O que você precisa saber sobre o plano de cessar-fogo de 15 pontos dos EUA com o Irã?-Xinhua

O que você precisa saber sobre o plano de cessar-fogo de 15 pontos dos EUA com o Irã?

2026-03-27 11:23:08丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas participam de protesto contra os ataques dos EUA e de Israel ao Irã no centro de Londres, Reino Unido, em 21 de março de 2026. (Xinhua/Li Ying)

Cairo, 25 mar (Xinhua) -- Enquanto o conflito entre EUA, Israel e Irã persiste em meio a mensagens contraditórias sobre possíveis negociações entre Washington e Teerã, os Estados Unidos teriam enviado ao Irã um plano de 15 pontos, por meio de intermediários paquistaneses, para um acordo de cessar-fogo de um mês.

O Canal 12 de Israel citou fontes informadas na terça-feira, relatando que os assessores do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, estão avançando com uma proposta para suspender imediatamente as hostilidades, com um prazo de 30 dias para finalizar um acordo de 15 pontos com o objetivo de encerrar o conflito em curso.

O PLANO DE 15 PONTOS

A proposta dos EUA exige, segundo relatos, que o Irã desmantele suas capacidades nucleares, cesse todo o enriquecimento de urânio e assuma um compromisso permanente de nunca buscar armas nucleares. Teerã também precisaria encerrar o financiamento e o armamento de grupos aliados na região e garantir que o Estreito de Ormuz permaneça uma via navegável internacional aberta. Além disso, o Irã deve limitar sua produção de mísseis e restringir seu uso futuro estritamente à autodefesa.

Em troca, Washington oferece o alívio total das sanções, assistência no desenvolvimento de um projeto de energia nuclear civil em Bushehr, no sul do Irã, onde fica a Usina Nuclear de Bushehr, e a remoção da ameaça do mecanismo de "restabelecimento automático" que permite a reimposição de sanções da ONU previamente suspensas contra o Irã.

Foto tirada em 15 de março de 2026 mostra prédios destruídos em uma área residencial em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)

ESTADOS UNIDOS

Sobre o plano divulgado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que alguns elementos das reportagens não eram totalmente precisos, mas não forneceu mais detalhes.

"A Casa Branca nunca confirmou esse plano completo. Há elementos de verdade nele, mas algumas das histórias que li não eram inteiramente factuais", disse Leavitt.

IRÃ

O Irã analisou o plano de 15 pontos dos EUA e o considera "excessivo", informaram diversos veículos de imprensa na quarta-feira, citando a emissora estatal iraniana Press TV.

O Irã continuará as operações militares até que suas próprias condições sejam atendidas e encerrará a guerra "no momento que escolher", segundo as reportagens.

Anteriormente, o Irã negou repetidamente qualquer negociação com os Estados Unidos.

Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Comando Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar do Irã, rejeitou qualquer negociação com os Estados Unidos, enfatizando que o país não chegará a um acordo com Washington.

Ele instou os Estados Unidos a pararem de disfarçar sua derrota como "um acordo", acrescentando: "o poder estratégico do qual os inimigos se vangloriavam se transformou em uma derrota estratégica".

Se a situação poderá retornar ao que era antes dependerá da vontade do Irã, disse ele, acrescentando que a normalidade só será restaurada quando os Estados Unidos apagarem completamente a ideia de "tomar medidas contra a nação iraniana".

Foto tirada em 22 de março de 2026 mostra prédio destruído após ataque de míssil em Arad, Israel. (Xinhua/Chen Junqing)

ISRAEL

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, opositor de qualquer acordo com o Irã, não comentou oficialmente o plano, mas disse que a campanha militar de Israel contra o Irã "continua em pleno andamento, ao contrário do que vem sendo noticiado pela mídia".

O exército israelense informou na quarta-feira que atacou e danificou significativamente uma instalação de pesquisa e desenvolvimento de submarinos e sistemas subaquáticos em Isfahan, no Irã, na terça-feira, e lançou duas ondas de ataques aéreos em larga escala contra instalações governamentais em Teerã.

ALEMANHA

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, elogiou na quarta-feira o esforço diplomático e disse esperar que as negociações tenham uma chance de sucesso, segundo a agência de notícias britânica Reuters.

"É louvável que o presidente dos EUA tenha adiado seu ultimato ao regime iraniano por alguns dias e agora esteja buscando negociações", disse Wadephul em Berlim. Ele instou o Irã a agir com sabedoria e a responder à iniciativa dos EUA. "Portanto, se houver oportunidade para a diplomacia, devemos definitivamente dar uma chance às negociações".

Pessoas participam de um protesto contra os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 7 de março de 2026. (Foto de Li Yuanqing/Xinhua)

NAÇÕES UNIDAS

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na quarta-feira que os Estados Unidos e Israel encerrem a guerra contra o Irã e pediu que o Irã pare de atacar seus vizinhos.

Em declarações à imprensa sobre a situação no Oriente Médio, Guterres disse que sua mensagem aos Estados Unidos e a Israel é que "já passou da hora de acabar com a guerra, pois o sofrimento humano aumenta, as baixas civis aumentam e o impacto econômico global é cada vez mais devastador".

"Minha mensagem ao Irã é que pare de atacar seus vizinhos que não são partes do conflito", disse o chefe da ONU.

O mais recente desenvolvimento ocorre em meio à escalada das tensões. As tensões regionais foram desencadeadas pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro, que resultaram na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, juntamente com altos comandantes militares e civis. O Irã respondeu lançando ondas de ataques com mísseis e drones contra Israel e bases e instalações dos EUA no Oriente Médio.

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