Luxemburgo, 27 mar (Xinhua) -- As empresas chinesas de indústrias emergentes que operam na Europa planejam aumentar seus investimentos nos próximos três anos, apesar da crescente pressão regulatória, de acordo com um relatório divulgado na terça-feira.
O relatório, publicado conjuntamente em Luxemburgo pela Câmara de Comércio da China na UE, pela Sede de Shanghai do Serviço de Informação Econômica da China e pelo Escritório Regional da Agência de Notícias Xinhua na Europa, baseou-se em uma pesquisa e entrevistas com cerca de 100 empresas chinesas na Europa. O documento também pediu à União Europeia (UE) que proporcione um ambiente de negócios mais estável e previsível.
Cerca de 80% dos entrevistados disseram que planejam expandir o investimento no bloco nos próximos três anos, destacando a importância da Europa em suas estratégias globais, mesmo com as empresas enfrentando fiscalizações mais rigorosas da UE em áreas como subsídios, dados e segurança nacional.
Segundo o relatório, as empresas chinesas consideram cada vez mais a Europa como um destino importante, devido à compatibilidade estratégica entre os dois lados e às oportunidades criadas pela mudança global rumo às indústrias verde e digital.
As empresas chinesas na Europa vêm promovendo uma estratégia "Na Europa, para a Europa", indicou o relatório, criando empregos locais, trazendo tecnologia e integrando-se mais profundamente às cadeias de suprimentos regionais, particularmente em setores como veículos elétricos e energia limpa.
O investimento chinês na Europa se tornou mais diversificado nos últimos anos, abrangendo 18 setores, com as empresas vendo espaço para maior cooperação em áreas como energia renovável, manufatura avançada, tecnologia da informação e da comunicação e economia digital, afirmou o relatório.
A China e a UE permanecem sendo o segundo maior parceiro comercial uma da outra. De acordo com dados da alfândega chinesa, o comércio da China com a UE atingiu 5,93 trilhões de yuans (US$ 860 bilhões) em 2025, uma alta de 6% em relação ao ano anterior, representando 13% do comércio exterior total do país.
Ao mesmo tempo, a incerteza política na UE se tornou a maior preocupação para muitas empresas chinesas, superando desafios como diferenças culturais, riscos geopolíticos e barreiras de entrada ao mercado, enfatizou o relatório.
Mais da metade dos entrevistados identificou a incerteza em torno das políticas da UE como sua principal preocupação, enquanto quase três quartos observaram que a estabilidade e a previsibilidade das políticas eram as melhorias que mais desejavam.
Conforme o relatório, as preocupações eram especialmente pronunciadas em setores como nova energia, tecnologia da informação e saúde, onde as empresas temiam que mudanças nas políticas pudessem remodelar o cenário competitivo.
O documento também acrescentou que as empresas desejavam avanços na política tributária, nas barreiras não tarifárias e no acesso ao mercado, e algumas esperavam que a UE reiniciasse o processo de ratificação para o Acordo Abrangente de Investimento entre a China e a UE.
O relatório descreveu os laços econômicos China-UE como fundamentalmente complementares e mutuamente benéficos, argumentando que os dois lados poderiam não apenas expandir a cooperação nos mercados um do outro, mas também trabalhar em conjunto em mercados terceiros.

