Banco Central do Brasil alerta que conflito no Oriente Médio pode ter impacto econômico "significativo e duradouro"-Xinhua

Banco Central do Brasil alerta que conflito no Oriente Médio pode ter impacto econômico "significativo e duradouro"

2026-03-27 12:55:00丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 26 mar (Xinhua) -- O Banco Central do Brasil (BC) alertou nesta quinta-feira que, se o conflito no Oriente Médio persistir, o impacto sobre os preços e a atividade econômica global poderá ser significativo e duradouro, afetando a capacidade de reação dos bancos centrais.

Em seu Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira, o BC brasileiro estimou um crescimento do PIB de 1,6% em 2026.

A autoridade monetária observou que, embora episódios de alta tensão geopolítica sejam recorrentes, o novo conflito no Oriente Médio causou volatilidade, incerteza e aversão ao risco nos mercados. Os preços do petróleo, gás e outras commodities subiram e permaneceram instáveis desde o início do conflito.

O Banco Central observou que, caso o trânsito pelo Estreito de Ormuz permaneça interrompido por um período prolongado, ou caso o conflito se amplie regionalmente, o impacto sobre os preços e a atividade econômica poderá ser significativo e duradouro.

Acrescentou que a perspectiva macroeconômica poderá ser afetada tanto pelo efeito direto do choque de oferta quanto pelo efeito indireto associado ao aumento da incerteza, dificultando a capacidade de reação dos bancos centrais.

O conflito no Oriente Médio, ressaltou, complica a condução da política monetária, particularmente devido à necessidade de monitorar os efeitos secundários do choque de oferta e evitar o risco de considerar os aumentos persistentes de preços como transitórios e ignorá-los.

Além disso, o Banco Central avaliou que a elevação das expectativas de inflação, dos prêmios de risco e o acentuamento da inclinação da curva de juros podem sinalizar a necessidade de uma resposta preventiva.

Segundo o Banco Central, a expansão da economia brasileira será moderada ao longo do ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou, no início deste mês, que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025.

O instituto afirmou que esse cenário está condicionado à expectativa de uma política monetária restritiva, ao baixo nível de fatores ociosos de produção, à perspectiva de uma desaceleração econômica global e à ausência do impulso agrícola previsto para 2025.

O Relatório de Política Monetária detalhou que, no Brasil, o fraco crescimento da indústria e da demanda interna no quarto trimestre do ano passado impactou as estimativas dos componentes de oferta e demanda para 2026, agravado pela incerteza causada pelo conflito no Oriente Médio.

O instituto prevê um crescimento econômico mais forte no primeiro trimestre de 2026, seguido de estabilidade no segundo semestre do ano.

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