
Samuel Ababu usa bicicleta elétrica para fazer entregas em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Liu Fangqiang)
Por Muluneh Gebre e Liu Fangqiang
Adis Abeba, 21 mar (Xinhua) -- Samuel Ababu, 22 anos, é um dos 100 motoristas de bicicletas elétricas que trabalham para a Klik, uma empresa de entregas especializada no transporte de alimentos, mantimentos, medicamentos e encomendas em Adis Abeba, capital da Etiópia.
Para o jovem, as bicicletas elétricas não só representam uma fonte de renda, como também uma sensação de liberdade, evitando estresse no trânsito, no aumento dos preços dos combustíveis e na hora de estacionar.
"O uso de bicicletas elétricas é econômico, especialmente agora que o preço dos combustíveis está subindo. Elas são mais rápidas do que as bicicletas comuns", disse Ababu à Xinhua.
Além dos serviços de entrega, as bicicletas elétricas estão ganhando popularidade na Etiópia, impulsionadas pelo esforço do governo para acelerar a transição para a mobilidade elétrica e reduzir os gastos em moeda estrangeira com combustíveis fósseis. Apesar de seus abundantes recursos hídricos, o país gasta bilhões de dólares americanos anualmente com a importação de combustível.
Como parte dos esforços para promover a mobilidade elétrica, a Etiópia proibiu, em 2024, a importação de veículos movidos a combustíveis fósseis e introduziu incentivos fiscais para veículos elétricos (EVs). De acordo com a política, as taxas alfandegárias foram reduzidas para 15% para veículos elétricos importados totalmente montados, 5% para unidades semi-montadas e zero para kits Completamente Desmontados (CKD, na sigla em inglês) montados localmente, em uma tentativa de incentivar a montagem doméstica e uma adoção mais ampla.
O Ministério dos Transportes e Logística também solicitou recentemente uma transição acelerada para a mobilidade elétrica em meio aos choques globais nos preços do petróleo, desencadeados pelo conflito no Oriente Médio.
A Lodric Trading PLC, uma das empresas de bicicletas elétricas de crescimento mais rápido na Etiópia, vem montando e distribuindo bicicletas elétricas da marca Yadea, fabricadas na China, em Adis Abeba e em outras cinco grandes cidades ao longo do último ano.
Biruk Abiot, diretor-executivo da Yadea Etiópia, disse que a demanda por bicicletas elétricas aumentou consideravelmente após a proibição do governo à importação de veículos movidos a combustíveis fósseis.
Após estudar na China por sete anos, o jovem empresário viu pessoalmente a conveniência e a popularidade das bicicletas elétricas no país, líder mundial na fabricação de veículos e bicicletas elétricas.
"Nossa família está no ramo de bicicletas há muito tempo, então pensei que seria uma boa ideia trazer bicicletas elétricas chinesas para a Etiópia", lembrou Abiot.
Em março de 2025, a empresa inaugurou sua primeira loja Yadea em Adis Abeba, seguida por mais cinco pontos de venda em grandes cidades, incluindo Mekelle e Hawassa, nos meses seguintes. As lojas oferecem uma variedade de modelos com autonomia de 60 a 150 quilômetros.
"Estamos satisfeitos em ver um aumento de 30% nas vendas das bicicletas elétricas no segundo semestre em comparação com o primeiro semestre de operação. Durante esse período, também observamos um aumento na conscientização pública sobre as bicicletas elétricas e suas vantagens em relação às motocicletas", disse ele.
Em Adis Abeba, os ciclistas sem carteira de motorista devem usar as ciclovias com limite de velocidade de 30 quilômetros por hora, enquanto os que têm carteira de motorista e placa registrada podem usar as vias principais em velocidades mais altas.
Abiot, no entanto, expressou preocupação com a lentidão do governo na emissão de placas para bicicletas elétricas, dizendo que isso é um grande desafio para a expansão do mercado na capital. Ele espera que o processo de solicitação de placas seja simplificado para permitir que mais pessoas usem bicicletas elétricas, reduzindo assim a dependência de veículos movidos a combustíveis fósseis.
Isayas Fetene, cliente de uma loja da Yadea em Adis Abeba, disse à Xinhua que planeja comprar uma bicicleta elétrica para se deslocar diariamente, citando a intenção do governo de eliminar os subsídios para combustíveis importados em breve, o que, segundo ele, afetaria os proprietários de veículos movidos a combustíveis fósseis.
"Acredito que as bicicletas elétricas ajudarão a economizar dinheiro. Comprei bicicletas elétricas da marca Yadea porque a empresa disponibiliza peças de reposição e oferece serviços de manutenção pós-venda", disse Fetene.

Bicicletas elétricas chinesas são exibidas em uma loja em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Liu Fangqiang)











