China lança programas-piloto para acelerar desenvolvimento da energia de hidrogênio -Xinhua

China lança programas-piloto para acelerar desenvolvimento da energia de hidrogênio

2026-03-24 11:12:15丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 24 mar (Xinhua) -- A China lançou um programa-piloto para acelerar o desenvolvimento e a aplicação em larga escala da energia de hidrogênio verde, com o objetivo de impulsionar a inovação tecnológica e tornar a energia de hidrogênio um novo motor de crescimento para a economia.

De acordo com uma circular recém-emitida por três órgãos governamentais, incluindo o Ministério da Indústria e Informatização, o país pretende ter 100 mil veículos movidos a célula de combustível em circulação até 2030, o dobro do nível previsto para 2025.

O documento estabeleceu a meta de reduzir os preços do hidrogênio para o usuário final para menos de 25 yuans (US$ 3,63) por quilo até 2030 e cerca de 15 yuans em algumas regiões.

Para apoiar a transição verde, estão sendo lançados programas-piloto, com o governo central oferecendo até 1,6 bilhão de yuans para cada cluster de cidades selecionado.

No início de 2021, cinco clusteres de cidades, incluindo a região Beijing-Tianjin-Hebei, Shanghai, a Província de Guangdong, etc., foram designados como áreas-piloto para a aplicação de hidrogênio por um período inicial de quatro anos.

O mercado de veículos a hidrogênio passou de uma expansão rápida e agressiva entre 2021 e 2022 para uma contração no segundo semestre de 2023, marcada por demissões, perdas financeiras e uma retirada silenciosa do mercado. Os clusteres de cidades venderam 39.023 veículos a hidrogênio durante o período, menos da meta de 50 mil unidades.

Até o final de 2025, quase 40 mil veículos com célula de combustível a hidrogênio haviam sido vendidos em todo o país, e 574 postos de abastecimento de hidrogênio com capacidade diária combinada de mais de 360 toneladas métricas haviam sido construídos, posicionando a China entre os líderes globais no setor.

Zheng Qiaoyun, pesquisadora sênior da Sociedade Chinesa de Engenheiros Automotivos, destacou que a infraestrutura insuficiente de reabastecimento e o alto custo do hidrogênio continuam sendo barreiras para a adoção mais ampla deste tipo de veículos.

Segundo Zheng, em cidades-piloto como as da região Beijing-Tianjin-Hebei, Shanghai e as de Guangdong, os preços do hidrogênio variam atualmente entre 35 e 76 yuans por quilo. Em todo o país, o número limitado de postos de abastecimento de hidrogênio só consegue atender às necessidades diárias de abastecimento de cerca de 4 mil a 5 mil caminhões pesados.

Para que o hidrogênio se torne economicamente competitivo em relação ao diesel e ao gás natural, seu custo deve cair para menos de 25 yuans por quilo, disse Guo Ping, vice-diretor do instituto de desenvolvimento do FAW Jiefang Group.

Ele previu que, até 2030, o custo do hidrogênio poderia cair para um nível competitivo.

Guo observou que as células de combustível a hidrogênio têm vantagens em cenários de transporte de longa distância e climas frios. A FAW Jiefang já desenvolveu reservas de motores de combustão interna a hidrogênio e células de combustível a hidrogênio.

Ouyang Minggao, acadêmico da Academia Chinesa de Ciências, também acredita que os veículos elétricos puros têm uma vantagem no setor de caminhões pesados para autonomias de até 500 km. No entanto, para autonomias superiores a 1.000 km, os caminhões pesados movidos a hidrogênio serão mais adequados.

Ouyang afirmou que o futuro do transporte movido a novas energias se concentrará em duas direções principais: eletricidade e hidrogênio, de forma semelhante à forma como a gasolina e o diesel dominam atualmente como combustíveis de transporte. Ele previu que as células de combustível a hidrogênio deverão representar cerca de 10% do consumo total de energia no setor, enquanto a energia de bateria representará cerca de 80%.

As montadoras globais continuam a avançar na tecnologia de células de combustível a hidrogênio, acelerando sua transição da pesquisa em laboratório para a aplicação comercial em larga escala.

A Hyundai ampliou sua linha de veículos com célula de combustível com modelos como o ix35 Fuel Cell, o SUV Nexo, o ônibus Elec City e o caminhão pesado Xcient Fuel Cell. Enquanto isso, a Toyota lançou o veículo movido a hidrogênio Mirai, que tem autonomia de até 850 km e pode ser reabastecido em três minutos.

Na China, a Changan Automobile lançou o primeiro sedã com célula de combustível de hidrogênio produzido em massa do país, a versão Deepal SL03 Célula de Combustível a Hidrogênio, que tem autonomia de 730 km e pode adicionar 300 km de autonomia com 15 minutos de reabastecimento. A Geely também lançou a série Farizon Homtruck, com supervans e caminhões pesados híbridos elétricos a metanol-hidrogênio.

Segundo as mídias brasileiras, a China e o Brasil formarão uma parceria para construir um complexo industrial na região nordeste do Brasil, contando com um investimento total de R$ 8 bilhões, com foco na produção de e-metanol verde, combustível sintético produzido a partir de hidrogênio e dióxido de carbono capturado de fontes renováveis. Segundo as reportagens, a primeira planta industrial deve entrar em operação até 2027, com capacidade inicial estimada em cerca de 300 toneladas de combustível verde por dia. 

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