O que você precisa saber sobre os ataques direcionados à liderança do Irã?-Xinhua

O que você precisa saber sobre os ataques direcionados à liderança do Irã?

2026-03-22 12:52:15丨portuguese.xinhuanet.com

Funeral para comandantes militares iranianos de alta patente mortos durante ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã é realizado em Teerã, Irã, em 11 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

Cairo, 20 mar (Xinhua) -- Em questão de dias, uma série de assassinatos de alto escalão atingiu o governo do Irã, ceifando as vidas de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e do ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib, entre outros.

A onda de ataques direcionados levanta questões urgentes sobre a estabilidade da República Islâmica, sua capacidade de continuar a luta contra os Estados Unidos e Israel e as perspectivas de um fim negociado para o conflito.

QUEM FOI MORTO?

No primeiro dia do conflito, o líder supremo Ali Khamenei foi assassinado, um evento sem precedentes na história moderna da República Islâmica. Ele estava reunido com altos funcionários no momento do ataque, vários dos quais também morreram: Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Defesa Nacional do Irã; Mohammad Pakpour, comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês); o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh; e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi.

Os assassinatos continuaram nas semanas seguintes. Na segunda-feira, as forças israelenses mataram Larijani e Gholamreza Soleimani, comandante da força voluntária Basij do Irã, em um ataque direcionado. Israel descreveu Larijani como uma das figuras mais poderosas do Irã pós-Khamenei: um confidente de longa data do líder supremo que havia efetivamente assumido o controle das operações militares iranianas após a morte de Khamenei. Soleimani liderou a Basij por seis anos, comandando uma força paramilitar que Israel descreveu como essencial para a estrutura militar iraniana em geral.

Na terça-feira, o ministro da Inteligência, Khatib, foi morto em um ataque israelense separado. Veterano da Guarda Revolucionária, ele passou anos em altos cargos na IRGC antes de sua nomeação em 2021 e, segundo Israel, supervisionou operações iranianas contra interesses israelenses e americanos em todo o mundo.

Pessoas participam de cerimônia fúnebre em Teerã, Irã, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

O SISTEMA DE GOVERNO DO IRÃ PODE SOBREVIVER?

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao anunciar a morte de Larijani, disse que Israel estava abrindo as portas para o que chamou de "mudança de regime", uma afirmação que ele também fez após a morte de Ali Khamenei.

As agências de inteligência dos EUA, no entanto, chegaram a uma avaliação mais cautelosa. O jornal americano Washington Post, citando fontes informadas, relatou que, embora os ataques tenham degradado as capacidades militares do Irã, eles não desencadearam fraturas ou deserções significativas no sistema governante. Pelo contrário, segundo o relatório, a liderança iraniana, apoiada pela IRGC, endureceu sua posição em relação a Washington.

A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, ofereceu uma avaliação ponderada em uma audiência no Congresso na quarta-feira, dizendo que a liderança iraniana estava "intacta", mas "em grande parte degradada".

Sinais vindos de Teerã sugerem que o governo previu esse ataque. A agência de notícias iraniana Fars informou na terça-feira, citando fontes informadas, que as autoridades haviam pré-designado entre três e sete sucessores para cada cargo civil e militar chave, a fim de garantir a continuidade das funções essenciais do Estado em caso de emergência.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, fez uma observação semelhante, porém mais direta, em uma entrevista à Al Jazeera na quarta-feira. Os Estados Unidos e Israel, disse ele, ainda não compreenderam que o Irã possui uma "estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais consolidadas", projetada para sobreviver a choques de liderança.

Nenhum indivíduo é indispensável, disse ele, acrescentando que nem mesmo a morte de Khamenei interrompeu o funcionamento do sistema e que qualquer cargo vago, incluindo o de ministro das Relações Exteriores, será preenchido.

Pessoas participam de um funeral realizado para comandantes militares iranianos de alta patente mortos durante ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em Teerã, Irã, em 11 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

COMO A GUERRA SERÁ AFETADA?

Analistas alertam que a campanha de assassinatos seletivos de Israel, por mais eficaz que seja taticamente, pode estar dificultando o fim da guerra, e não facilitando.

Eles observaram que Larijani, apesar de sua recente postura mais agressiva, era uma figura que poderia estar aberta a negociações sérias com os Estados Unidos. Trita Parsi, cofundador do Quincy Institute for Responsible Statecraft, argumentou que Israel matou Larijani precisamente para impedir essa possibilidade, eliminando qualquer potencial "saída" para o governo Trump antes mesmo que ela pudesse ser tomada.

O acadêmico iraniano Seyed Emamian disse que o governo Trump, sem uma vitória rápida à vista, já está buscando uma saída para salvar as aparências, e que a morte de Larijani pode ter removido o caminho mais viável para isso.

O próprio padrão atraiu críticas. O comentarista político israelense Ori Goldberg escreveu que o recurso implacável de Israel a assassinatos reflete um governo que não apenas se acostumou com a tática, mas tornou-se dependente dela.

Vali Nasr, especialista em Oriente Médio da Universidade Johns Hopkins, ofereceu uma avaliação contundente: os assassinatos, disse ele, provavelmente tornarão a liderança remanescente do Irã mais rígida e intransigente, envolvendo os Estados Unidos ainda mais profundamente em um conflito regional prolongado, em vez de encurtá-lo.

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