Ataque EUA-Israel contra o Irã mergulha o Oriente Médio em nova conflagração e incerteza-Xinhua

Ataque EUA-Israel contra o Irã mergulha o Oriente Médio em nova conflagração e incerteza

2026-03-02 12:56:21丨portuguese.xinhuanet.com

* Os Estados Unidos e Israel lançaram, no sábado, ataques aéreos coordenados contra o Irã, com esse último respondendo com uma série de ataques contra alvos israelenses e americanos em todo o Oriente Médio.

* Israel mobilizou cerca de 200 caças no que autoridades descreveram como a maior operação da história da Força Aérea Israelense.

* Analistas alertaram que a trajetória do conflito continua incerta. "Pode permanecer limitado e rápido, ou evoluir para uma guerra de atrito mais ampla".

Cairo, 28 fev (Xinhua) -- Os Estados Unidos e Israel lançaram, neste sábado, ataques aéreos coordenados contra o Irã, com esse último respondendo com uma série de ataques contra alvos israelenses e americanos em todo o Oriente Médio.

O número de vítimas aumenta no Irã e em outros países envolvidos na escalada do conflito. A mídia israelense noticiou a morte do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, mas autoridades iranianas disseram que tanto Khamenei quanto o presidente Masoud Pezeshkian estão "sãos e salvos".

A mais recente escalada na região devastada pela guerra provocou apelos urgentes por moderação por parte da comunidade internacional. Analistas de segurança alertam que o conflito corre o risco de envolver outras potências regionais e prejudicar rotas marítimas essenciais para o transporte de energia pelo Golfo.

Foto de longa exposição tirada em 28 de fevereiro de 2026 mostras rastros dos mísseis interceptores lançados pelos sistemas israelenses de defesa aérea em Tel Aviv, Israel. Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado "grandes operações de combate" contra o Irã, mergulhando o Oriente Médio devastado pela guerra em uma nova rodada de conflitos violentos. (Xinhua/Chen Junqing)

MAIOR ATAQUE AÉREO DA HISTÓRIA DE ISRAEL

Israel mobilizou cerca de 200 caças no que autoridades descreveram como a maior operação aérea da história da Força Aérea Israelense.

Os ataques, que atingiram alvos em pelo menos 24 das 31 províncias iranianas, foram precisos e abrangentes, segundo autoridades israelenses e fontes de segurança. Os principais alvos incluíam bases aéreas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), além de instalações ligadas aos ministérios da Defesa e da Inteligência do Irã.

A mídia israelense noticiou ataques às residências de vários ministros e altos comandantes militares, além de ataques perto das residências de Khamenei e Pezeshkian.

Em um comunicado, as Forças Armadas de Israel disseram que seus aviões lançaram centenas de munições contra aproximadamente 500 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea e lançadores de mísseis, em diversas localidades.

A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã informou que pelo menos 201 mortes e 747 feridos foram registrados em todo o país. Entre os locais mais atingidos estava uma escola primária em Minab, cidade na província de Hormozgan, no sul do país, onde pelo menos 85 pessoas morreram, a maioria meninas. Equipes de resgate disseram que dezenas de outras pessoas ainda estavam presas sob os escombros.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse em um vídeo divulgado na noite de sábado que há "sinais crescentes" de que Khamenei "foi morto". Diversos veículos da mídia israelense citaram autoridades israelenses de alto escalão dizendo que Khamenei foi morto e seu corpo foi encontrado.

No entanto, um alto funcionário iraniano foi citado pela mídia estatal dizendo que "o inimigo está recorrendo à guerra psicológica". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Khamenei e Pezeshkian estão "sãos e salvos".

Israel "atacará milhares de alvos nos próximos dias", disse Netanyahu, acrescentando que as operações de combate em andamento "continuarão enquanto for necessário para garantir que o Irã não represente mais uma ameaça".

Foto tirada em 28 de fevereiro de 2026 mostra vista do centro de Teerã, Irã. O Irã fechou seu espaço aéreo enquanto Israel e os Estados Unidos lançavam ataques. (Xinhua/Shadati)

EUA BUSCAM MUDANÇA DE PODER NO IRÃ

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os ataques tinham como objetivo eliminar "ameaças iminentes" do Irã e pressionar por uma mudança na liderança da República Islâmica. Em um vídeo de oito minutos publicado nas redes sociais no sábado, ele descreveu a ação como uma resposta a quase meio século de hostilidade iraniana.

"Nosso objetivo é defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime iraniano", disse Trump. Ele acrescentou que as ações de Teerã "colocam em risco direto os Estados Unidos, nossas tropas, nossas bases no exterior e nossos aliados".

Trump foi além da retórica tradicional de dissuasão, instando os iranianos a "aproveitarem a oportunidade" para assumirem o controle de seu governo, um sinal claro do apoio dos EUA à mudança de regime.

Pouco depois do início dos ataques, Netanyahu divulgou uma declaração em vídeo confirmando a participação de Israel e ecoando o apelo de Trump por uma mudança de poder no Irã.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os ataques como "uma nova agressão militar", observando que eles ocorreram em meio a negociações diplomáticas em andamento. A mídia estatal iraniana observou que foi a segunda vez que Washington lançou ataques durante negociações, após a "guerra de 12 dias" em junho de 2025, que terminou com ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que Trump transformou seu slogan "América Primeiro" em "Israel Primeiro".

Foto tirada em 28 de fevereiro de 2026 mostra rua perto da Universidade de Teerã após ataques em Teerã, Irã. Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado "grandes operações de combate" contra o Irã, mergulhando o Oriente Médio devastado pela guerra em uma nova rodada de conflitos violentos. (Xinhua)

IRÃ PROMETE RESPOSTA "ESMAGADORA"

Pouco depois de Israel e os Estados Unidos lançarem o ataque, o Irã prometeu uma retaliação "esmagadora". Em poucas horas, Teerã lançou ataques com mísseis contra Israel e instalações militares dos EUA em vários estados árabes.

Sirenes de ataque aéreo soaram por todo Israel enquanto os moradores buscavam abrigo. As Forças Armadas de Israel disseram que suas defesas aéreas estavam interceptando mísseis e que aviões de guerra israelenses estavam neutralizando ameaças.

As Forças Armadas do Irã declararam que todas as bases militares americanas na região eram alvos legítimos. Segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars, Teerã atacou instalações militares em diversos países árabes que abrigam forças americanas, incluindo Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

A mídia iraniana, citando um oficial da IRGC, noticiou que 14 bases foram atingidas e que centenas de soldados americanos foram mortos. Os militares dos EUA negaram a informação, dizendo que nenhum soldado americano foi morto nem ferido.

A Tasnim, outra agência de notícias semioficial iraniana, informou que o Irã proibiu a passagem de todos os navios pelo Estreito de Ormuz, a estreita via navegável por onde passam anualmente cerca de 20% do gás natural liquefeito e 25% do petróleo transportado por via marítima no mundo.

Com a escalada da crise, países de toda a região fecharam total ou parcialmente seu espaço aéreo, e diversas companhias aéreas cancelaram voos para o Oriente Médio. Centros internacionais como Dubai e Doha também foram fechados.

Em Israel, escolas, comércios não essenciais e grandes aglomerações foram suspensas. Pelo menos dois prédios na região metropolitana de Tel Aviv foram atingidos por mísseis iranianos, segundo o site de notícias israelense Ynet. Até o momento, seis pessoas em Israel teriam ficado feridas.

No Kuwait, o Ministério da Defesa informou que três membros de suas forças armadas ficaram feridos após a queda de destroços na Base Aérea de Ali Al Salem, no noroeste do país, que já foi alvo de ataques com mísseis balísticos iranianos.

A mídia estatal dos Emirados Árabes Unidos informou que uma pessoa morreu em Abu Dhabi, mas não deu detalhes, enquanto oito pessoas teriam ficado feridas no Catar, uma delas em estado grave.

Pessoas se reúnem em uma rua perto da Universidade de Teerã após ataques em Teerã, Irã, em 28 de fevereiro de 2026. Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado "grandes operações de combate" contra o Irã, mergulhando o Oriente Médio devastado pela guerra em uma nova rodada de conflitos violentos. (Xinhua)

O MUNDO APELA POR MODERAÇÃO

A rápida escalada provocou uma onda de preocupações e apelos por moderação e diálogo em todo o mundo.

A China está extremamente preocupada com os ataques militares contra o Irã lançados pelos Estados Unidos e Israel, disse o Ministério das Relações Exteriores chinês em um comunicado à imprensa, enfatizando que a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas.

Em uma conversa telefônica com seu homólogo iraniano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou o que chamou de "ataque armado não provocado" e pediu a cessação imediata das hostilidades. Dmitry Medvedev, ex-presidente russo, criticou Trump, dizendo que o líder que por muito tempo se apresentou como um pacificador "mostrou suas verdadeiras cores". O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr bin Hamad bin Hamood Albusaidi, que atuou como mediador nas recentes negociações entre Irã e Estados Unidos, expressou consternação.

"Negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas", escreveu ele em uma publicação nas redes sociais. "Nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz mundial são bem servidos por isso". Ele acrescentou um alerta contundente: "Peço que os Estados Unidos não se envolvam ainda mais. Esta não é sua guerra".

O Egito, a União Europeia e outros atores internacionais também manifestaram preocupação com o potencial de um conflito regional mais amplo.

Nas Nações Unidas, o secretário-geral António Guterres condenou a escalada da violência, dizendo que os ataques dos EUA e de Israel, juntamente com a retaliação regional do Irã, "minam a paz e a segurança internacionais". Ele pediu que "todas as partes retornem imediatamente à mesa de negociações".

Enquanto isso, os ataques retaliatórios do Irã contra alvos em toda a região atraíram condenações da Arábia Saudita, Kuwait, Catar e outras nações árabes.

Painel informativo (fundo) mostra o cancelamento de todos os voos no Aeroporto Internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv, Israel, em 28 de fevereiro de 2026. Israel fechou seu espaço aéreo para voos civis no sábado, após um ataque conjunto israelo-americano contra o Irã, segundo autoridades locais. (Foto de Gil Cohen Magen/Xinhua)

LONGAS SOMBRAS DA GUERRA

Os ataques de sábado ocorreram após semanas de reforço militar e impasse diplomático, com dois porta-aviões americanos agora posicionados perto de Israel em uma rara demonstração de força.

O USS Gerald R. Ford chegou à costa de Israel na sexta-feira, juntando-se ao USS Abraham Lincoln, um deslocamento que, segundo analistas, sinaliza preparativos para uma possível ação militar.

"Este nível de mobilização não é rotineiro", disse Mohammed Nader al-Omari, pesquisador sírio em gestão de conflitos. "Envia um sinal claro de que opções militares estão sendo preparadas".

A escalada ocorreu em meio a um impasse de anos sobre o programa nuclear iraniano. Desde que Washington se retirou do acordo nuclear de 2015, em 2018, Teerã expandiu o enriquecimento de urânio. Países ocidentais dizem que o Irã enriqueceu urânio a 60% de pureza, próximo ao grau necessário para armas nucleares, enquanto o Irã alega que seu programa tem fins pacíficos.

Os ataques também coincidiram com os planos para uma nova rodada de negociações. Omã havia indicado que Teerã estava pronta para fazer concessões, disse Charbel Barakat, editor internacional do jornal kuwaitiano Al-Jarida, acrescentando que a ação poderia prejudicar a credibilidade dos EUA.

Enquanto isso, analistas alertaram que a trajetória do conflito continua incerta. "Pode permanecer limitado e rápido, ou evoluir para uma guerra de atrito mais ampla", disse Hani al-Masri, analista político em Ramala.

"O impacto potencial deste conflito vai muito além das partes diretamente envolvidas", disse à Xinhua, Hussam al-Dajani, analista político palestino de Gaza, acrescentando que ele poderia se intensificar em todo o Oriente Médio e impactar seriamente os mercados globais de energia.

"Globalmente, há um risco crescente de que as grandes potências sejam arrastadas para uma gestão reativa de crises em vez de uma resolução estratégica de conflitos, o que poderia ter efeitos duradouros na segurança e estabilidade internacionais", disse ele. "Na verdade, as implicações são sistêmicas, afetando não apenas a segurança regional, mas a ordem global em geral".

(Repórteres de vídeo: Dong Xiuzhu, Yang Yiran, Zhang Yanfang, Feng Guorui, Shadati e Hu Yousong; edição de vídeo: Li Qin, Wang Han e Zhao Xiaoqing)

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