
Pessoas perto de tabaco recém-colhido em um mercado em Harare, Zimbábue, em 5 de março de 2025. (Foto de Shaun Jusa/Xinhua)
Em entrevista à Xinhua na sexta-feira, o analista econômico e comentarista político do Zimbábue, Dereck Goto, disse que a política representa uma mudança estrutural significativa na relação comercial entre a China e as economias africanas.
Harare, 15 mar (Xinhua) -- O tratamento de tarifa zero da China para 53 países africanos oferecerá oportunidades transformadoras para os exportadores africanos, disse um especialista do Zimbábue.
Em declarações à agência Xinhua na sexta-feira, o analista econômico e comentarista político zimbabuano Dereck Goto disse que a política representa uma mudança estrutural significativa na relação comercial entre a China e as economias africanas.
"Para países como o Zimbábue, as implicações são potencialmente transformadoras. Isso aumentará a competitividade das exportações zimbabuanas, como produtos hortícolas, no mercado chinês", disse Goto.
A China anunciou em fevereiro que implementará integralmente o tratamento de tarifa zero para 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, a partir de 1º de maio.
Goto disse que a política também cria incentivos para a expansão e diversificação da produção. Os exportadores zimbabuanos poderão precificar seus produtos de forma mais competitiva em relação aos fornecedores de outras regiões.
Segundo Goto, a política está alinhada com a estrutura de engajamento mais ampla da China com a África no âmbito do Fórum de Cooperação China-África.

Comerciante verifica tabaco em um leilão em Harare, Zimbábue, em 4 de março de 2026. (Foto de Shaun Jusa/Xinhua)
"Nas últimas duas décadas, esse cenário tem se voltado constantemente para o comércio, o apoio à industrialização e o desenvolvimento de infraestrutura. O acesso livre de impostos complementa os corredores de infraestrutura, os projetos de logística e os parques industriais já desenvolvidos por meio da cooperação China-África", disse ele.
"O Zimbábue precisa garantir a prontidão do lado da oferta. Os exportadores devem atender aos padrões fitossanitários, aos requisitos de qualidade e às demandas logísticas chinesas. Sem uma política industrial coordenada e apoio às exportações, a oportunidade poderá permanecer subutilizada", acrescentou ele.
Goto também disse que a decisão mais recente da China tem um significado geopolítico mais amplo. Ao conceder acesso com tarifa zero em todo o continente, a China reforça sua posição como parceira do Sul Global, oferecendo caminhos de desenvolvimento baseados no comércio.
"Em resumo, para o Zimbábue e outros parceiros africanos, a política de tarifa zero é mais do que um gesto simbólico. É um convite para aprofundar a capacidade industrial, expandir as exportações e se integrar mais firmemente em um dos maiores mercados da economia global. O fator decisivo agora será a eficácia com que os produtores africanos se organizarem para aproveitar a oportunidade", acrescentou ele.




