Beijing, 16 mar (Xinhua) -- "O alcance internacional de produções como Black Myth: Wukong e Nezha mostra que a cultura tradicional chinesa pode se engajar com o mundo de maneira contemporânea", afirmou Ronnie Lins, diretor do Centro China-Brasil de Pesquisa e Negócios, em uma recente entrevista ao CMG News Radio.
Segundo ele, criadores têm recorrido a jogos, animação e outras plataformas digitais para reinterpretar narrativas clássicas, tornando-as mais acessíveis e dinâmicas, especialmente para o público jovem. Lins destacou que a eficácia desse modelo de comunicação cultural está na linguagem universal dessas obras.
"Esses formatos funcionam porque utilizam uma linguagem visual, narrativa e emocional que é compreendida em diferentes culturas", explicou. Ao explorar storytelling e estética digital, essas produções conseguem criar pontos de identificação entre públicos de distintas origens.
O especialista ressaltou ainda que essas obras vão além do entretenimento. De acordo com ele, elas também transmitem valores profundamente enraizados na civilização chinesa. "Esses trabalhos carregam valores como harmonia, resiliência e uma relação equilibrada entre humanidade e natureza", disse.
Para Lins, ao combinar tradição autêntica com inovação tecnológica, esse tipo de produção promove um verdadeiro diálogo entre civilizações e amplia de forma natural a presença global da cultura chinesa - algo particularmente relevante em um mundo cada vez mais multipolar.
Outro fator que contribui para a compreensão da China contemporânea é o aumento das interações humanas diretas. Nos últimos anos, o país ampliou políticas de facilitação de vistos e incentivos à mobilidade internacional. Ele avaliou que essa estratégia vai além do turismo.
"A melhor maneira de entender a China real é, sem dúvida, vivenciá-la diretamente. Nenhuma análise à distância pode substituir a experiência de estar no país", afirmou, acrescentando que esse contato ajuda a reduzir estereótipos e mal-entendidos, promovendo um intercâmbio cultural genuíno.
O diretor destacou ainda que a ampliação das políticas de isenção de visto reflete um compromisso mais amplo com abertura e diálogo. Ele observou que essas medidas facilitam a circulação de estudantes, empresários e visitantes estrangeiros, incentivando interações humanas diretas que ajudam a combater estereótipos e mal-entendidos. Esse tipo de intercâmbio, acrescentou, contribui para relações internacionais mais equilibradas, baseadas em experiências reais e respeito mútuo.
Ele também apontou que esse espírito de diálogo se reflete nas iniciativas globais apresentadas pela China nos últimos anos, voltadas ao desenvolvimento, segurança, cooperação e intercâmbio entre civilizações, que convergem com as prioridades de muitos países em desenvolvimento.
Segundo Lins, essas iniciativas dialogam especialmente com a tradição diplomática brasileira. "O Brasil sempre defendeu um sistema internacional mais equilibrado, baseado na cooperação e no respeito à soberania", afirmou.
Nesse contexto, ele observou que a abordagem chinesa oferece uma alternativa às dinâmicas rígidas e confrontacionais da política internacional baseada em blocos. Ao promover parcerias abertas e pragmáticas, acrescentou, essas iniciativas ampliam o espaço para que países como o Brasil aprofundem sua participação internacional sem abrir mão da autonomia estratégica.
Na sua visão, o fortalecimento do diálogo cultural e da cooperação internacional pode contribuir para a construção de uma ordem global mais inclusiva e equilibrada.

