Tianjin, 24 mar (Xinhua) -- Compreender a China não significa apenas estudar tal país, mas também entender a direção futura do desenvolvimento global, afirmou Floriano Filho, acadêmico brasileiro que há anos pesquisa o desenvolvimento da China.
Em entrevista online à Xinhua, Filho disse que muitos dos desafios hoje enfrentados pela China também deverão ser enfrentados por outros países, como manter a abertura em meio à competição entre grandes potências, avançar na transformação diante das mudanças tecnológicas e estabilizar expectativas em tempos de incerteza.
"Este ano marca o início da implementação do 15º Plano Quinquenal da China. O compromisso contínuo do governo chinês com a abertura de alto nível, refletido no Relatório de Trabalho do Governo, abre a países como o Brasil e outras nações em desenvolvimento novas oportunidades de cooperação e desenvolvimento", disse Filho.
O esboço do 15º Plano Quinquenal da China, divulgado recentemente, ressalta a abertura, a cooperação e o benefício mútuo, bem como a expansão constante da abertura institucional e a construção de uma economia aberta de nível mais alto.
"Muitas pessoas subestimam a profundidade da abertura chinesa", disse Filho. "O que muitos no Ocidente não percebem é que o desenvolvimento da China não aconteceu de forma isolada, mas em constante interação com o mundo."
Na avaliação de Filho, o que mais chama atenção na China não é um feito específico, mas a capacidade do país de planejar no longo prazo e transformar objetivos estratégicos em mudanças concretas.
Segundo ele, a compreensão da China não se constrói apenas a partir de estatísticas, mas também da observação direta de como o país se move e se transforma. "Se você olha apenas para os dados, entende apenas uma parte da China. Mas, quando está em uma estação de trem de alta velocidade recém-construída e observa o fluxo de pessoas e o ritmo da cidade, começa a perceber outra dimensão do país -- a de uma nação em movimento", disse.
Filho afirmou acompanhar com atenção a articulação entre transporte, energia e comunicação digital e disse ver no avanço simultâneo dessas frentes um motor da transformação da China, de fábrica do mundo para um centro global de inovação.
"Os sistemas de trem de alta velocidade e metrô não são apenas projetos de infraestrutura, mas também uma forma de organizar a produtividade em escala nacional. A expansão da malha ferroviária de alta velocidade da China reconecta economias regionais, reduz custos de circulação e redefine o raio de vida das pessoas", afirmou.
"Isso não é acidental, mas o resultado da conversão de desafios estratégicos em vantagens tecnológicas e institucionais", acrescentou.

