Destaque: Como o tai chi está se enraizando em Ruanda-Xinhua

Destaque: Como o tai chi está se enraizando em Ruanda

2026-03-23 13:40:19丨portuguese.xinhuanet.com

Moradores locais praticam Taijiquan, uma arte marcial tradicional chinesa, no Instituto Confúcio da Universidade de Ruanda, em Kigali, Ruanda, em 18 de março de 2026. (Foto de Cyril Ndegeya/Xinhua)

Por Frank Kanyesigye, Ju Yinhe e Liu Youmin

Kigali, 21 mar (Xinhua) -- Em uma quarta-feira tranquila na capital ruandesa, Kigali, os movimentos rítmicos e fluidos do tai chi reuniram praticantes, professores e entusiastas da cultura em um evento especial realizado no Instituto Confúcio da Universidade de Ruanda.

O que se desenrolou foi mais do que uma demonstração de artes marciais. Foi uma história de intercâmbio cultural, cura e transformação.

Eric Mugisha, secretário-geral da Federação Ruandesa de Kung Fu Wushu, destacou o crescimento constante do Kung Fu em todo o país em uma entrevista à Xinhua.

Representando a federação no evento, ele observou a ampla presença de clubes e o lugar singular que o tai chi ocupa neles.

"Muitos clubes estão sediados em Kigali, e temos outros em diferentes províncias; normalmente, temos cerca de 30 clubes no total", disse ele.

Diferentemente de outras formas de Kung Fu, o tai chi se destaca. "É uma forma de arte que não se trata de luta; a energia do tai chi vem de dentro, serve para equilibrar a harmonia entre corpo e mente", disse Mugisha.

Para muitos ruandeses, o tai chi é mais do que apenas movimento, é uma jornada pessoal.

Emile Ndagijimana, professor de tai chi, compartilhou com a Xinhua uma história de paixão profundamente enraizada que começou na infância.

"Comecei a praticar Kung Fu aos nove anos", relembrou ele. Ao longo dos anos, sua curiosidade o levou dos filmes de artes marciais a um estudo mais aprofundado e, eventualmente, ao tai chi.

Seu ponto de virada aconteceu quando começou a compreender a filosofia da prática.

"Um professor chinês que leciona no Instituto Confúcio me disse que, para ter sucesso, eu precisava equilibrar e mover meus braços enquanto respirava e dominar a técnica de equilíbrio do tai chi. Foi aí que comecei a amar o tai chi".

Hoje, Ndagijimana ensina centenas de estudantes e integra o tai chi à vida comunitária, especialmente para fins de cura e bem-estar.

"Em Ruanda, as pessoas não conhecem o tai chi, pensam que é luta", explicou ele. "O tai chi é uma forma de medicina, ajuda na mobilidade das articulações e beneficia quem estiver doente".

Sua missão é clara: levar o tai chi para jovens e para idosos. "O motivo pelo qual ensino tai chi é porque percebo que ele auxilia na cura. Se mais ruandeses aprendessem tai chi, isso poderia ajudá-los a se curar".

Sumaya Uwase Niyonzima é uma amante das artes marciais, cujo entusiasmo reflete uma crescente apreciação entre os jovens. Seu primeiro contato com o tai chi aconteceu por meio de seu clube de artes marciais e de instrutores chineses que a visitavam. "Eu amo tai chi porque ouvi dizer que é o remédio da saúde. Ajuda nosso corpo, nossas emoções e também nosso cérebro", disse ela.

Embora admita que a prática exige dedicação, os benefícios a mantêm motivada.

"Eu me sinto bem quando pratico tai chi, o sangue circula bem. Não fiquei doente novamente como ficava antes de começar a praticar tai chi"."

Em um nível mais amplo, o impacto do tai chi em Ruanda reflete anos de colaboração cultural. Zeng Guangyu, diretor chinês do Instituto Confúcio, enfatizou o quanto a prática evoluiu desde sua introdução em 2009.

"Mais de uma década depois, não somos mais os melhores na prática do tai chi. São os ruandeses", disse ele com orgulho.

Hoje, milhares de praticantes e dezenas de instrutores treinados estão ajudando a incorporar o tai chi às comunidades locais. Além do exercício físico, Zeng ressaltou seu significado mais profundo: "O tai chi não defende o confronto; em vez disso, defende os princípios de ‘superar a dureza com suavidade’ e ‘tolerância e inclusão’".

Com a participação de Ruanda na celebração global do primeiro Dia Internacional do Taijiquan, a mensagem é clara: o tai chi não é mais apenas uma tradição estrangeira. Está se tornando uma ponte cultural compartilhada, uma ferramenta para a saúde e um símbolo de harmonia.

Sumaya Uwase Niyonzima (centro) pratica Taijiquan, uma arte marcial tradicional chinesa, no Instituto Confúcio da Universidade de Ruanda, em Kigali, Ruanda, em 18 de março de 2026. (Foto de Cyril Ndegeya/Xinhua)

Zeng Guangyu (frente, à direita), diretor chinês do Instituto Confúcio, conversa com moradores locais sobre Taijiquan, uma arte marcial tradicional chinesa, no Instituto Confúcio da Universidade de Ruanda, em Kigali, Ruanda, em 18 de março de 2026. (Foto de Cyril Ndegeya/Xinhua)

Moradores locais praticam Taijiquan, uma arte marcial tradicional chinesa, no Instituto Confúcio da Universidade de Ruanda, em Kigali, Ruanda, em 18 de março de 2026. (Foto de Cyril Ndegeya/Xinhua)

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