
Informações de pagamento do M-Pesa são exibidas na parede de uma loja em Nairóbi, capital do Quênia, em 16 de setembro de 2021. (Xinhua/Zhang Yu)
O M-Pesa, principal plataforma de dinheiro móvel do Quênia, é um dos casos de inovação mais notáveis nascidos na África.
Nairóbi, 16 mar (Xinhua) -- O M-Pesa, principal plataforma de dinheiro móvel do Quênia, é um dos casos de inovação mais notáveis nascidos na África.
Lançado em 2007 pela Safaricom e pela empresa de telecomunicações britânica Vodafone, o M-Pesa evoluiu de uma simples plataforma de transferência de dinheiro móvel para um serviço abrangente que permite a milhões de pessoas acessar serviços bancários, crédito e pagamentos digitais em todo o mundo.
Hoje, mais de 60 milhões de pessoas no Quênia, em toda a África e em outros continentes usam o serviço mensalmente, segundo a Safaricom.

Pedestres passam em frente a uma loja da Safaricom na Avenida Kenyatta, em Nairóbi, capital do Quênia, em 7 de maio de 2023. (Xinhua/John Okoyo)
No centro dessa transformação está não apenas a engenhosidade da Safaricom e da Vodafone, mas também o suporte essencial da tecnologia, da expertise e dos dispositivos chineses.
A Safaricom selecionou a empresa de tecnologia chinesa Huawei para modernizar seu sistema de pagamentos móveis.
Por meio de sua parceria com a Safaricom e a Vodafone, a Huawei expandiu os recursos do serviço do M-Pesa. Os especialistas da empresa apoiaram melhorias na infraestrutura que permitiram ao sistema lidar com volumes massivos de transações e introduzir novos serviços, incluindo o pagamento de contas em tempo real.
Uma parceria de longa data entre a Safaricom e a Huawei fez com que a gigante chinesa de tecnologia auxiliasse na realocação dos servidores do M-Pesa da Alemanha para o Quênia em 2015.
Bernard Mwaso, consultor de TI baseado em Nairóbi, disse à Xinhua que a mudança dos servidores para o Quênia foi um passo essencial que estabilizou a plataforma e acelerou seu crescimento.
"O desafio de ter servidores em uma jurisdição diferente é que leva mais tempo para lidar com problemas como interrupções, caso ocorram. Isso prejudica a experiência do cliente", disse ele.
Ele observou que o M-Pesa prosperou após a migração dos servidores, conquistando mais assinantes à medida que se diversificava em serviços bancários, pagamentos de contas em tempo real e transferências internacionais.
"Não podemos negar o enorme impacto que os chineses tiveram no sucesso do M-Pesa. Isso se deve não apenas à expertise que oferecem, mas também aos dispositivos móveis que os quenianos usam", observou Mwaso em uma entrevista recente.
Na capital, Nairóbi, os smartphones fabricados na China dominam o mercado. Uma visita a diversas lojas revelou que marcas populares de baixo custo, incluindo Infinix, Tecno, Itel e Xiaomi, são vendidas por preços tão baixos quanto 4.000 xelins (cerca de 30,9 dólares americanos), apesar de sua impressionante versatilidade.
Esses dispositivos acessíveis permitiram que milhões de quenianos tivessem smartphones, facilitando o acesso a diversos serviços digitais, como compras on-line e serviços bancários, o que, por sua vez, impulsiona o crescimento do M-Pesa.
"Eu tenho um celular Oppo que comprei por 92,8 dólares. Uso para compras on-line, trabalhos freelancers on-line e para solicitar empréstimos por meio de aplicativos móveis. O dinheiro dessas duas últimas atividades entra diretamente na minha carteira do M-Pesa", disse à Xinhua, Beatrice Ngwiri, designer gráfica em Nairóbi.
Em seu livro "Silicon Elsewhere: Nairobi, Global China and the Promise of Techno-Capital" (Silicon em Outros Lugares: Nairóbi, a China Global e a Promessa do Tecnocapital, em tradução livre), Andrea Pollio, pesquisador e professor italiano, observa que, embora o sucesso do M-Pesa tenha dependido de "infraestruturas financeiras usadas como garantia para o dinheiro móvel" e de milhares de quiosques de agentes, a acessibilidade dos dispositivos chineses foi crucial. Esses smartphones facilitaram o crescimento de "carteiras de empréstimo, kits pré-pagos e plataformas de trabalho sob demanda".

Informações de pagamento do M-Pesa são exibidas no caixa de uma cafeteria em Nairóbi, capital do Quênia, em 16 de setembro de 2021. (Xinhua/Zhang Yu)
A transição do M-Pesa para uma rede global de pagamentos digitais também foi moldada por colaborações com plataformas chinesas de pagamento digital, como Alipay e WeChat Pay, que expandiram seu alcance para o comércio eletrônico internacional e transações transfronteiriças.
Essas parcerias ajudaram os clientes a fazer compras on-line com facilidade, eliminando a necessidade de conversões cambiais complexas e, assim, consolidando as capacidades de pagamento internacional do M-Pesa.
Mwaso observou que a integração do M-Pesa com redes globais já estabelecidas garantiu transações seguras, regulamentadas e confiáveis.
"Com essas parcerias, consumidores e empresas quenianas podem participar do comércio eletrônico global sem precisar de cartões de crédito ou procedimentos bancários complexos. Freelancers também podem trabalhar para empresas na China e em outras partes do mundo e receber pagamentos com facilidade", disse ele.






