Aliados europeus resistem ao apelo de Trump por uma missão militar no Estreito de Ormuz-Xinhua

Aliados europeus resistem ao apelo de Trump por uma missão militar no Estreito de Ormuz

2026-03-18 13:50:57丨portuguese.xinhuanet.com

Crianças brincam na costa da vila de Kumzar, em Omã, em 19 de fevereiro de 2025. Kumzar é uma remota vila de pescadores na península de Musandam, no norte de Omã, localizada em um porto abrigado próximo à estratégica rota marítima do Estreito de Ormuz. (Xinhua/Wang Qiang)

Líderes europeus enfatizaram que o conflito atual não deve se transformar em uma missão da OTAN nem arrastar o continente para uma guerra mais ampla.

Berlim, 16 mar (Xinhua) -- Diversas nações europeias e a União Europeia (UE) manifestaram, nesta segunda-feira, relutância ou oposição declarada ao apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma missão militar para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Enfatizando a necessidade de soluções diplomáticas e alertando contra uma escalada regional, os líderes europeus ressaltaram que o conflito atual não deve se transformar em uma missão da OTAN nem arrastar o continente para uma guerra mais ampla.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, descartou qualquer envolvimento militar na proteção de petroleiros no estreito, enfatizando que a OTAN é uma "aliança de defesa" e não uma "aliança de intervenção".

Merz disse que a Alemanha não participará de medidas militares para garantir a liberdade de navegação enquanto o conflito persistir, acrescentando que nenhum conceito viável para essa operação foi apresentado até o momento.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, discursa durante sua coletiva de imprensa de verão em Berlim, Alemanha, em 18 de julho de 2025. (Xinhua/Li Hanlin)

Suas declarações foram reiteradas em Bruxelas pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas. Após uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE, Kallas disse que o bloco não tem interesse em expandir sua atual missão naval "Aspides" para o Estreito de Ormuz.

"Estamos trabalhando em soluções diplomáticas para o Estreito de Ormuz", disse ela, acrescentando: "Esta guerra não é da Europa".

No sul da Europa, o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, disse que Portugal "não está nem estará envolvido neste conflito".

Rangel também descartou as ameaças do governo Trump em relação aos membros da OTAN que se recusam a apoiar Washington, dizendo que eles não merecem "absolutamente nenhuma reação".

O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também expressou dúvidas, observando que missões como "Aspides" e "Atalanta" são projetadas principalmente para operações de escolta defensiva e antipirataria, o que dificulta sua extensão ao Estreito de Ormuz, de alto risco.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, discursa durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas, Bélgica, em 20 de maio de 2025. (União Europeia/Divulgação via Xinhua)

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que Londres está trabalhando com aliados em um "plano viável" para restabelecer a navegação, mas esclareceu que "não será, e nunca foi concebido como uma missão da OTAN".

A postura cautelosa surge em meio a atritos visíveis com Washington. Trump criticou recentemente o Reino Unido em uma entrevista ao jornal inglês Financial Times, alegando que Londres "não veio" quando foi solicitada ajuda pela primeira vez e só ofereceu navios depois que a "capacidade de resposta a perigos" foi reduzida.

No norte e leste da Europa, os recursos limitados e as prioridades estratégicas desempenharam um papel importante nas recusas. A ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, disse que a Finlândia "praticamente não dispõe de recursos adicionais" e que o estreito não é uma "prioridade máxima".

O ministro da Defesa da Suécia, Pal Jonson, declarou de forma semelhante que o foco estratégico da Suécia permanece nas áreas do norte.

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, confirmou que a Polônia "não tem planos" de participar, e a ministra interina das Relações Exteriores da Bulgária, Nadezhda Neynski, disse que seu país não tem capacidade para uma missão desse tipo.

A emissora pública holandesa NOS informou que o primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, confirmou que a Holanda não considera participar no momento.

Manifestante mostra palmas das mãos com o slogan "Não à Guerra" durante um protesto contra os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã e para exigir o fim de todos os atos de guerra em Tel Aviv, Israel, em 14 de março de 2026. (Tomer Neuberg/JINI via Xinhua)

"No momento, qualquer missão no Estreito de Ormuz precisará de uma redução das tensões na região", disse Jetten durante sua visita a Berlim na segunda-feira.

Analistas dizem que a pressão dos EUA pode ter como objetivo levar os aliados europeus a um maior envolvimento. Markku Kangaspuro, diretor de pesquisa do Instituto Aleksanteri da Universidade de Helsinque, questionou se os países da OTAN deveriam entrar em uma guerra "que os Estados Unidos e Israel iniciaram ilegalmente".

Observando que é a primeira vez que Washington busca envolver os países da OTAN na guerra com o Irã, Kangaspuro disse que isso sugere que os Estados Unidos iniciaram a guerra sem a devida consideração. "As repercussões não foram suficientemente avaliadas", disse ele.  

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