Empresas chinesas visam maior presença na UE apesar da incerteza política-Xinhua

Empresas chinesas visam maior presença na UE apesar da incerteza política

2026-03-30 14:17:18丨portuguese.xinhuanet.com

Ônibus atravessa ponte na cidade de Luxemburgo, Luxemburgo, em 14 de junho de 2022. (Xinhua/Ren Pengfei)

Quase 80% das empresas chinesas pesquisadas disseram que planejam expandir seus investimentos no bloco nos próximos três anos, com cerca de 15% dizendo que aumentariam significativamente os investimentos, de acordo com um relatório.

Bruxelas, 28 mar (Xinhua) -- Empresas chinesas planejam fortalecer sua presença no mercado da União Europeia (UE), apesar das preocupações com a regulamentação e a incerteza política, de acordo com um relatório divulgado esta semana em um fórum em Luxemburgo.

Divulgado no Fórum de Novas Forças Produtivas de Qualidade e Finanças Transfronteiriças 2026, em Luxemburgo, o relatório foi baseado em pesquisas e entrevistas aprofundadas com cerca de 100 empresas chinesas que operam na Europa. Foi publicado em conjunto pela Câmara de Comércio da China junto à UE, pela sede do Serviço de Informação Econômica da China em Shanghai e pelo Escritório Regional para a Europa da Agência de Notícias Xinhua.

MAIS INVESTIMENTOS E MAIOR LOCALIZAÇÃO

Quase 80% das empresas chinesas pesquisadas disseram que planejam expandir seus investimentos no bloco nos próximos três anos, com cerca de 15% dizendo que aumentariam significativamente os investimentos, mostrou o relatório, ressaltando a posição central da Europa em suas estratégias globais de longo prazo.

"O investimento chinês na Europa ficou cada vez mais diversificado nos últimos anos, abrangendo 18 setores industriais", disse o relatório. Fabricantes de veículos de novas energias e autopeças representaram mais de um quarto das empresas pesquisadas, seguidos por empresas de serviços de TI e software e empresas de energia renovável.

Liu Jiandong, presidente da Câmara de Comércio da China junto à UE, discursa no Fórum de Novas Forças Produtivas de Qualidade e Finanças Transfronteiriças 2026, realizado em Luxemburgo em 24 de março de 2026. (Foto de Peng Ziyang/Xinhua)

Em seu discurso no fórum, Suo Peng, ministro do Comércio e Economia da Missão da China junto à UE, disse que setores como veículos elétricos, energias renováveis, inteligência artificial e biotecnologia estão se tornando novas fronteiras para a cooperação bilateral.

Ele pediu às instituições financeiras europeias que forneçam mais capital de longo prazo para a inovação tecnológica e instou Bruxelas a incentivar um ambiente propício a avanços tecnológicos de longo prazo e a uma divisão mais ampla dos ganhos em inovação.

Suo também pediu à UE que aproveite as oportunidades no mercado chinês, à medida que o país inicia seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), com o compromisso de promover uma abertura de alto padrão e incentivar um novo paradigma de desenvolvimento marcado por maior acesso ao mercado, um ambiente de negócios mais favorável e maior abertura institucional.

"O compromisso da China com o desenvolvimento sustentável e a transformação digital alinha-se estreitamente com os pontos fortes da Europa, criando um terreno fértil para uma cooperação benéfica para ambos os lados a longo prazo", disse Suo.

O relatório também mostrou que as empresas chinesas estão cada vez mais localizando suas operações na Europa, passando de uma estratégia de exportação para a Europa para uma estratégia "na Europa, para a Europa".

Essa mudança reflete uma abordagem mais madura em relação ao mercado europeu, disse Luigi Gambardella, presidente da associação digital internacional ChinaEU, com sede em Bruxelas. Ele disse no fórum que as empresas chinesas agora precisam fortalecer não apenas sua presença industrial, mas também seu engajamento institucional na Europa.

Conforme as empresas migram para setores de maior valor agregado, elas enfrentam um escrutínio regulatório, político e social mais complexo, observou ele, acrescentando que o investimento em relações públicas, branding e comunicação local são cada vez mais importante.

INCERTEZA DAS POLÍTICAS DA UE PESA

No entanto, a pesquisa também destacou as pressões enfrentadas pelas empresas chinesas na UE. Mais da metade dos entrevistados citou a incerteza política como sua principal preocupação, à frente do risco geopolítico, das barreiras de acesso ao mercado e das diferenças culturais. Mais de 72% identificaram maior estabilidade e previsibilidade das políticas como a melhoria mais necessária.

Avião de carga da China Postal Airlines, partindo de Zhengzhou, na China, com destino a Luxemburgo, é fotografado na pista antes de seu voo inaugural no Aeroporto Internacional de Zhengzhou Xinzheng, em Zhengzhou, província de Henan, no centro da China, em 23 de junho de 2025. (Xinhua/Li Jianan)

Entre as regras e medidas da UE consideradas de maior impacto operacional estão o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), o Regulamento sobre Subsídios Estrangeiros, as medidas antissubsídios direcionadas a veículos elétricos chineses e o regulamento do bloco sobre baterias.

Jacques Bortuzzo, presidente da Câmara de Comércio China-Luxemburgo, descreveu as incertezas criadas pelas políticas da UE como "lamentáveis". Ele pediu uma orientação política mais cooperativa por parte da UE, para que ambos os lados enfrentem os desafios comuns em conjunto, e instou as partes interessadas europeias a se engajarem mais diretamente com a China para construir um entendimento mútuo.

Gambardella disse que a Europa tem todo o direito de proteger sua segurança econômica, mas alertou para o risco de uma tendência para o protecionismo. Em setores-chave, disse ele, a cooperação regulamentada com empresas chinesas poderia apoiar a inovação, a competitividade e a resiliência das cadeias de valor europeias.

Suo também apontou para as crescentes tendências protecionistas na Europa nos últimos anos, citando uma série de leis e instrumentos que impuseram restrições em áreas como licitações públicas e investimentos greenfield, dificultando assim a cooperação econômica e comercial normal entre a China e a UE.

Ele pediu à UE que saísse do "pequeno sótão" do protecionismo, se abstivesse de introduzir novas medidas comerciais restritivas e proporcionasse às empresas chinesas um ambiente de negócios justo, transparente e previsível.

FINANÇAS COMO PONTE

Luxemburgo teve destaque na discussão como um exemplo de engajamento financeiro relativamente estável entre a China e a Europa.

O embaixador chinês em Luxemburgo, Hua Ning, disse que o país desempenhou um papel importante na promoção dos laços econômicos bilaterais, sendo o maior centro de compensação offshore de renminbi fora da Ásia e uma importante plataforma para a listagem de títulos chineses denominados em euros.

Ele observou que sete grandes bancos comerciais chineses operam em Luxemburgo, fornecendo serviços financeiros abrangentes para empresas chinesas que se expandem para a Europa e para empresas europeias que entram no mercado chinês.

No ano passado, vários bancos chineses e com financiamento estrangeiro auxiliaram o Ministério das Finanças da China na emissão de 4 bilhões de euros (cerca de 4,62 bilhões de dólares americanos) em títulos soberanos em Luxemburgo pela primeira vez, disse ele, acrescentando que a próxima etapa da cooperação deve se concentrar na melhoria da infraestrutura financeira e na expansão de produtos financeiros transfronteiriços para apoiar o investimento em setores emergentes.

O ministro das Finanças de Luxemburgo, Gilles Roth, discursa no Fórum de Novas Forças Produtivas de Qualidade e Finanças Transfronteiriças 2026, realizado em Luxemburgo em 24 de março de 2026. (Foto de Peng Ziyang/Xinhua)

O ministro das Finanças de Luxemburgo, Gilles Roth, também enfatizou a necessidade de continuar a cooperação em um momento de tensão geopolítica, mudanças tecnológicas e reorganização da cadeia de suprimentos. A cooperação não é mais opcional, mas necessária nesse ambiente, acrescentou ele.

Roth destacou a crescente importância da internacionalização do renminbi, observando que sua próxima fase na Europa deve integrar ainda mais os mercados de capitais, os sistemas de pagamento e as finanças sustentáveis.

"As finanças continuarão apoiando o crescimento, a inovação e a estabilidade além-fronteiras, isso é do interesse de Luxemburgo, do interesse da Europa e também do interesse da China", disse Roth.

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