Rio de Janeiro, 13 mar (Xinhua) -- O Supremo Tribunal Federal do Brasil negou nesta quinta-feira a visita de um assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro na prisão, após alertas do Ministério das Relações Exteriores sobre uma possível interferência indevida de Washington nos assuntos internos do país sul-americano.
A decisão, do ministro Alexandre de Moraes, revogou uma autorização anterior que teria permitido o encontro entre Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos na Penitenciária de Papuda, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado, e o assessor norte-americano Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado dos EUA para políticas para o Brasil.
"A visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive, poderia ensejar a reanálise do visto concedido", declarou Moraes na nova decisão.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia manifestado preocupação com o possível encontro, considerando que poderia ser interpretado como interferência na política interna brasileira.
"Cabe ressaltar que a visita de um funcionário estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode constituir interferência indevida nos assuntos internos do Estado brasileiro", declarou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no documento enviado ao tribunal.
Bolsonaro está cumprindo pena de 27 anos e 3 meses de prisão por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2022, sentença proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 11 de setembro de 2025. Aliado de Trump, Bolsonaro escolheu seu filho, Flávio Bolsonaro, senador pelo Partido Liberal, como candidato da oposição à presidência do Brasil em outubro, onde enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido para que Beattie visitasse o ex-presidente foi apresentado em 10 de março pela equipe de defesa de Bolsonaro. Inicialmente, Moraes autorizou o encontro para 18 de março, embora em data diferente da solicitada pelos advogados.
Posteriormente, a defesa solicitou que a visita ocorresse em 17 de março, argumentando que o assessor norte-americano participaria naquele dia de um evento sobre elementos de terras raras e minerais críticos em São Paulo.
Em resposta a esse novo pedido, Moraes solicitou ao Ministério das Relações Exteriores informações sobre a agenda diplomática de Beattie. Em sua resposta, o Ministério das Relações Exteriores indicou que, ao processar o visto, não havia menção a reuniões ou visitas que não tenham como objetivo os oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

