
Foto de arquivo mostra Ali Larijani, conselheiro sênior do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, discursando em Beirute, Líbano, em 15 de novembro de 2024. (Str/Xinhua)
Cairo, 18 mar (Xinhua) -- O Irã confirmou nesta terça-feira que Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, foi morto em um ataque israelense.
Como o principal oficial de segurança do Irã, a morte de Larijani representa uma grande perda para a liderança iraniana e provocou ataques retaliatórios mais intensos de Teerã contra alvos israelenses e americanos. Leia abaixo o que você precisa saber sobre a morte de Larijani:
QUEM ERA LARIJANI?
Nascido em 1958, Larijani atuou como alto funcionário no Irã por várias décadas.
Após a Revolução Islâmica de 1979, ele ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) no início da década de 1980, antes de entrar para o governo, servindo como ministro da Cultura entre 1994 e 1997.
Durante os estágios iniciais da crise nuclear iraniana, Larijani, que já havia atuado como principal negociador nuclear do Irã, desempenhou um papel fundamental no processo que culminou em um acordo nuclear.
Em 2008, Larijani se candidatou a uma vaga no parlamento iraniano e foi eleito presidente, cargo que ocupou até 2020.
Larijani tentou se candidatar à presidência em 2021 e novamente em 2024, mas em ambas as ocasiões foi desqualificado pelo Conselho Constitucional.
Em 2025, após a guerra de 12 dias entre Israel, os Estados Unidos e o Irã, o presidente Masoud Pezeshkian nomeou Larijani como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Foto tirada em 15 de março de 2026 mostra prédios destruídos em uma área residencial em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)
COMO LARIJANI MORREU?
Desde que o ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto em um ataque israelense em fevereiro, Larijani desempenhou um papel fundamental nos assuntos nacionais iranianos, frequentemente emitindo declarações contundentes em resposta aos ataques dos EUA e de Israel.
Na terça-feira, as Forças de Defesa de Israel disseram ter realizado ataques aéreos de precisão em Teerã, matando Gholamreza Soleimani, comandante da força voluntária Basij do Irã, e Larijani.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse posteriormente, na terça-feira, que Israel matou Larijani, acrescentando: "Há muitas outras surpresas".
Na noite de terça-feira, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou o assassinato de seu secretário, Larijani.
Em um comunicado, o conselho informou que Larijani morreu na madrugada de terça-feira, juntamente com seu filho, Morteza Larijani, o vice-secretário para assuntos de segurança do conselho, Alireza Bayat, e outras pessoas.
O conselho elogiou o longo serviço de Larijani ao desenvolvimento do Irã e fez um apelo à união nacional diante das ameaças externas.

Pessoas participam de cerimônia fúnebre em Teerã, Irã, em 18 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
REAÇÕES À MORTE DE LARIJANI
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ofereceu suas condolências na quarta-feira pela morte de Larijani, ao mesmo tempo em que insinuou uma possível retaliação.
Em uma declaração nas redes sociais, ele condenou o "assassinato", dizendo que os responsáveis inevitavelmente "pagarão o preço por seus crimes".
Em entrevista à Al Jazeera na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, disse que o assassinato de Larijani por Israel não representará um golpe fatal para a liderança iraniana.
"Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam isso: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política sólida, com instituições políticas, econômicas e sociais consolidadas", disse Araghchi. "A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura".
A Rússia condenou o assassinato de Larijani na quarta-feira. "Certamente condenamos ações que visam prejudicar a saúde ou, ainda mais, matar representantes da liderança de um Irã soberano e independente, além de outros países. Condenamos essas ações", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas em uma coletiva de imprensa diária.
O Hamas também condenou na quarta-feira o ataque israelense "traiçoeiro" a Teerã, que resultou na morte de Larijani.
Elogiando o apoio de Larijani à causa palestina, o grupo expressou condolências à liderança e ao povo iraniano, classificando o ataque como uma "agressão flagrante" contra o Irã.





