países vizinhos do Japão.

O ministério também confirmou que a construção do primeiro Navio Equipado com o Sistema Aegis (ASEV, na sigla em inglês) começou em julho de 2025. Espera-se que o navio seja equipado com mísseis de cruzeiro Tomahawk e uma variante aprimorada do míssil Tipo 12, lançada de navio e atualmente em desenvolvimento.

Especialistas disseram que o rápido desenvolvimento e implantação de múltiplas armas ofensivas demonstra que o Japão deixou de fingir seguir sua antiga política militar defensiva. Na prática, a política exclusivamente defensiva do Japão tornou-se sem sentido.

Fan disse que a série de movimentos militares do Japão reflete uma política externa e de segurança cada vez mais focada em priorizar o poderio militar e fortalecer a "dissuasão".

AMEAÇA À PAZ REGIONAL

A expansão militar implacável do Japão e o desenvolvimento de capacidades ofensivas expõem suas ambições de remilitarização, representando uma séria ameaça à paz e à estabilidade regional, podendo inclusive se voltar contra o próprio Japão.

Hiroshi Shiratori, professor da Universidade Hosei, no Japão, disse que o envio de mísseis de longo alcance capazes de atingir bases inimigas, na prática, dá ao Japão os meios para atacar outros países, desviando-se de sua política pacifista.

Ele acrescentou que a reorganização das Forças de Autodefesa do Japão e o envio de mísseis de longo alcance fortalecerão ainda mais as capacidades ofensivas e intensificarão as tensões regionais.

Figuras públicas japonesas também apontaram que, embora o país enfrente vários desafios econômicos e sociais, o governo Takaichi permanece obcecado em fortalecer o poderio militar e alimentar o complexo militar-industrial. Em última análise, alertam, essas políticas prejudicarão o desenvolvimento econômico e o bem-estar social do Japão, conduzindo o país por um caminho perigoso.

Lu disse que o Japão busca se libertar das amarras da ordem pós-guerra, desenvolvendo capacidades militares ofensivas, ao mesmo tempo que promove a integração militar com os Estados Unidos e auxilia Washington a consolidar e fortalecer seu sistema de alianças.

Esses movimentos poderiam intensificar o confronto entre os blocos e desencadear uma corrida armamentista regional. A ironia, segundo ele, é que esse Japão ainda se apresenta como um "estabilizador" para a paz e a segurança regional.

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