
Foto de arquivo mostra navio de assalto anfíbio da Marinha dos EUA, USS Boxer, cruzando o canal de Likoni a caminho da cidade portuária queniana de Mombasa, em 6 de maio de 2009. (Exército do Quênia)
Cairo, 21 mar (Xinhua) -- A mídia americana informou nesta sexta-feira que o Pentágono está enviando mais três navios de guerra e mais fuzileiros navais para o Oriente Médio, marcando o segundo destacamento desse tipo para a região em uma semana, à medida que a guerra entre EUA, Israel e Irã se intensifica.
O que são essas forças adicionais, qual é a sua missão e elas podem cumpri-la?
QUAIS SÃO AS FORÇAS ADICIONAIS?
A mídia americana noticiou na sexta-feira que o navio de assalto anfíbio USS Boxer, acompanhado pelo navio de desembarque de doca USS Comstock e pelo navio de transporte anfíbio USS Portland, partiu de San Diego, Califórnia. Eles estão transportando a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, composta por cerca de 2.500 fuzileiros navais, para o Oriente Médio.
Na terça-feira, dados de rastreamento marítimo mostraram que o navio de assalto anfíbio USS Tripoli, transportando fuzileiros navais e marinheiros para o Oriente Médio, estava se aproximando do Estreito de Malaca, próximo a Cingapura, a caminho da região. O Tripoli é o navio de guerra anfíbio mais moderno da Marinha, conhecido como "big deck" (navio de grande convés).
Uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos EUA normalmente tem mais de 2.000 fuzileiros navais. Suas forças terrestres são equipadas com veículos blindados e artilharia, enquanto seu elemento de combate aéreo conta com aeronaves Osprey, helicópteros e caças F-35.
Com base em sua localização, levará pelo menos três semanas para que os três navios de guerra, incluindo o USS Boxer, cheguem ao Oriente Médio. O USS Tripoli já chegou às águas próximas a Cingapura no início desta semana. Assim que reunidos, o número de tropas americanas na região chegará a 50.000.
Uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais foi usada pela última vez em uma incursão americana na Venezuela no início deste ano. O navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima transportou a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, juntamente com a Força Delta, para essa operação militar.

Foto de arquivo mostra visitantes observando o USS Iwo Jima enquanto navegava no Rio Hudson durante o "Desfile de Navios" em Nova York, Estados Unidos, em 25 de maio de 2011. (Xinhua/Shen Hong)
QUAL É A MISSÃO DELES?
O Irã restringiu a navegação pelo Estreito de Ormuz, visando navios associados aos Estados Unidos e a Israel. O bloqueio desta rota energética global vital elevou os preços do petróleo e do gás em todo o mundo, exacerbando a inflação nos Estados Unidos. Trump recentemente solicitou aos aliados o envio de navios de guerra para operações de escolta no estreito, um pedido que até agora recebeu pouca resposta.
A mídia americana noticiou que o governo Trump também está considerando o envio de tropas terrestres para a Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, para tomá-la como forma de pressionar pela restauração da livre passagem pelo Estreito de Ormuz.
A Ilha de Kharg fica a cerca de 25 km da costa noroeste do Golfo Pérsico, no Irã. Com aproximadamente 6 km de comprimento e 3 km de largura, ela movimenta cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, pois grande parte do litoral iraniano é rasa demais para a passagem de grandes petroleiros.
Em 12 de março, as forças americanas realizaram ataques pesados à ilha, poupando deliberadamente suas instalações petrolíferas. Trump alertou que qualquer interferência na navegação pelo Estreito de Ormuz, por parte do Irã ou de qualquer outro país, o levaria a "reconsiderar imediatamente" essa decisão, deixando em aberto a possibilidade de futuros ataques à infraestrutura energética da ilha.

Foto divulgada em 21 de julho de 2019 mostra o petroleiro britânico "Stena Impero" cercado por lanchas rápidas da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) no Estreito de Ormuz, Irã. (Morteza Akhoundi/ISNA/Divulgação via Xinhua)
ELES VÃO CUMPRIR A MISSÃO?
Em relação ao plano dos EUA de reabrir o Estreito de Ormuz, especialistas militares disseram que o sucesso é improvável sem o envio de tropas terrestres para controlar o litoral iraniano.
"Será necessário criar uma zona de segurança em terra caso se determine que os ataques aéreos não diminuem suficientemente a capacidade do Irã de atingir embarcações que transitam pelo estreito", disse o general aposentado do Exército, James A. Marks. "É por isso que os fuzileiros navais estão a caminho. É uma força de contingência".
Jason H. Campbell, pesquisador sênior em questões de defesa e segurança do Middle East Institute em Washington, também disse que as forças americanas precisariam assumir o controle do litoral iraniano que margeia o Estreito e criar uma zona de segurança.
No entanto, analistas observaram que, dado o baixo apoio público americano à ação militar contra o Irã e a dificuldade em alcançar uma vitória rápida, o uso de tropas terrestres poderia representar riscos políticos significativos para o governo Trump.
Uma pesquisa conjunta de opinião pública realizada pela agência de notícias britânica Reuters e pela empresa francesa de pesquisas Ipsos na quinta-feira mostrou que 59% dos americanos desaprovam a ação militar dos EUA contra o Irã, enquanto apenas 7% apoiam o envio de tropas terrestres para lutar no Irã.
Um funcionário da Casa Branca, falando sob condição de anonimato, disse recentemente à imprensa que Washington ainda não decidiu se enviará tropas terrestres ao Irã, "mas o presidente Trump, sabiamente, mantém todas as opções à sua disposição".







