O que você precisa saber sobre o impacto da guerra entre EUA, Israel e Irã na segurança alimentar global?-Xinhua

O que você precisa saber sobre o impacto da guerra entre EUA, Israel e Irã na segurança alimentar global?

2026-03-17 10:28:02丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas participam de manifestação em massa para marcar o Dia Internacional de Quds em Teerã, capital do Irã, em 13 de março de 2026. (Xinhua)

Cairo, 15 mar (Xinhua) -- O conflito em andamento entre os Estados Unidos, Israel e Irã está causando ondas de choque em todo o mundo e afetando diversos setores.

Com a continuidade dos ataques entre os lados em guerra, a navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento essencial para o transporte global, foi fortemente prejudicada.

Além dos setores de energia e transporte marítimo, o abastecimento global de alimentos também está sentindo o impacto, refletido em um aumento acentuado nos preços dos alimentos e em alertas de agências da ONU.

COMO A CRISE AFETA A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS?

A região do Golfo não só produz uma parcela significativa dos fertilizantes do mundo, como também fornece matérias-primas essenciais, com cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes passando pelo Estreito de Ormuz.

Com o transporte pelo Estreito de Ormuz amplamente interrompido, o gás natural, matéria-prima essencial para fertilizantes nitrogenados, tornou-se difícil de ser entregue a grandes produtores agrícolas como o Brasil e o Sudão. Enquanto isso, os produtores de fertilizantes na Índia e no Paquistão também estão com dificuldades para garantir o fornecimento de matérias-primas.

Os fertilizantes fosfatados enfrentam interrupções semelhantes. Os países do Golfo respondem por cerca de um quinto da produção mundial de fertilizantes fosfatados e por um quarto do fornecimento mundial de enxofre, um subproduto petroquímico usado no processamento do fosfato. Com as exportações praticamente paralisadas, o choque na oferta está se espalhando pelos mercados de fertilizantes.

O momento agrava a crise. Em todo o Hemisfério Norte, da Europa à América do Norte, os agricultores normalmente compram fertilizantes em março para aplicação em abril e maio. A escassez de fertilizantes pode forçar os agricultores a reduzir o uso ou a optar por culturas que exigem menos insumos, decisões que podem se traduzir em menores colheitas meses depois.

Incêndio em um navio cargueiro tailandês após ser atingido no Estreito de Ormuz, em 11 de março de 2026. (Marinha Real Tailandesa/Divulgação via Xinhua)

COMO OS PREÇOS DA ENERGIA AFETAM OS CUSTOS DOS ALIMENTOS?

A agricultura moderna é profundamente dependente de combustíveis fósseis. Petróleo e gás natural alimentam tratores, sistemas de irrigação e secadores de grãos, eles também sustentam a produção de fertilizantes, o processamento de alimentos, a refrigeração e o transporte. Até mesmo os materiais de embalagem, de filmes plásticos a recipientes de armazenamento, são derivados de produtos petroquímicos.

Os preços globais dos fertilizantes subiram cerca de um terço desde o início do conflito. Os contratos futuros de plásticos também estão disparando, com a gigante química BASF anunciando aumentos de preços de até 20% para aditivos plásticos essenciais em todo o mundo. Os preços mais altos dos combustíveis também estão elevando os custos de transporte e logística, que impactam diretamente as cadeias de suprimentos de alimentos.

"Se a crise persistir, os custos de transporte e processamento de alimentos podem aumentar ainda mais, e insumos agrícolas como fertilizantes podem se tornar escassos", alertou Samina Sultan, economista do Instituto Econômico Alemão. "Riscos de abastecimento podem elevar ainda mais os custos dos produtos agrícolas, levando a preços mais altos nos supermercados e desencadeando uma nova onda de pressões inflacionárias".

Foto tirada em 8 de março de 2026 mostra caminhões carregados com ajuda humanitária em Porto Sudão, no leste do Sudão. (Foto de Urqia Elzaki/Xinhua)

COMO A SEGURANÇA ALIMENTAR GLOBAL PODE ESTAR EM RISCO?

As Nações Unidas alertaram que o aumento dos preços dos alimentos e da energia afetará mais duramente os países em desenvolvimento e as famílias de baixa renda, onde a alimentação já representa uma grande parcela dos gastos.

"O conflito já está tendo impactos imediatos na segurança alimentar no Oriente Médio. No Líbano, está ocorrendo um deslocamento interno significativo em uma população que enfrenta altos níveis de insegurança alimentar há vários anos", disse o Programa Mundial de Alimentos (PMA) em um relatório recente.

As operações humanitárias também estão sob pressão.

"Rotas marítimas extensas e congestionamentos estão comprometendo a capacidade do PMA de alcançar rapidamente as populações vulneráveis, aumentando o risco de que as pessoas esperem mais tempo por assistência e enfrentem maior insegurança alimentar e desnutrição", acrescentou o relatório.

Conforme a crise se agrava, o que começou como um conflito regional por energia e geopolítica está se transformando cada vez mais em uma ameaça ao abastecimento global de alimentos, com consequências medidas não apenas em barris de petróleo, mas também em pratos vazios. 

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