Praia, 22 mar (Xinhua) -- Em São Francisco, nos arredores da capital de Cabo Verde, Praia, um projeto comunitário de reciclagem está transformando resíduos em carteiras e cadeiras escolares, ajudando a melhorar as condições das salas de aula e, ao mesmo tempo, reduzindo a poluição.
No centro dessa iniciativa está a Ekonatura, uma microempresa comunitária localizada a cerca de 12 km de Praia.
Utilizando plástico e vidro descartados, coletados por moradores e empresas parceiras, o projeto dá uma segunda vida aos resíduos por meio de produtos práticos para escolas e comunidades.
"A ideia era promover a gestão sustentável de resíduos, proteger o meio ambiente e melhorar o bem-estar das pessoas da comunidade", disse João Ferreira, gerente da Ekonatura e presidente da associação comunitária local, à Xinhua.
Lançada em 2019, a iniciativa mais tarde se transformou em um negócio comunitário. Hoje, o impacto é visível em São Francisco, onde ruas mais limpas refletem uma crescente conscientização sobre reciclagem e gestão de resíduos.
De acordo com Ferreira, uma das principais atividades do projeto é restaurar estruturas danificadas de mesas e cadeiras, substituindo peças de madeira por componentes feitos de plástico reciclado.
"Reutilizamos estruturas de mesas danificadas e substituímos os encostos e as bases por materiais feitos de plástico reciclado", disse ele. "Isso aumenta a durabilidade e reduz a necessidade de usar madeira."
Além de móveis escolares, a Ekonatura também produz lixeiras, vasos de flores, blocos de pavimentação e outros itens, promovendo soluções de economia circular adaptadas às necessidades locais.
O projeto também realiza atividades de conscientização nas escolas para ensinar às crianças a importância da reciclagem e do descarte adequado de resíduos.
Com uma capacidade média de reciclagem de cerca de 100 kg de vidro e plástico por hora, a iniciativa combina proteção ambiental, inclusão social e apoio prático à educação, mostrando como resíduos descartados podem ser transformados em recursos úteis para a comunidade.
Apesar da crescente demanda das escolas, disse Ferreira, a empresa ainda enfrenta escassez de financiamento e equipamentos.
"Temos limitações em recursos financeiros e maquinário, e isso afeta nossa capacidade de resposta", disse ele. "Mas, com mais apoio e parcerias, este projeto pode se expandir para o nível nacional." Fim

