
Homem segura cartaz em uma manifestação contra a guerra em Roma, Itália, em 28 de março de 2026. (Xinhua/Wang Kaiyan)
A guerra conjunta entre EUA e Israel contra o Irã, marcada por assassinatos, retaliações regionais e perturbações econômicas, não atingiu seus objetivos declarados, intensificou o conflito regional, tensionou as alianças internacionais e ameaçou a estabilidade global.
Por Rifaat Ibrahim Al-Badawi
A guerra conjunta ilegal entre EUA e Israel contra o Irã entrou agora em seu segundo mês sem atingir os principais objetivos prometidos pela Casa Branca.
A guerra começou em um momento em que o Oriente Médio e a Ásia Ocidental viam um avanço político seguido de relativa estabilidade econômica, especialmente após Omã, atuando como mediador, anunciar progressos tangíveis nas negociações entre os EUA e o Irã.
Mas Washington continuou sua habitual manobra de engano contra o Irã e outros países da região, da mesma forma que fez em junho de 2025, quando, em cooperação com Israel, os Estados Unidos lançaram violentos ataques aéreos contra as instalações nucleares iranianas. O que ficou conhecido como “a guerra dos 12 dias” também resultou no assassinato de muitas figuras importantes da liderança iraniana e cientistas.
Desta vez, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi assassinado. Essa ousada ação levou os apoiadores de Khamenei na região, o Hezbollah no Líbano, as Forças de Mobilização Popular no Iraque e os Houthis no Iêmen, a entrarem na guerra, ainda que em graus variados, causando uma grande mudança em seu andamento.
Por exemplo, o Hezbollah anunciou seu envolvimento na guerra como retaliação pela morte de Khamenei e também para libertar áreas ocupadas por Israel. Isso levou à interrupção de um plano israelense para estabelecer uma zona tampão de 10 km de profundidade no sul do Líbano e fez com que o exército israelense sofresse grandes prejuízos com os ataques da resistência na frente sul do Líbano.
Mas essa frente também resultou no deslocamento de mais de 1,5 milhão de moradores do sul do Líbano para o interior, incluindo Beirute e outras áreas.
Enquanto isso, a resposta do Irã se expandiu para os países do Golfo aliados aos Estados Unidos. O país atacou bases militares e econômicas americanas na região e fechou o Estreito de Ormuz, uma via essencial para o comércio global de petróleo e gás. As operações militares de ambos os lados levaram a um aumento considerável nos preços do petróleo, causaram turbulências nos mercados de ações e criaram uma crise política e econômica entre os Estados Unidos e seus aliados europeus tradicionais.
De fato, já havia uma ruptura, pois os europeus acreditam que a Casa Branca iniciou a guerra unilateralmente, sem consultar a OTAN, e, portanto, consideram a guerra ilegal e injustificada. Isso explica em parte por que eles recusaram o pedido dos EUA para ajudar a abrir à força o Estreito de Ormuz.
Na Europa, esses aliados tradicionais dos EUA não demonstram interesse em se juntar a uma guerra cujos resultados são incertos. Reino Unido, Alemanha, França e Itália expressaram fortes críticas, classificando a guerra como imoral e contrária ao direito internacional.
Seria simplesmente errado acreditar que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares ou mísseis de longo alcance, como declararam. O principal objetivo dos EUA é controlar as rotas e fontes globais de petróleo e gás, especialmente no Oriente Médio, no Golfo Pérsico e no oeste da Ásia, já que essas regiões representam um reservatório de riquezas em petróleo e gás natural.
A vontade de Trump de derrubar o “regime iraniano” continua sendo apenas um desejo: o Irã não caiu e o Estado continua suficientemente coeso. O cálculo de Trump sobre o controle das fontes e rotas de petróleo e gás na região também não se concretizou, assim como sua promessa de atribuir a Israel o papel de polícia regional.
Contudo, esta guerra minou a confiança entre as nações, alterou as alianças internacionais e criou fraturas regionais que podem levar a uma mudança radical na ordem global pós-Segunda Guerra Mundial nos níveis militar, econômico e político.
Nota do editor: Rifaat Ibrahim Al-Badawi é pesquisador e acadêmico em assuntos regionais e assessor do ex-primeiro-ministro libanês Salim Hoss.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente as da Agência de Notícias Xinhua.



