O que você precisa saber sobre o possível envolvimento dos Houthis no conflito do Oriente Médio?-Xinhua

O que você precisa saber sobre o possível envolvimento dos Houthis no conflito do Oriente Médio?

2026-03-28 14:09:40丨portuguese.xinhuanet.com

Homens armados leais ao grupo Houthi participam de manifestação tribal armada em apoio à retomada dos ataques contra navios israelenses, em Sanaa, Iêmen, em 11 de março de 2025. (Foto de Mohammed Mohammed/Xinhua)

Cairo, 26 mar (Xinhua) -- O Irã ameaçou recentemente abrir uma nova frente no Estreito de Bab el-Mandeb caso os EUA e Israel lancem uma ofensiva terrestre contra o Irã. O alerta indica que o aliado iemenita de Teerã, o movimento Houthi, pode retomar os ataques à vital rota marítima do Mar Vermelho.

Os Houthis controlam grande parte do norte do Iêmen. Eles permanecem em grande parte à margem desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. Essa contenção contrasta com as ações dos Houthis durante a guerra em Gaza, quando repetidamente atacaram navios e interromperam o comércio global.

Por que os Houthis ainda não agiram? Eles entrarão no conflito? O que o envolvimento deles significaria para os mercados de energia? Leia abaixo o que você precisa saber.

"CONTENÇÃO ESTRATÉGICA"

Após os ataques de 28 de fevereiro, os Houthis prometeram "apoio total" ao Irã. O líder Abdul-Malik al-Houthi disse em 5 de março que o grupo está "com as mãos no gatilho", mas ainda não agiu.

Na quinta-feira, al-Houthi reiterou que seu grupo está pronto para tomar medidas militares caso o conflito no Oriente Médio se intensifique, ao mesmo tempo em que reafirmou os laços estreitos com o Irã.

Analistas dizem que o grupo está exercendo "contenção estratégica", argumentando que entrar em uma guerra tão grande representa sérios riscos para os Houthis.

A entrada no conflito provavelmente desencadearia ataques dos EUA e de Israel contra áreas controladas pelos Houthis no norte do Iêmen, uma região já sob forte pressão econômica após anos de guerra e bloqueio. Bombardeios contínuos poderiam custar aos Houthis tanto território quanto legitimidade pública.

Uma ofensiva mais ampla também poderia dar ao governo iemenita reconhecido internacionalmente uma oportunidade para lançar uma contraofensiva. Os dois lados estão em guerra há mais de uma década. O governo iemenita alertou os Houthis contra arrastar o país para o conflito mais amplo.

Combatentes do grupo Houthi do Iêmen em veículo com uma metralhadora pesada durante uma manifestação armada contra Israel, no distrito de Arhab, ao norte de Sanaa, Iêmen, em 3 de novembro de 2025. (Foto de Mohammd Mohammd/Xinhua)

POSSÍVEIS AÇÕES

Em 20 de março, Mohammed al-Bukhaiti, membro do gabinete político Houthi, declarou à mídia estatal russa que o grupo estava avaliando todas as opções, incluindo o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb para navios de "países agressores".

Ele disse que qualquer fechamento teria como alvo apenas embarcações de estados que atacam o Irã, o Líbano, a Palestina ou o Iraque.

O jornal americano Wall Street Journal noticiou em 21 de março que autoridades sauditas estão trabalhando para manter os Houthis fora do conflito. Os EUA e Israel também estão tentando evitar provocá-los, disse um oficial americano.

Maysaa Shujaa al-Deen, pesquisadora do Centro de Estudos Estratégicos Sana'a, disse que talvez o sinal para agir não chegou porque o Irã ainda não precisa dele.

Dada a proximidade do Irã com o conflito, uma intervenção dos Houthis pode ser vista como uma carta na manga, a ser usada apenas se os combates se intensificarem para uma guerra terrestre em grande escala ou um bloqueio total dos interesses iranianos.

Embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã são vistas durante uma cerimônia que marca o Dia Nacional do Golfo Pérsico, no Golfo Pérsico, perto de Bushehr, Irã, em 29 de abril de 2024. (Xinhua/Shadati)

IMPACTO POTENCIAL

O Irã já está restringindo o tráfego pelo Estreito de Ormuz, um corredor energético vital, elevando os preços do petróleo e do gás.

O Estreito de Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e é um ponto de estrangulamento essencial para a navegação entre o Atlântico, o Oceano Índico e o Mediterrâneo. Se os Houthis bloquearem a passagem, o fornecimento global de energia poderá sofrer uma dupla interrupção.

A Reuters noticiou que os EUA estão considerando o envio de tropas para garantir a segurança do Estreito de Ormuz e, potencialmente, atacar a ilha iraniana de Kharg, a cerca de 24 quilômetros da costa do Irã, responsável por aproximadamente 90% das exportações de petróleo do país.

Uma fonte militar iraniana emitiu um alerta contundente, dizendo que uma ação imprudente dos EUA em Ormuz poderia desencadear uma segunda crise. "Eles devem ter cuidado para não adicionar outro estreito aos seus problemas", disse a fonte.

Em 21 de março, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou "atacar e destruir" usinas de energia iranianas, a menos que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas. Posteriormente, ele ordenou um adiamento de cinco dias para os ataques, após negociações "produtivas" com o Irã, e, na quinta-feira, estendeu o prazo por mais 10 dias, até 6 de abril. 

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