Rio de Janeiro, 12 mar (Xinhua) -- A cooperação entre Brasil e China se consolida como um pilar fundamental para a transição energética, a segurança do abastecimento e o desenvolvimento de novas cadeias industriais, à medida que ambos os países aprofundam sua complementaridade em áreas como petróleo, biocombustíveis, minerais estratégicos e mobilidade elétrica, afirmaram hoje diversos especialistas.
Em um seminário organizado nesta quinta-feira pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os participantes concordaram que a relação bilateral está evoluindo para uma etapa mais complexa, combinando comércio, inovação tecnológica e investimentos produtivos.
O economista-chefe do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Aldrin Wernersbach, destacou o crescente papel do Brasil como fornecedor confiável de energia para a China em um cenário internacional marcado por conflitos em regiões produtoras de hidrocarbonetos.
Em 2025, as exportações brasileiras de petróleo para a China atingiram aproximadamente 870 mil barris por dia, consolidando o país asiático como destino de 45% das exportações brasileiras de petróleo bruto. Segundo Wernersbach, esse aumento se deve à crescente demanda chinesa, à diversificação de fornecedores e à expansão da produção brasileira, impulsionada pelas reservas do pré-sal.
"O Brasil está se posicionando como um produtor estável de petróleo", afirmou, observando que empresas chinesas já participam de projetos no setor petrolífero do país.
O especialista também destacou o potencial dos biocombustíveis como uma nova área de cooperação. Ele apontou que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol e está desenvolvendo tecnologias em biodiesel e combustível de aviação sustentável.
"Há uma sinergia entre as metas de descarbonização da China e o setor de biocombustíveis no Brasil", concluiu. No setor de mineração, a gerente de relações externas da Vale, Luciana Brum, afirmou que o Brasil pode desempenhar um papel central no fornecimento à China de minerais estratégicos ligados à eletrificação e às novas tecnologias.
Além do minério de ferro, ela destacou a crescente importância de recursos como cobre, níquel e lítio. Explicou que a expansão da inteligência artificial, dos data centers e dos sistemas elétricos está aumentando rapidamente a demanda global por esses minerais.
"À medida que a China avança com seus planos de eletrificação, esse mercado se tornará cada vez mais importante", afirmou.
Do ponto de vista industrial, o vice-presidente da Comexport, Roberto Milani, observou que a presença de produtos chineses no Brasil relacionados à transição energética, como painéis solares e veículos elétricos, também abre oportunidades para a modernização de setores produtivos.
Milani enfatizou que o estabelecimento de fabricantes chineses no país pode estimular o desenvolvimento de fornecedores locais e a produção de componentes, dentro de um processo gradual de nacionalização industrial. Ele também mencionou áreas promissoras de cooperação, como data centers, hidrogênio verde, mobilidade urbana e infraestrutura logística, onde a tecnologia chinesa pode ser combinada com a abundância de energia renovável e recursos naturais do Brasil.
De um modo geral, os especialistas concordaram que a relação bilateral está evoluindo para uma parceria cada vez mais estratégica, baseada na complementaridade entre os recursos e o potencial energético do Brasil e a capacidade industrial e tecnológica da China.
Em um cenário internacional cada vez mais incerto, concluíram, essa cooperação abre novas oportunidades para o desenvolvimento econômico e a modernização produtiva em ambos os países.

