
Manifestante mostra palmas das mãos com o slogan “Não à Guerra” durante um protesto contra os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã e para exigir o fim de todos os atos de guerra, em Tel Aviv, Israel, em 14 de março de 2026. (Tomer Neuberg/JINI via Xinhua)
Cairo, 16 mar (Xinhua) -- Os estados do Golfo, que abrigam diversas bases militares dos EUA, estão enfrentado ondas de ataques com mísseis e drones desde o início dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, com algumas bases sendo alvejadas e sofrendo danos.
Especialistas e acadêmicos da região têm adotado posições variadas sobre a presença militar dos EUA. Enquanto alguns argumentam que as bases ajudam a manter um equilíbrio de dissuasão regional, outros acreditam que essas implantações, ao contrário, expõem os Estados a retaliações e aumentam os riscos de segurança.
DANOS A BASES MILITARES DOS EUA
Catar -- A Base Aérea de Al Udeid, no Catar, o maior centro de comando militar dos EUA no Oriente Médio, foi atingida por múltiplos ataques com mísseis e drones desde 28 de fevereiro, inclusive do Irã. Embora as defesas catarianas tenham interceptado muitas ameaças, pelo menos um impacto de míssil ou drone foi relatado, causando explosões.
Kuwait -- Pelo menos seis radomes de comunicação via satélite no Campo Arifjan, um importante centro logístico dos EUA no Kuwait, foram destruídos, provavelmente afetando as redes do Comando Central dos EUA, segundo relatos. O local, juntamente com o Campo Buehring, sofreu danos por ataques de mísseis, apresentando múltiplas crateras e áreas queimadas perto das instalações.
Bahrein -- A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na quinta-feira que sua Marinha atingiu o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no porto de Mina Salman, no Bahrein, com mísseis e drones. Acrescentou que realizou ataques de precisão com seus drones kamikaze, além de mísseis de cruzeiro e balísticos contra um sistema antidrone e um depósito de veículos subaquáticos operados remotamente, entre outros alvos.
Emirados Árabes Unidos -- Imagens de satélite indicam que os ataques do Irã à Base Aérea de Al Dhafra, localizada ao sul de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), causaram danos significativos à infraestrutura. Um complexo, sistemas de satélite e equipamentos de radar foram danificados, segundo relatos.

Pessoas se sentam sobre os escombros de prédios destruídos em uma área residencial de Teerã, Irã, em 15 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
POSIÇÕES VARIADAS
Charbel Barakat, chefe do departamento de notícias internacionais do jornal kuwaitiano Aljarida, disse que os recentes conflitos na região evidenciaram os limites e a imprevisibilidade das garantias de segurança dos EUA, levando os Estados do Golfo a reavaliarem suas estratégias de defesa.
O analista político catariano Anas bin Ziyad disse que as bases militares americanas no Golfo foram originalmente estabelecidas dentro de acordos de segurança que surgiram após grandes transformações na região.
Anas disse, contudo, que os acontecimentos recentes revelaram uma dimensão mais complexa. Por um lado, a presença militar americana contribuiu por décadas para a manutenção de um equilíbrio de dissuasão regional. Por outro lado, a escalada dos conflitos regionais e a transformação de algumas bases em pontos de partida para operações militares as tornaram parte da própria equação do conflito.
O analista catariano acrescentou que a questão não é puramente militar, também possui dimensões políticas e estratégicas. A forte dependência de um “guarda-chuva de segurança externo” pode, por vezes, limitar a capacidade dos Estados de desenvolverem abordagens de segurança mais independentes, além de vincular a segurança regional às flutuações da política internacional, disse ele.

Homem em frente a um prédio destruído em uma área residencial de Teerã, Irã, em 15 de março de 2026. (Xinhua/Shadati)
ESTRATÉGIAS FUTURAS
O jornalista emiradense, Mohammed Al-Hammadi, disse que a guerra em curso na região levantou questões fundamentais sobre o papel das bases militares estrangeiras e o futuro das estratégias de defesa nos Estados do Golfo, enfatizando que o equilíbrio entre parcerias internacionais e o fortalecimento das capacidades nacionais virou a opção mais realista.
Hamad Al Hosani, diretor do Departamento de Estudos Políticos Islâmicos da TRENDS Research & Advisory em Abu Dhabi, disse que a estratégia de defesa dos Emirados Árabes Unidos provavelmente evoluirá em três vertentes paralelas: fortalecimento das capacidades de defesa nacional, expansão da cooperação regional em defesa e manutenção de parcerias estratégicas com aliados globais.
Hosani acrescentou que a abordagem equilibrada permite aos Emirados Árabes Unidos garantir segurança e estabilidade sem depender exclusivamente de uma única potência externa.
O acadêmico saudita Fahad Araeshi também observou que, para reforçar ainda mais a segurança, a Arábia Saudita está buscando uma estratégia mais ampla de diversificação de suas parcerias de defesa.






