
Um agricultor trabalha em uma área agrícola no Distrito de Siaya, Quênia, em 5 de março de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)
"Aqui era um deserto de arbustos e animais selvagens, onde dependíamos inteiramente de chuvas irregulares", disse o agricultor local Peter Onyango Okola. "Hoje, eu decido quando irrigar. Não estou mais apenas cultivando para me alimentar, estou administrando um agronegócio".
Kisumu, Quênia, 17 mar (Xinhua) -- Às margens do Rio Nzoia, no Distrito de Siaya, oeste do Quênia, o agricultor local Peter Onyango Okola opera habilmente uma comporta, canalizando a água do rio para seus campos verdejantes.
"Aqui era um deserto de arbustos e animais selvagens, onde dependíamos inteiramente de chuvas irregulares", disse Peter. "Hoje, eu decido quando irrigar. Não estou mais apenas cultivando para me alimentar, estou administrando um agronegócio".
Essas transformações ocorreram após a conclusão do Projeto de Irrigação Lower Nzoia em 2024. Canais de irrigação recém-construídos agora penetram profundamente nos campos, transformando o que antes era um deserto propenso a inundações em um centro produtivo para o cultivo de arroz, milho e hortaliças.

Foto de drone tirada em 4 de março de 2026 mostra captação de água do Projeto de Irrigação Lower Nzoia no Distrito de Siaya, Quênia. (Xinhua/Liu Qiong)
Construído pela Sinohydro, o Projeto de Irrigação Lower Nzoia conta com 111 km de canais de irrigação, 71 km de canais de drenagem e um total de 736 km de diques terciários de irrigação e drenagem. A infraestrutura não só mitigou as ameaças de inundações a longo prazo, como também ajudou a superar os desafios da agricultura dependente da chuva.
"Antes, as sementes nem germinavam por causa da seca. Agora, basta abrirmos a comporta sempre que precisamos plantar", disse Mary Auma Okoth, uma agricultora local, acrescentando que o abastecimento de água confiável permitiu que ela cultivasse vegetais e milho durante todo o ano, proporcionando uma renda estável para cobrir as mensalidades escolares e as necessidades domésticas.
A proteção ambiental permaneceu uma prioridade durante toda a construção. Ao utilizar sifões e aquedutos, o projeto preservou os pântanos locais e os sistemas hídricos naturais, equilibrando o desenvolvimento hidráulico com a conservação ecológica, disse Wang Chao, gerente adjunto do projeto.

Foto de drone tirada em 5 de março de 2026 mostra o Sistema de Irrigação de Bunyala, no Distrito de Siaya, Quênia. (Xinhua/Liu Qiong)
Enquanto isso, uma abordagem de "treinamento durante a construção" garantiu a transferência de conhecimento especializado em operação e manutenção de comportas para engenheiros locais.
"Queremos deixar não apenas um projeto, mas uma equipe técnica capaz de gerenciar o sistema a longo prazo", disse Wang, observando que a equipe queniana agora realiza inspeções diárias de forma independente.
De acordo com dados da Autoridade Nacional de Irrigação do Quênia (NIA, na sigla em inglês), o projeto beneficiou diretamente mais de 12.500 famílias de agricultores nos Distritos de Siaya e Busia, garantindo irrigação para 11.000 acres (cerca de 4.451,5 hectares) de terras agrícolas e fornecendo uma forte garantia para a segurança alimentar local.

Agricultores caminham ao lado de um canal do Projeto de Irrigação Lower Nzoia, no Distrito de Siaya, Quênia, 4 de março de 2026. (Xinhua/Liu Qiong)
Do ponto de vista técnico e estratégico, o projeto serve como pilar para o Sistema de Irrigação Bunyala, um dos sete sistemas públicos de irrigação do Quênia. Ele substitui as antigas bombas elétricas, que antes eram oneradas por altos custos e interrupções frequentes, por um sistema confiável alimentado por gravidade. O projeto gera uma economia de dezenas de milhões de xelins anualmente em custos de eletricidade, com os fundos reinvestidos em manutenção, treinamento de agricultores e prestação de serviços, segundo a NIA.
Ter um sistema de irrigação por gravidade proporciona água suficiente durante toda a estação de cultivo, disse Peter Orua, gerente do Projeto de Irrigação de Bunyala na NIA. "Agora poderemos ter pelo menos três safras por ano, ou seja, mais alimentos para o país e a comunidade local, e mais dinheiro no bolso dos agricultores".
O projeto também oferece um modelo replicável para outras nações africanas que enfrentam desafios climáticos. Ao reduzir os custos de instalação e operação por meio de um sistema de fluxo por gravidade, esses projetos eliminam a dependência de chuvas irregulares e garantem um abastecimento de água consistente durante todo o ano, permitindo a expansão da produção mesmo durante secas severas, acrescentou Orua.

