Entrevista: China permanece mercado estratégico para multinacionais, diz CEO da Suzano, gigante brasileira de celulose e papel-Xinhua

Entrevista: China permanece mercado estratégico para multinacionais, diz CEO da Suzano, gigante brasileira de celulose e papel

2026-03-23 22:36:45丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 23 mar (Xinhua) -- A China segue como mercado estratégico para multinacionais, disse o CEO da Suzano, Beto Abreu, ao afirmar que a companhia brasileira vê no país forte convergência com suas prioridades em desenvolvimento tecnológico, transição energética, sustentabilidade e maior integração à economia chinesa.

Em entrevista à Xinhua, Abreu definiu o mercado chinês como "especialmente estratégico" para a Suzano e afirmou que "China é o principal mercado da Suzano globalmente".

A gigante brasileira de celulose e papel atua no país há mais de 40 anos e mantém confiança em seus planos locais, disse, diante da estabilidade, previsibilidade e visão de longo prazo das políticas públicas.

Segundo ele, a trajetória da Suzano na China acompanhou a evolução da economia chinesa. A empresa começou com pequenos volumes de exportação nos anos 1980, cresceu rapidamente nos anos 1990 e 2000 e agora ajusta sua estratégia à medida que a China avança em desenvolvimento de maior qualidade.

Hoje, acrescentou, o foco da Suzano já não está apenas em crescer no mesmo ritmo de antes, mas em oferecer produtos de maior qualidade e trabalhar com os clientes para atender ao mercado chinês com mais qualidade.

Ao tratar da abertura da China, Abreu disse que a Suzano passou a ver esse processo de forma mais ampla em seus negócios. "No passado, a abertura da China para a Suzano significava a abertura de um mercado onde a empresa podia vender", disse. "Hoje, a Suzano vê a abertura de alto nível como uma oportunidade de integração econômica, financeira e operacional mais ampla."

Essa mudança, acrescentou, também se reflete na integração de empresas chinesas à cadeia de valor da Suzano. Como exemplo, citou a criação de um hub de suprimentos para identificar e desenvolver fornecedores chineses capazes de atender não só às operações da companhia na China, mas também no Brasil e em outras regiões.

A Suzano quer continuar participando do crescimento chinês, afirmou, com uma estratégia que vai além do fornecimento de matéria-prima e inclui o desenvolvimento de soluções com os clientes ao longo da cadeia de suprimentos, em áreas como bioprodutos, tecnologia e transição energética.

A empresa também vê oportunidades para atender à demanda dos clientes por soluções mais sustentáveis na cadeia de papel e celulose. Entre os exemplos, ele citou o livro branco sobre a descarbonização do setor, lançado em 2025 em parceria com uma equipe da Universidade de Fudan e a Deloitte, além de workshops com fornecedores, clientes e parceiros para discutir alternativas práticas para reduzir as emissões.

Abreu também afirmou que a Suzano está pronta para auxiliar os clientes chineses a alinhar seus relatórios ESG com as novas regras de divulgação no mercado de ações da China.

Ao comentar as mudanças que mais o impressionam na China, ele destacou a capacidade do país de se unir em torno de prioridades claras e transformá-las em execução. "Um ano na China é diferente de um ano na maioria dos lugares do mundo", disse. "A capacidade desse país de se unir em torno de prioridades e objetivos claros é muito impressionante." Fim

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