Trump enfrenta um crescente trilema político três semanas após o início da guerra com o Irã-Xinhua

Trump enfrenta um crescente trilema político três semanas após o início da guerra com o Irã

2026-03-22 12:52:55丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas participam de cerimônia fúnebre em Teerã, Irã, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)

Pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa dos apoiadores do MAGA continua apoiando as ações militares de Trump contra o Irã, mas vários líderes de opinião importantes do MAGA expressaram publicamente sua oposição ou preocupações, incluindo o comentarista político conservador Tucker Carlson, a personalidade da mídia Megyn Kelly, e o ex-estrategista-chefe de Trump, Steve Bannon.

Washington, 20 mar (Xinhua) -- Quase três semanas após o início da guerra com o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, se vê pressionado por três fontes distintas: aliados políticos, líderes empresariais e até mesmo sua própria base de apoiadores do MAGA ("Tornar a América Grande Novamente", em tradução livre), cada uma com suas próprias expectativas e demandas.

O presidente emitiu declarações contraditórias sobre os alvos, a escala e a duração da ação militar contra o Irã, refletindo suas tentativas de agradar a diferentes grupos. A incapacidade de conciliar essas pressões conflitantes o deixou preso em uma "trindade impossível".

DECLARAÇÕES CONTRADITÓRIAS

Analisando as declarações recentes de Trump sobre as perspectivas da guerra com o Irã, sua retórica oscila entre o fim da guerra e a sua continuidade.

No domingo, ele disse que os Estados Unidos "essencialmente derrotaram o Irã", mas negou estarem prontos para declarar vitória. Na segunda-feira, declarou que a guerra não terminará esta semana, "mas terminará em breve". Na terça-feira, ele disse: "Ainda não estamos prontos para sair, mas sairemos em breve".

Analistas dizem que essas declarações contraditórias não são coincidência.

David Smith, analista de política externa e política americana do think tank australiano U.S. Studies Centre, sugeriu que os comentários de Trump provavelmente foram motivados politicamente, em vez de retratarem com precisão o status da guerra.

Clay Ramsay, pesquisador do Centro de Estudos Internacionais e de Segurança da Universidade de Maryland, disse à Xinhua: "Para os falcões, ele diz que os EUA não sairão da guerra prematuramente... Para a comunidade empresarial, ele diz que o Estreito de Ormuz será reaberto em breve... Para a base MAGA, ele diz que a guerra já foi vencida".

O TRILEMA

Os três grupos mencionados por Ramsay representam as três principais forças que influenciam a tomada de decisões na Casa Branca, cada uma esperando que a duração e a escala da ação militar dos EUA contra o Irã estejam alinhadas com suas próprias agendas.

A mídia e os analistas dos EUA apontam os senadores republicanos Lindsey Graham e Tom Cotton como as principais figuras entre os "falcões" pró-guerra. Eles apoiam a ação militar dos EUA contra o Irã ao lado de Israel, defendem firmemente a prevenção da obtenção de armas nucleares pelo Irã e pedem a Trump que destrua completamente as capacidades militares do país ou até mesmo derrube o regime atual.

Graham argumenta que um Irã com capacidade nuclear representaria uma ameaça aos Estados Unidos e precisa ser neutralizado. O senador da Carolina do Sul define a ação militar contra o Irã como "necessária e há muito justificada" para garantir que o Irã "nunca mais volte a desenvolver armas nucleares".

Essa visão é compartilhada pelo comentarista conservador e podcaster Mark Levin, uma figura de grande influência no movimento MAGA. Levin, um dos mais ferrenhos defensores da operação, frequentemente argumenta que a guerra é uma medida defensiva necessária para evitar uma ameaça nuclear aos Estados Unidos.

Enquanto isso, alguns funcionários da Casa Branca expressam preocupação com a guerra e suas potenciais consequências, incluindo assessores de alto escalão do Departamento do Tesouro dos EUA e do Conselho Econômico Nacional, além da chefe de gabinete, Susie Wiles.

Segundo a agência britânica de notícias Reuters, essas figuras alertaram Trump de que o aumento acentuado dos preços do petróleo, impulsionado pela guerra, poderia ter consequências políticas prejudiciais ao Partido Republicano.

Até mesmo um dos principais assessores de Trump defendeu a saída do conflito. O czar de criptomoedas e inteligência artificial da Casa Branca, David Sacks, disse recentemente que os Estados Unidos deveriam "declarar vitória e sair" da guerra.

Economistas, como o economista-chefe da Moody's, Mark Zandi, também alertaram que os altos preços da energia, impulsionados pela guerra com o Irã, poderiam levar os Estados Unidos a uma recessão.

As pesquisas atuais mostram que, embora a maioria dos apoiadores do MAGA apoie a decisão de Trump de tomar medidas militares contra o Irã, eles não querem tropas terrestres americanas envolvidas em uma guerra prolongada no Oriente Médio. Eles preferem ver os Estados Unidos buscarem a chamada "paz pela força" e garantirem uma vitória rápida antes de se retirarem com dignidade.

As declarações contraditórias anteriores de Trump parecem ter como objetivo apaziguar essas três forças. No entanto, analistas observam que Trump não pode satisfazer as três ao mesmo tempo, o que o deixa preso em uma "trindade impossível".

Capitólio dos EUA é visto em Washington D.C., Estados Unidos, em 30 de setembro de 2025. (Xinhua/Hu Yousong)

DIVISÃO NO MAGA

Pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa dos apoiadores do MAGA continua apoiando as ações militares de Trump contra o Irã, mas vários líderes de opinião importantes do MAGA expressaram publicamente sua oposição ou preocupação, incluindo o comentarista político conservador Tucker Carlson, a personalidade da mídia Megyn Kelly e o ex-estrategista-chefe de Trump, Steve Banno.

Carlson, um podcaster conservador com milhões de seguidores e considerável influência na base MAGA, se opôs veementemente à guerra, dizendo que é "uma guerra de Israel" e não serve aos interesses estratégicos dos EUA.

Kelly disse que militares americanos morreram pelo Irã ou por Israel, e não pelos Estados Unidos.

O mesmo sentimento foi compartilhado pela ex-congressista republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou publicamente Trump, chamando a guerra contra o Irã de "uma completa traição" às suas promessas de campanha de "chega de guerras no exterior, chega de mudança de regime".

Analistas acreditam que o apoio dos eleitores do MAGA à ação militar contra o Irã se baseia atualmente em sua lealdade pessoal a Trump e na expectativa de que os Estados Unidos alcancem uma vitória rápida e decisiva. Contudo, se o conflito se prolongar e os custos econômicos aumentarem, o sentimento anti-guerra dentro do movimento MAGA provavelmente crescerá rapidamente.

Há muitas preocupações com a estabilidade regional, visto que as ameaças do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, um ponto de estreitamento essencial responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, aumentaram os receios de graves interrupções no fornecimento de petróleo. Essas interrupções poderiam elevar drasticamente os preços da energia, pressionando os orçamentos das famílias americanas e potencialmente prejudicando as perspectivas do Partido Republicano nas próximas eleições de meio de mandato.

"Trump traiu sua base MAGA ao entrar em guerra depois de prometer evitar aventuras no exterior", disse à Xinhua, Darrell West, pesquisador sênior da Instituição Brookings.

"Ele não apresentou uma justificativa consistente para a guerra e a cada dia tem uma explicação diferente. Tudo isso está criando grandes problemas políticos para ele. Quanto mais a guerra se prolongar, mais difícil será para ele". 

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