Tecnologia com cabelo humano é usada pela primeira vez no Brasil para conter poluição na Baía de Guanabara-Xinhua

Tecnologia com cabelo humano é usada pela primeira vez no Brasil para conter poluição na Baía de Guanabara

2026-03-27 13:32:15丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 26 mar (Xinhua) -- Uma tecnologia inovadora baseada no uso de cabelo humano começou a ser aplicada pela primeira vez em um ambiente natural no Brasil para conter a poluição por óleo e resíduos na Baía de Guanabara, um dos principais ecossistemas costeiros do país.

A iniciativa está sendo realizada na enseada do Bom Jesus, na Ilha do Fundão, na zona norte do Rio de Janeiro, onde foram instaladas barreiras flutuantes de aproximadamente 300 metros de comprimento, equipadas com dispositivos feitos de cabelo humano.

Esses dispositivos consistem em rolos de cabelo envoltos em malha de algodão, que são fixados em estruturas existentes projetadas para reter detritos flutuantes, mas que agora também absorvem poluentes oleosos, representando um avanço significativo para a proteção ambiental da área.

Estudos citados pelos líderes do projeto indicam que um grama de cabelo pode absorver, em média, até cinco gramas de óleo, tornando esse material uma alternativa eficiente, de baixo custo e sustentável para o combate à poluição da água.

O projeto é liderado pelas organizações não governamentais Orla Sem Lixo Transforma e Fiotrar, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, e marca a primeira aplicação prática dessa tecnologia no país.

O cabelo utilizado nas barreiras provém de doações coletadas pela Fiotrar, organização que tradicionalmente utiliza esse material para confeccionar perucas para pacientes com câncer, dando assim um novo uso ao que antes seria descartado.

A diretora do Fiotrar, Caroline Carvalho, declarou à Agência Brasil que a implementação representa a validação prática de anos de pesquisa e desenvolvimento, demonstrando que é possível integrar ciência, sustentabilidade e impacto social em uma solução concreta. Por sua vez, Susana Vinzon, coordenadora da Orla Sem Lixo Transforma e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explicou que a tecnologia passou por um ciclo de testes ao longo do último ano para adaptá-la às condições específicas da Baía de Guanabara e otimizar seu desempenho no ambiente local.

A proteção dos manguezais na região é considerada estratégica, pois esses ecossistemas atuam como barreiras naturais contra a erosão e eventos climáticos extremos, além de desempenharem um papel fundamental no sequestro de carbono e na conservação da biodiversidade.

Ao prevenir a poluição por petróleo e resíduos, a nova tecnologia contribui diretamente para a preservação desses ambientes sensíveis, fortalecendo a resiliência da baía.

Liziane Alberti, oceanógrafa e especialista em conservação da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, observou que a iniciativa demonstra como diferentes soluções podem se complementar para enfrentar desafios ambientais complexos, como a poluição marinha. Os líderes do projeto enfatizaram que, se sua eficácia for confirmada em maior escala, a tecnologia poderá ser replicada em outras regiões costeiras do país e do mundo, ampliando seu impacto na proteção dos ecossistemas aquáticos.

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