Rio de Janeiro, 13 mar (Xinhua) -- Cientistas brasileiros identificaram uma nova espécie de dinossauro gigante a partir de fósseis encontrados no nordeste do país, uma descoberta que fornece novas pistas sobre a evolução e dispersão desses animais entre os continentes durante o período Cretáceo Inferior.
A espécie foi batizada de Dasosaurus tocantinensis e é considerada uma das maiores já encontradas no Brasil. A descoberta foi descrita em um estudo publicado no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology e contou com a participação de pesquisadores de diversas instituições brasileiras.
Os restos fósseis foram descobertos em 2021 durante obras de infraestrutura perto do município de Davinópolis, no estado do Maranhão. Entre os fragmentos recuperados, está um fêmur com aproximadamente 1,5 metro de comprimento, além de outros ossos dos membros, partes da pélvis, vértebras da cauda e fragmentos de costelas.
Com base nesses restos, os cientistas estimam que o animal poderia atingir quase 20 metros de comprimento, o que o colocaria entre os maiores dinossauros encontrados em território brasileiro. O Dasosaurus pertencia ao grupo dos saurópodes titanossauriformes, dinossauros herbívoros de pescoço comprido que dominaram muitos ecossistemas terrestres durante a Era Mesozoica.
O estudo foi liderado pelo pesquisador Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, e contou com a colaboração de especialistas de diversos centros de pesquisa. Segundo os paleontólogos, a análise anatômica do fóssil permitiu identificar características únicas que distinguem essa espécie de outras já conhecidas.
Os cientistas também concluíram que o Dasosaurus tocantinensis é intimamente relacionado ao Garumbatitan morellensis, uma espécie descoberta na Espanha. Essa relação sugere que os ancestrais desses dinossauros podem ter migrado entre a Europa e a América do Sul há cerca de 130 milhões de anos, quando ainda existiam conexões terrestres entre os continentes através do Norte da África, antes da abertura completa do Oceano Atlântico.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta reforça a importância do território brasileiro para a compreensão da evolução dos dinossauros no antigo supercontinente Gondwana e demonstra que a América do Sul não estava completamente isolada durante esse período, mas sim conectada a outras regiões, permitindo a troca de espécies.
O nome da nova espécie faz referência à região onde os fósseis foram encontrados, perto do rio Tocantins, uma das principais vias navegáveis do norte do Brasil. Os restos agora fazem parte do acervo do Centro de História Natural e Arqueologia do Maranhão, onde continuam sendo estudados por especialistas.

